A suinocultura de Mato Grosso do Sul passa a contar, em 2026, com um diagnóstico inédito e abrangente sobre a realidade de quem está na atividade. Realizado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (ASUMAS), o Censo da Suinocultura MS 2026 ouviu 130 produtores, aproximadamente 40% dos suinocultores do Estado, em um levantamento estruturado a partir de 70 perguntas sobre diferentes dimensões da cadeia produtiva.
A pesquisa foi realizada pela Hilles Consultoria em Agronegócio, que conduziu entrevistas diretamente com os produtores. O objetivo foi construir um retrato estratégico do setor, identificando quem produz, como produz, qual a capacidade instalada, quais são os principais gargalos e onde estão as oportunidades de crescimento.
Além de dimensionar a atividade, a iniciativa busca transformar informações em uma ferramenta de planejamento para produtores, empresas, instituições e poder público. A base de dados poderá apoiar decisões, direcionar investimentos, contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e fortalecer a competitividade da suinocultura sul-mato-grossense.
Para o presidente da ASUMAS, Renato Spera, o levantamento representa um novo instrumento para a entidade e para toda a cadeia.
“A suinocultura de Mato Grosso do Sul precisava transformar a experiência de quem produz em informação organizada, capaz de mostrar não apenas onde estamos, mas principalmente para onde podemos avançar. O censo nos entrega esse retrato e, a partir dele, conseguimos enxergar oportunidades, gargalos e prioridades com muito mais clareza. É uma ferramenta estratégica para o produtor, para a cadeia produtiva e também para o diálogo com instituições e poder público”.
Um retrato que aponta para o crescimento
Entre os resultados apresentados pelo censo, um dos principais sinais está relacionado às perspectivas de expansão. 75% dos produtores entrevistados afirmaram ter interesse em ampliar a atividade. O levantamento também identificou um potencial de ampliação que supera 500 mil animais, considerando as diferentes estruturas produtivas pesquisadas. As unidades de terminação concentram potencial de expansão de 346.258 animais, enquanto as propriedades de ciclo completo apresentam potencial de 124.550 animais.
Para os produtores que demonstraram interesse em crescer, entretanto, existem desafios a serem enfrentados. A disponibilidade de integradora aparece como o principal deles, apontada por 57,28% dos entrevistados. Na sequência estão mão de obra, com 16,50%, e crédito rural, com 12,62%.
Os números ajudam a dimensionar uma característica importante do setor: existe disposição para investir e ampliar a produção, mas o crescimento está condicionado a fatores estruturais e econômicos que precisam ser considerados no planejamento da cadeia.
Tecnologia e sustentabilidade ganham espaço
O diagnóstico mostra que a modernização já faz parte da realidade de uma parcela significativa das propriedades pesquisadas. 51,75% dos participantes foram classificados com nível tecnológico alto, enquanto 42,11% estão no nível médio e 6,14% no baixo. Entre as tecnologias e estruturas identificadas estão tratamento de dejetos, alimentação automatizada, fertirrigação, energia solar, climatização, biodigestores e sistemas de gestão.
O tratamento de dejetos está presente em 100% das propriedades pesquisadas, enquanto 97,37% contam com alimentação automatizada e 96,49% utilizam fertirrigação. A dimensão ambiental também aparece associada ao potencial de crescimento da atividade. O censo identificou áreas disponíveis para aplicação de dejetos e apontou que parte desse potencial ainda não é utilizada. O levantamento também avaliou práticas como planejamento agronômico, biodigestores e geração de energia.
Investimentos projetados ultrapassam R$ 300 milhões
A pesquisa também permite visualizar o apetite do setor por novos investimentos. Entre os produtores entrevistados, 75% utilizam crédito rural, enquanto 25% não recorrem a essa modalidade.
Os investimentos projetados para ampliação das atividades chegam a R$ 286,5 milhões. Entre os recursos previstos estão aplicações em biometano, máquinas e equipamentos, energia solar, automação e biodigestores, além de outros investimentos relacionados à expansão e modernização das propriedades.
O resultado reforça a existência de uma agenda de investimentos que vai além do aumento do número de animais. A modernização das granjas, a eficiência energética, o aproveitamento dos dejetos e a adoção de tecnologias estão entre os caminhos identificados pelo diagnóstico.
Pessoas e sucessão também fazem parte do futuro
O censo não se restringiu aos números de produção. O levantamento também analisou o perfil dos produtores, mão de obra, sucessão familiar, qualificação e gestão. A maior concentração dos entrevistados está na faixa entre 51 e 60 anos, que representa 34,21%, seguida pelos produtores acima de 60 anos, com 24,56%, e aqueles entre 41 e 50 anos, com 20,18%.
A sucessão familiar também foi incluída no diagnóstico: 66,67% dos entrevistados afirmaram ter sucessão familiar planejada, enquanto 15,32% disseram que o processo está parcialmente planejado e 18,02% não possuem planejamento nesse sentido.
Na composição da mão de obra das propriedades pesquisadas, 89,47% dos trabalhadores estão contratados pelo regime CLT e 10,53% correspondem à mão de obra familiar.
Para a representante da Hilles Consultoria, Gabriela Hillesheim, a participação dos produtores foi um dos pontos de destaque do trabalho.
“A participação dos produtores foi muito positiva. Percebemos um grande engajamento durante a pesquisa e uma compreensão clara da importância de construir esse diagnóstico para a suinocultura de Mato Grosso do Sul. Esse envolvimento mostra que o setor está interessado em conhecer melhor a própria realidade e em contribuir para pensar os próximos passos da atividade no Estado”.
