A proteína animal brasileira consolidou sua posição entre as maiores potências mundiais graças à combinação entre sanidade, tecnologia, inovação e eficiência produtiva. Agora, o principal desafio passa a ser outro, garantir competitividade para continuar crescendo em um mercado internacional cada vez mais exigente.
Essa foi a principal mensagem da abertura oficial da SIAVS 2026. Em seu discurso, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou que o setor superou nos últimos anos desafios sanitários, econômicos e geopolíticos sem perder sua capacidade de abastecer o mercado interno e ampliar exportações. Segundo ele, o momento exige que o Brasil avance em infraestrutura, logística, abertura de mercados e previsibilidade regulatória para manter sua posição de liderança.
Competência para produzir o Brasil já demonstrou
Ao fazer um balanço dos últimos anos, Santin lembrou que a cadeia enfrentou uma sucessão de crises com a pandemia, influenza aviária, aumento dos custos de produção e mudanças no comércio internacional, mantendo, mesmo assim, elevados padrões sanitários e capacidade de resposta.
Segundo ele, a força do setor foi construída sobre pilares como ciência, coordenação entre iniciativa privada e poder público, defesa agropecuária e transparência perante os mercados compradores.
Foto: Ricardo Santin – redação agriNews Brasil
“Esse conjunto de fatores permitiu ao Brasil ampliar sua presença internacional e manter a confiança de mais de 150 mercados importadores, patrimônio que precisa ser permanentemente preservado”, disse Santin.
Infraestrutura passa a ser fator decisivo
Para Santin, os gargalos atuais já não estão dentro das granjas ou das agroindústrias. O dirigente afirmou que o país precisa investir em portos, corredores logísticos e sistemas capazes de reduzir custos e aumentar a eficiência do transporte das cargas destinadas ao mercado externo.
Na avaliação do presidente da ABPA, produzir com eficiência já não é suficiente quando parte da competitividade é perdida durante o escoamento da produção. Outro ponto defendido foi a necessidade de ampliar alternativas logísticas para atender, principalmente, os mercados asiáticos, reduzindo dependência de rotas tradicionais e aumentando a competitividade da proteína animal brasileira.
Sanidade continua sendo o maior patrimônio da proteína animal
Mesmo tratando dos desafios econômicos, Santin ressaltou que a defesa agropecuária permanece como o principal ativo competitivo da cadeia brasileira.
“Nos últimos anos, o Brasil avançou com instrumentos, como a Lei do Autocontrole e o fortalecimento da inspeção baseada em risco, preservando o rigor sanitário que sustenta a credibilidade internacional dos produtos brasileiros”, destacou.
Segundo o dirigente, a confiança conquistada ao longo de décadas é resultado direto da integração entre setor produtivo, serviços oficiais, pesquisa e fiscalização, fatores que continuam determinantes para a abertura e manutenção dos mercados internacionais.
Segurança jurídica também entrou na pauta da abertura
O ambiente de negócios foi outro tema recorrente durante a cerimônia. Representando a Câmara dos Deputados, o deputado Sérgio Turra afirmou que decisões capazes de afetar investimentos e competitividade precisam ser construídas em diálogo com quem produz. Segundo ele, mudanças regulatórias devem considerar os impactos sobre empresas, produtores e geração de empregos, preservando a segurança jurídica necessária para o desenvolvimento da cadeia.
Turra também destacou que fortalecer a proteína animal significa fortalecer inovação, empregos, renda e a segurança alimentar do país, defendendo políticas públicas voltadas à redução da burocracia e à ampliação da competitividade.
O próximo ciclo dependerá da capacidade de competir
Ao encerrar sua participação, Ricardo Santin reforçou que a proteína animal brasileira reúne condições para continuar ampliando sua presença global, mas observou que o próximo salto dependerá menos da capacidade produtiva e mais da construção de um ambiente favorável aos negócios.
Na avaliação do presidente da ABPA, o mundo já não procura o Brasil apenas pelos volumes produzidos, mas também pela qualidade, tecnologia, genética, sustentabilidade e credibilidade desenvolvidas pela cadeia ao longo das últimas décadas. Por isso, defendeu que investimentos em inovação, logística, defesa agropecuária e abertura de mercados caminhem juntos para que a proteína animal brasileira continue agregando valor, gerando empregos e consolidando seu papel na segurança alimentar mundial.
Fonte: redação suínoBrasil.
