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Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos

SNDS 2025 destacou crescimento do consumo, foco em foodservice, uso de IA e importância da confiança na suinocultura brasileira.

SNDS 2025 destacou crescimento do consumo, foco em foodservice, uso de IA e importância da confiança na suinocultura brasileira.

70 anos da ABCS: Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos

Por Priscila BeckDiretora de Comunicação agriNews Brasil

 

De 3 a 5 de setembro, no Vale dos Vinhedos (RS), o SNDS 2025 celebrou os 70 anos da ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos) com uma agenda que uniu estratégia setorial, mercado e comunicação. 

No palco as lideranças mostraram que a década que elevou o consumo em 45% (para quase 20 kg per capita) preparou terreno, mas o próximo salto depende de:

A marca histórica dos 70 anos foi tratada como um ponto de inflexão. Em seu discurso, o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, destacou que a entidade combinou técnica, defesa institucional e marketing para sustentar a expansão, com iniciativas como a Semana Nacional da Carne Suína, que segundo ele, se tornou um ativo que, hoje, molda percepção e puxa demanda no varejo.

No balanço que apresentou no evento, Marcelo Lopes demonstrou que, nos últimos 10 anos, o consumo de carne suína cresceu 45%, alcançando quase 20 kg per capita. 

Segundo ele, se trata do resultado de trabalho de campo e de campanhas de visibilidade no ponto de venda. 

No pré-SNDS, Marcos Jank enquadrou o cenário internacional, destacando aspectos como fragmentação geopolítica, “friendshoring” (priorização de parceiros aliados para produção/fornecimento confiável) e comércio cada vez mais administrado. 

Segundo ele, são temas que criam incertezas e exigem sistemas mais resilientes, diversificação de mercados e capacidade de reagir rápido a estímulos de preço.

Para a suinocultura, Jank destacou a importância de abrir portas na Ásia e na Europa com mais valor agregado e logística afinada, sem descuidar da base doméstica. 

Na tecnologia, a palestra “Conveniência é o Nome do Negócio: IA e Tecnologia Redefinindo o Agro”, de Arthur Igreja, tirou a IA do discurso abstrato e a colocou no chão das decisões. 

Igreja lembrou que ondas de desemprego se explicam por choques econômicos e guerras, não pela tecnologia, e apontou que já vivemos a “Era dos Agentes”, em que sistemas executam tarefas complexas sozinhos, liberando tempo gerencial e encurtando ciclos decisórios.

O recado de Igreja para o produtor e a indústria foi o de que a IA deve ser tratada como um braço operacional, porém, com discernimento para filtrar “alucinações” e manter o foco em ganhos de eficiência. 

No eixo mercado, o painel de foodservice reuniu Romeu Bellon (compras e supply chain em redes nacionais e multinacionais) e Daniel Boer (especialista global em proteína animal e agronegócio sustentável). 

O ponto central foi que preço importa, porém, previsibilidade de preço e padrão logístico pesam ainda mais para as grandes redes, que ditam tendências e operam com políticas próprias de abastecimento, bem-estar animal e desmatamento zero. 

Confiança antes da planilha: valores pesam de três a cinco vezes mais que dados

A palestra de Charlie Arnot trouxe uma mudança de rota para a comunicação do setor. Com base em três anos de pesquisa envolvendo 6 mil consumidores, Arnot mostrou que a conexão de valores compartilhados é de três a cinco vezes mais determinante para construir confiança do que fatos e ciência apresentados de forma isolada.

Em um ambiente de “microculturas”, no qual a autoridade é distribuída, alguém “como eu”, afirmou, pode ser tão confiável quanto um cientista, o que desloca o mapa de influenciadores e exige autenticidade, transparência de progresso (em vez de prometer perfeição) e práticas à mostra.

A implicação prática para a suinocultura, segundo ele, é começar a conversa pelo “porquê” (quem somos e por que fazemos), ancorar com indicadores compreensíveis e manter presença contínua, porque confiança se constrói com regularidade, e não com ações pontuais.

Como transformar confiança em demanda recorrente

O SNDS também promoveu um painel de debates que conectou indústria, cooperativismo e varejo. Participaram José Antonio Ribas Junior (Seara), Elias Zydek (Frimesa), Fábio Casanova (Swift), David Buarque (Carrefour) e Luiz Baruzzi (Amigão/Plurix), com Marcelo Lopes na mediação. 

A mesa convergiu em três frentes: 

Na síntese de palco, ficou o consenso de que confiabilidade de entrega o ano todo e narrativa alinhada são condições para que a suinocultura ganhe espaço estável no foodservice e no varejo de alta rotação.

Estação Quarentenária

Além dos painéis técnicos e de mercado, a programação registrou um bloco institucional dedicado à história e à agenda sanitária. 

Na celebração dos 70 anos, a organização exibiu vídeo institucional alusivo às ações de defesa, com destaque para a estação quarentenária e para a cooperação do setor com o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), reforçando o caráter preventivo que sustenta reputação e acesso a mercados.

O que tudo isso coloca na agenda dos próximos meses?

Sete décadas depois, o diagnóstico do SNDS é de que o setor chegou até aqui combinando técnica, representação e marketing. 

Para ir além, precisa acoplar previsibilidade para o foodservice, produtividade inteligente via IA e uma comunicação que comece pelo que move as pessoas. É assim que a história construída pela ABCS vira plataforma para a próxima curva de crescimento.

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