O endurecimento no acesso ao crédito rural tem se consolidado como um dos principais entraves para a suinocultura capixaba e ganhou protagonismo nas discussões sobre o Plano Safra 2026/2027.
O tema foi destaque em reunião promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizada em Linhares, que reuniu produtores e lideranças do setor agropecuário da região Sudeste.
Representando o setor no Espírito Santo, a AVES e a ASES participaram do encontro, com a presença do diretor executivo Nélio Hand, reforçando a preocupação com a crescente dificuldade de acesso a financiamento no campo.
Segundo relatos apresentados na reunião, o crédito está mais restritivo, com aumento das exigências, redução de limites e maior rigor na concessão por parte das instituições financeiras. Para a suinocultura — atividade intensiva em capital e dependente de fluxo contínuo de investimento — o cenário representa um risco direto à expansão e à sustentabilidade da produção.
Outro ponto crítico é a ampliação da alienação fiduciária como garantia, o que tem limitado novas operações, especialmente entre produtores que já possuem patrimônio vinculado. Na prática, isso reduz a capacidade de investimento em modernização, biosseguridade e ampliação das granjas.
Também entraram na pauta ajustes em linhas estratégicas como Pronaf, Renovagro, Proirriga e PCA, fundamentais para sustentar ganhos de eficiência e competitividade no setor.
De acordo com Nélio Hand, é essencial que o Plano Safra considere as especificidades regionais e produtivas.
“O Espírito Santo tem características próprias, e o crédito precisa estar disponível de forma acessível. Não basta ter recurso — ele precisa chegar ao produtor”, afirmou.
As contribuições fazem parte da construção de um documento nacional da CNA, que será levado ao governo federal. A expectativa do setor é que o próximo Plano Safra enfrente, de forma mais efetiva, o gargalo do crédito rural.
