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Efeitos da suplementação de ácidos orgânicos e mananoligossacarídeo na saúde de suínos em fase de creche desafiados por Salmonella Typhimurium

Efeitos da suplementação de ácidos orgânicos e mananoligossacarídeo na saúde de suínos em fase de creche desafiados por Salmonella Typhimurium

Furtado JCV¹, Miranda A¹, Ternus EM², Sato JP³, Piroca L4, Andretta I¹, et al – ¹Laboratório de Ensino Zootécnico – LEZO, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-BR; 2Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Santa Catarina, UDESC, Lages-BR; ³ Dr. Bata Brazil, Chapecó-BR; 4Vetanco Brasil, Chapecó-BR

*Autor para correspondência: vieirajulio16@gmail.com

 

A fase de creche é um dos períodos mais críticos na vida dos suínos, uma vez que ocorrem mudanças abruptas incluindo:

 

Além disso, quando o desmame é realizado precocemente, o trato gastrointestinal dos suínos ainda é imaturo o que compromete os processos de digestão e absorção dos nutrientes.

Esses fatores resultam em um desequilíbrio na microbiota intestinal dos animais, o que pode comprometer a saúde, bem-estar e desempenho zootécnico.

Associado a esses fatores, existe uma crescente demanda para substituição do uso de antibióticos promotores de crescimento nos sistemas de produção. Portanto, diferentes aditivos são testados para modular a microbiota intestinal e minimizar os efeitos dos desafios sanitários na saúde de leitões nessa fase da produção, como ácidos orgânicos (AO) e prebióticos. Contudo, as informações disponíveis sobre a interação destes aditivos com desafios com Salmonella ainda são escassas.

Objetivou-se com o presente estudo avaliar o efeito da suplementação de ácidos orgânicos combinados com mananoligossacarídeo (AOM) sobre a temperatura retal, incidência de febre, excreção e quantificação de Salmonella Typhimurium nas fezes de leitões na fase de creche desafiados por Salmonella Typhimurium.

 

Material e Métodos

O experimento foi dividido nas fases de adaptação (pré-desafio) e experimental (pós-desafio), cuja duração de cada uma foi de 5 e 14 dias; respectivamente.

Vinte e oito leitões machos não castrados (Large White × Landrace) desmamados aos 28 dias foram aleatoriamente distribuídos em um dos quatro tratamentos:

Após o período de adaptação, os animais foram inoculados oralmente com uma dose de 5 mL contendo 2×109 UFC/ml de Salmonella Typhimurium.

Durante o período experimental, a temperatura retal foi monitorada duas vezes ao dia.

Amostras de fezes foram coletadas diretamente do reto dos leitões nos dias 1, 3, 5, 7 e 14 pós-desafio a fim de verificar a excreção e a quantificação de Salmonella Typhimurium, de acordo com a metodologia de Número Mais Provável (NMP).

Durante todo o período experimental os animais foram mantidos sob temperatura controlada com água e ração ad libitum. Os animais foram considerados a unidade experimental.

Os procedimentos estatísticos (análise de variância) foram realizados utilizando o procedimento GLIMMIX do software SAS 9.3. Diferenças foram avaliadas pelo teste de comparações múltiplas de Tukey ao nível de 5%.

Resultados e Discussão

Não houve diferença entre os tratamentos para a temperatura retal (P=0,44). A ocorrência máxima de leitões com febre (temperatura retal maior que 39,8 °C) aconteceu 3 dias após o desafio, com redução gradual até o final do experimento.

Fabà et al. (2020) observou que a prevalência máxima de febre em suínos foi no quarto dia após desafio por Salmonella spp. No presente estudo, foi observado uma maior frequência de febre (P<0,05) para animais do tratamento CON (75% dos animais), seguido pelo tratamento SBD (25%), SAD (15%) e STAD (0%) no terceiro dia pós desafio.

Ao final do experimento (dia 14), a ocorrência de leitões positivos para excreção de Salmonella Typhimurium foi de 63% para o tratamento CON, 25% para o SAD, 13% para o STAD e 0% para o grupo SBD (Tabela 1).

Durante todo o período pós-desafio, a frequência média de leitões excretando Salmonella Typhimurium foi maior para os animais do grupo CON (P<0,05), quando comparado aos outros tratamentos. Além disso, houve maior quantificação de Salmonella Typhimurium nos animais do grupo CON (P<0,05) em relação aos demais.

Por mais que a ênfase no controle da salmonelose se dê na fase de terminação devido ao risco de contaminação das carcaças no abate, minimizar a excreção de Salmonella spp. na fase de creche é uma estratégia eficiente para reduzir a sua prevalência nas próximas fases da produção, principalmente por conta da principal forma de transmissão ser fecal-oral (2).

Alguns estudos corroboram com o efeito positivo de AOM encontrados neste trabalho, como em Ternus et al. (2022), no qual comprovou que a suplementação desses aditivos em conjunto traz resultados semelhantes ao de APC, podendo ser alternativa na nutrição de suínos em fase de creche.

As ações benéficas do AO e do MOS incluem:

Esses mecanismos de ação podem explicar a menor excreção de ST, menor frequência de animais positivos para ST e menor ocorrência de animais com febre nos tratamentos suplementados quando comparados ao tratamento CON.

Conclusão

A suplementação de ácidos orgânicos combinados com mananoligossacarídeos na dieta de leitões na fase de creche pode reduzir os efeitos negativos causados pelo desafio de Salmonella Typhimurium.

 

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