Frimesa aposta em valor agregado à carne suína
O estúdio da agriNews Brasil esteve presente no SIAVS 2026 como espaço de encontro entre lideranças e profissionais que ajudam a definir os rumos da proteína animal brasileira. Entre os convidados, Elias Zydek, presidente da Frimesa, falou sobre um dos principais desafios atuais da cadeia, transformar o crescimento da produção em maior valor para o consumidor e, consequentemente, em rentabilidade para toda a cadeia cooperativista.
A companhia trabalha com uma meta ambiciosa de chegar a R$ 15 bilhões de faturamento até 2032, mantendo uma estratégia de 75% da operação voltada ao mercado interno e 25% ao externo. Para alcançar esse objetivo, entretanto, não basta produzir mais. É preciso ampliar a presença da marca, fortalecer a distribuição, desenvolver novos produtos e, sobretudo, entender melhor quem está no outro lado da cadeia: o consumidor.
O gargalo deixou de estar apenas na produção
A Frimesa vive um cenário em que a produção das cooperativas cresce entre 5% e 8% ao ano. O desafio, segundo Elias, está em transformar esse aumento de volume em margem.
Em um mercado competitivo, várias empresas disputam o mesmo consumidor. Por isso, a estratégia precisa ir além do preço e construir uma percepção de valor que estimule a compra e a recompra.
“Começa no bolso do consumidor. Você atendendo o consumidor e ele comprando e ficando satisfeito, com certeza você viabiliza toda a cadeia”, afirmou Elias.
Essa lógica muda a prioridade da empresa: a indústria precisa olhar para o mercado como elemento fundamental para remunerar produtores, sustentar investimentos e absorver o crescimento da produção.
De R$ 7 bilhões a R$ 15 bilhões: onde está o crescimento?
A meta de alcançar R$ 15 bilhões em faturamento até 2032 será sustentada por um conjunto de estratégias, e não por uma única frente.
No mercado interno, a Frimesa pretende ampliar a distribuição e tornar a marca mais conhecida em diferentes regiões brasileiras. O movimento ganhou força no Sul e, a partir de 2026, passou a mirar com maior intensidade o estado de São Paulo, além das maiores cidades e capitais das regiões Norte e Nordeste.
O objetivo é aumentar significativamente o número de pontos e clientes atendidos. Ao mesmo tempo, a empresa trabalha a comunicação da marca em diferentes canais, incluindo ações no varejo, iniciativas esportivas e associação com personalidades de diferentes públicos.
A estratégia também inclui uma frente agressiva de inovação: a meta é que 12% do faturamento anual venha de novos produtos.
Entre os lançamentos mencionados por Elias estão uma barra de proteína, voltada ao público interessado em alimentação baseada em proteínas e saudabilidade, e o iogurte 5.0.
Menos carcaça, mais produto de valor agregado
Outro movimento importante está na transformação da própria oferta de carne suína. Em vez de concentrar a comercialização em carcaças, a Frimesa aposta cada vez mais em cortes e produtos desenvolvidos para facilitar a vida do consumidor.
Congelados, temperados, cortes in natura e resfriados fazem parte dessa estratégia. Segundo Elias, o consumidor brasileiro demonstra preferência por produtos que sejam práticos, fáceis e rápidos de preparar.
A mudança acompanha também o crescimento do consumo interno de carne suína, que, segundo o executivo, já chega a aproximadamente 20 quilos per capita. Nesse cenário, a industrialização e a diferenciação deixam de ser apenas estratégias comerciais e passam a ser instrumentos para ampliar o consumo da proteína suína.
Marketing também pode puxar o consumo de carne suína
A presença da Frimesa em São Paulo representa mais do que a abertura de um novo escritório. O movimento integra uma estratégia de aproximação com o mercado consumidor, ampliação da distribuição e reposicionamento da marca.
A companhia também vem investindo na comunicação da carne suína e na construção de uma identidade mais próxima do consumidor. Para Elias, esse trabalho precisa envolver toda a cadeia produtiva.
“A cadeia produtiva toda precisa conhecer do propósito. Quando você tem um propósito na vida, que vai desde o produtor até entender o consumidor final, a luta fica diferente”, destacou.
A lógica é fazer com que o produtor conheça o destino de sua produção e compreenda como qualidade, posicionamento de marca e satisfação do consumidor impactam diretamente a renda e a sustentabilidade da cadeia.
A nova fase do agro é a fase do consumidor
Na avaliação de Elias, o agronegócio passou por diferentes momentos de transformação. Primeiro, veio a expansão da produção e da escala. Depois, a industrialização e a agregação de valor. Agora, segundo o executivo, a cadeia entra em uma terceira etapa: a onda do consumidor.
Isso significa compreender desejos, comportamento e expectativas para além da necessidade básica de alimentação. O consumidor quer praticidade, mas também quer qualidade, equilíbrio, confiança e uma percepção positiva sobre aquilo que coloca à mesa. Por isso, a Frimesa pretende trabalhar cada vez mais conceitos como naturalidade, saudabilidade e alimentos considerados “de verdade”. A proposta envolve reduzir a presença de conservantes e valorizar a origem e o processo produtivo.
O que precisa acontecer até 2032?
Para Elias, alcançar R$ 15 bilhões não será suficiente para definir o sucesso da estratégia. O verdadeiro indicador será a capacidade de compreender continuamente o consumidor e transformar esse conhecimento em produtos, distribuição e comunicação capazes de sustentar a expansão.
Isso exige planejamento, mas também disposição para ajustar a rota conforme as mudanças do mercado. A empresa terá de continuar estimulando o consumidor a experimentar produtos diferentes e, ao mesmo tempo, manter a conexão com os milhares de produtores e profissionais envolvidos na cadeia.
No fim, a estratégia da Frimesa parte de uma premissa simples, mas com implicações profundas: não basta produzir mais carne suína; é preciso criar motivos para que o consumidor queira comprar mais, pagar pelo valor agregado e reconhecer a qualidade daquele produto. O caminho traçado pela companhia para 2032, portanto, passa menos por simplesmente aumentar o volume e mais por transformar produção em marca, produto, experiência e valor.
Frimesa aposta em valor agregado à carne suína
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