*Antônio Leomar Eugênio, médico-veterinário, gerente na Granja 5 Estrelas, consultor técnico em suinocultura e sócio da Pig3 Consultoria, explica o que precisa ser avaliado antes de mudar o fluxo semanal para o manejo em bandas e porque estrutura, dimensionamento, reposição e pessoas podem definir o sucesso ou o fracasso da implantação.
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1. O sistema em bandas costuma ser apresentado por seus benefícios. Mas qual é a primeira pergunta que o gestor deveria responder antes de decidir implantá-lo?
Antes de pensar nos benefícios, o gestor precisa entender qual é a necessidade da granja de migrar do fluxo semanal para o sistema em bandas. Ou seja: quais problemas queremos resolver e quais ganhos esperamos obter com essa mudança?
O manejo em bandas é uma ferramenta que pode ser utilizada tanto em granjas menores quanto em sistemas de maior escala. Hoje, na minha gestão, trabalhamos com aproximadamente 500 matrizes, mas é perfeitamente possível aplicar o sistema em granjas maiores, por exemplo, com 1.500 a 2.000 matrizes. O importante é que o modelo seja dimensionado de acordo com a realidade e os objetivos de cada granja.
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Quais características da granja podem tornar a mudança inviável ou mais arriscada — mesmo quando o modelo parece tecnicamente interessante?
Um dos principais pontos é a equipe. Não adianta o sistema ser tecnicamente adequado se as pessoas que estão na operação não comprarem a ideia ou não estiverem preparadas para executar os novos manejos.
Antes da mudança, é fundamental conversar com a equipe, entender o nível de conhecimento, avaliar o comprometimento e identificar se as pessoas estão aptas a trabalhar dentro da nova rotina. O manejo em bandas muda a dinâmica da granja e exige organização e disciplina.
Por isso, eu considero que a preparação da equipe deve estar entre as primeiras etapas do projeto.
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O que precisa ser dimensionado conjuntamente para que o calendário não entre em conflito com a capacidade das maternidades, da creche, da reposição e da equipe?
Um dos pontos que não pode ser negligenciado é o alvo de cobertura. Neste sistema, a banda é dimensionada de acordo com a capacidade das instalações, principalmente da maternidade.
Se, em determinado momento, fizermos um número de coberturas muito acima da capacidade da maternidade, teremos um problema algumas semanas depois, quando essas fêmeas chegarem ao parto.
Por isso, é necessário olhar o sistema como um todo: número de fêmeas, taxa de parto, capacidade da maternidade, creche, reposição e disponibilidade de mão de obra. O calendário precisa ser construído considerando a capacidade real da granja, e não apenas a meta produtiva.
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Pela sua experiência na operação, onde esses projetos mais falham: no desenho técnico ou na capacidade de manter disciplina e execução ao longo do tempo?
Eu diria que o primeiro grande desafio está no desenho da implantação: definir qual intervalo de bandas será utilizado e como será feita a migração do sistema semanal para o sistema em bandas.
É preciso planejar se a transição será natural, mista ou artificial e entender as consequências de cada estratégia para o fluxo da granja.
Depois que o sistema é implantado, outro ponto crítico é a continuidade do planejamento, principalmente em relação à reposição. No sistema semanal, temos uma determinada necessidade de leitoas a cada semana. Quando passamos para uma banda de 21 dias, por exemplo, essa programação muda completamente.
Por isso, não podemos falhar no planejamento e na preparação das leitoas. Uma falha na reposição pode comprometer todo o fluxo das bandas e gerar reflexos por vários ciclos.
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Depois da implantação, quais indicadores revelam rapidamente que o fluxo melhorou e quais os principais pontos de atenção para que o sistema funcione?
Em relação aos indicadores que revelam rapidamente uma melhora no sistema, eu destacaria, em primeiro lugar, os indicadores sanitários, principalmente na maternidade. Quando você sai de um fluxo semanal e passa a trabalhar em bandas, seja de 14, 21 dias ou outro intervalo, é possível perceber uma melhora significativa no status sanitário da granja, especialmente da maternidade, já nas primeiras bandas.
O segundo ponto é a organização do trabalho. No fluxo semanal, todos os manejos reprodutivos acontecem praticamente toda semana: temos parto, desmame e cobertura de forma contínua. Quando migramos, por exemplo, para uma banda de 21 dias, essa rotina fica mais organizada e os manejos passam a ser concentrados. Em uma semana, você tem partos; na seguinte, coberturas; e na outra, desmame. Isso reduz a sobreposição de atividades e permite uma organização muito maior da equipe e da rotina da granja.
Por outro lado, um ponto crucial após a mudança — e que não pode ser negligenciado — é o manejo reprodutivo. O fluxo de entrada de leitoas e a organização das coberturas precisam ser muito bem planejados, porque funcionam de maneira completamente diferente do sistema semanal.
No fluxo semanal, existe uma certa flexibilidade. Se o alvo é realizar 100 coberturas em uma semana e fazemos 90, por exemplo, podemos acabar compensando na semana seguinte, realizando 110. Não é o ideal, mas o sistema semanal permite essa compensação.
No manejo em bandas, principalmente em um intervalo de 21 dias, essa flexibilidade praticamente desaparece. É preciso trabalhar muito próximo do alvo de cobertura de cada banda. Por isso, o planejamento reprodutivo, o fluxo de entrada de leitoas e a programação das coberturas são fundamentais para que a granja não apenas mude o calendário, mas realmente obtenha os ganhos esperados com o sistema em bandas.
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Para finalizar, qual mensagem você deixaria para o produtor que está pensando em adotar o manejo em bandas?
Eu vejo o manejo em bandas como mais uma ferramenta que o produtor pode utilizar para melhorar a eficiência da granja. Mas não existe um modelo único que funcione da mesma maneira para todas as propriedades.
É preciso avaliar a estrutura, o dimensionamento, os objetivos e, principalmente, as pessoas que vão executar esse sistema.
Antônio Leomar Eugênio
Quando bem planejado e executado, o manejo em bandas pode contribuir para melhorar o desempenho, organizar o trabalho da equipe e favorecer a sanidade do plantel. Mas o sucesso começa antes da mudança do calendário: começa no planejamento da granja e na preparação das pessoas.
