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Manejo reprodutivo de matrizes hiperprolíficas: desafios e estratégias para a suinocultura moderna

Manejo reprodutivo de matrizes hiperprolíficas: desafios e estratégias para a suinocultura moderna

O avanço genético das últimas décadas transformou profundamente o perfil das matrizes suínas. Linhagens modernas apresentam elevada prolificidade, com aumento significativo no número de leitões nascidos por parto. No entanto, essa evolução trouxe novos desafios fisiológicos, produtivos e de manejo que exigem adaptações no sistema de produção.

A nova matriz: mais produtiva, porém mais exigente

As matrizes modernas diferem significativamente das de décadas anteriores. São mais magras, eficientes e com maior taxa de crescimento, além de produzirem leitegadas maiores. Esse ganho produtivo está diretamente ligado ao melhoramento genético e à seleção intensiva.

Contudo, a hiperprolificidade trouxe efeitos colaterais importantes:

Esses fatores indicam que o aumento do número de leitões não necessariamente se traduz em maior eficiência produtiva, caso não haja ajustes no manejo.

Desenvolvimento de leitoas: base para o desempenho futuro

O manejo de leitoas de reposição é um dos pontos mais críticos do sistema. A qualidade dessas fêmeas impacta diretamente a longevidade e a produtividade do plantel. Assim, devemos nos atentar aos seguintes critérios:

Outro aspecto relevante é o controle do peso à cobertura. Fêmeas muito pesadas apresentam maior risco de problemas locomotores, distocia e pior desempenho nas paridades seguintes. Por outro lado, estratégias como o “flush feeding” podem aumentar a taxa de ovulação, embora seus efeitos sobre a sobrevivência embrionária ainda sejam inconsistentes.

Assim, o equilíbrio entre crescimento, condição corporal e estímulo puberal é essencial para maximizar o desempenho ao longo da vida produtiva.

Parto: o principal gargalo das matrizes hiperprolíficas

Um dos maiores desafios associados à hiperprolificidade é o aumento da duração do parto. Estudos mostram que o tempo médio de parto aumentou significativamente nas últimas décadas, acompanhando o crescimento do tamanho das leitegadas.

Partos prolongados estão associados a:

Leitegadas grandes demandam maior esforço físico da matriz, elevando o risco de exaustão, redução do consumo alimentar e queda na produção de leite.

Além disso, leitões nascidos no final da ordem de parto apresentam maior risco de mortalidade, devido à maior exposição à hipóxia e ruptura do cordão umbilical.

Mortalidade neonatal: um desafio multifatorial

A mortalidade pré-desmame permanece como um dos principais entraves da suinocultura moderna. Em média, cerca de 15% dos leitões não sobrevivem até o desmame.

Os principais fatores envolvidos incluem:

Além disso, o número de leitões frequentemente supera o número de tetos funcionais, intensificando a competição e comprometendo o desenvolvimento dos animais.

Esses fatores reforçam a necessidade de estratégias específicas para manejo de leitegadas grandes, incluindo práticas como equalização e suporte aos leitões mais leves.

Saúde da matriz e impactos reprodutivos

O período periparto é considerado crítico para a saúde da fêmea. As matrizes hiperprolíficas estão mais suscetíveis a:

Essas condições comprometem diretamente a produção de leite e o desempenho dos leitões.

Além disso, partos prolongados e intervenções obstétricas aumentam o risco de infecções uterinas e reduzem a eficiência reprodutiva subsequente, incluindo:

Outro ponto emergente é o aumento da incidência de prolapsos, cuja etiologia ainda não está completamente esclarecida, mas envolve fatores nutricionais, ambientais e de manejo.

Condição corporal, nutrição e estresse térmico

O controle da condição corporal é determinante para o sucesso reprodutivo. Tanto o excesso quanto a deficiência nutricional trazem prejuízos:

Além disso, o estresse térmico é um fator crítico, especialmente em sistemas intensivos. Temperaturas elevadas aumentam a mortalidade de matrizes, especialmente no período periparto.

Dessa forma, o manejo nutricional e ambiental deve ser ajustado para atender às demandas específicas das fêmeas modernas.

Lactação: balanço energético e desempenho futuro

Durante a lactação, as matrizes hiperprolíficas entram frequentemente em estado catabólico, mobilizando reservas corporais para sustentar a produção de leite.

Embora as fêmeas modernas apresentem maior resiliência no retorno ao estro, perdas excessivas de condição corporal ainda impactam negativamente:

Estratégias para minimizar essas perdas incluem:

Além disso, o aumento da idade ao desmame tem sido associado a melhores resultados produtivos, tanto para leitões quanto para matrizes.

Manejo de leitegadas grandes: necessidade de adaptação

A produção de leite não acompanha proporcionalmente o aumento do tamanho das leitegadas, resultando em menor disponibilidade de nutrientes por leitão.

Entre as principais consequências estão:

Além disso, é de suma importância a adoção de estratégias específicas para manejo de leitões excedentes, como:

Tais  práticas são fundamentais para garantir a viabilidade dos leitões e melhorar a eficiência do sistema.

Conclusão: mais leitões, mais complexidade

A hiperprolificidade representa um avanço importante para a suinocultura, mas também aumenta a complexidade do sistema produtivo.

O sucesso depende de uma abordagem integrada que envolva:

O desafio atual não é apenas produzir mais leitões, mas garantir que eles sejam viáveis, com bom desempenho, ao mesmo tempo em que se preserva a saúde e a longevidade das matrizes.

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