Matriz surpreende granja ao dar à luz a 46 leitões | Reportagem exclusiva suínoBrasil
A surpresa tomou conta da equipe da granja na Fazenda Cotia, no município de Piedade de Ponte Nova/ MG, quando a contagem de leitões recém-nascidos em junho, ultrapassou números considerados comuns para a espécie.
João Antônio Bordoni da Silva, produto e proprietário da Granja Cotia.
Ao perceber que a matriz já havia parido cerca de 30 leitões, o produtor João Antônio Bordoni da Silva imediatamente mobilizou a equipe e buscou apoio veterinário para garantir a condução adequada do parto, que acabaria resultando no nascimento de impressionantes 46 leitões.
“A reação foi de surpresa. Quando chegou em 30 leitões, já começamos a procurar ajuda, comunicar um com o outro e pedir orientação. O veterinário, mesmo à distância, ajudou muito”, relatou João Antônio. Segundo ele, a experiência dos funcionários que atuam na maternidade foi fundamental para o sucesso da operação. O parto exigiu acompanhamento constante e manejo técnico durante todo o processo.
Confira o depoimento exclusivo do produtor João Antônio à suínoBrasil:
“Fazer o parto de uma porca não é só deixar ela trabalhar o parto. O profissional que está ali faz os manejos necessários para ela ter um parto melhor, mais confortável e que gere menos sofrimento ao animal”, explicou.
Na avaliação do consultor em suinocultura Guilherme Brandt, o nascimento de 46 leitões representa um feito sem precedentes e merece atenção não apenas pelo número alcançado, mas também pelo que revela sobre o potencial reprodutivo dos animais. “É um recorde mundial. Até agora, nós não temos na literatura partos tão numerosos assim e, sem dúvida, esse é o melhor número mundial até agora. Um parabéns por esse importante número”, afirma.
Matriz surpreende granja ao dar à luz a 46 leitões. Vídeo: Granja Cotia
Leitegada recorde desafia parâmetros da prolificidade suína
Para dimensionar a magnitude do caso, Brandt lembra que os indicadores produtivos da suinocultura brasileira estão muito distantes desse resultado. Atualmente, os dados do setor apontam médias de aproximadamente 14 leitões nascidos por parto e cerca de 39 leitões desmamados por fêmea ao ano. “Quando olhamos para os números da suinocultura brasileira, estamos falando de uma média de 14 leitões nascidos. Portanto, 46 leitões representam praticamente três vezes esse resultado”, observa.
Matriz surpreende granja ao dar à luz a 46 leitões. Foto: Granja Cotia
Embora o número final de leitões tenha surpreendido a todos, havia indícios de que aquela matriz apresentava características diferentes das demais nos últimos dias de gestação.
Confira o depoimento exclusivo do produtor João Antônio à suínoBrasil:
“Foi visto que essa fêmea estava diferente das outras. Ela apresentava mais barriga, mais corpo, dependendo do volume de leitões ela até sela um pouco. A gente percebeu isso quando começou a preparar esse lote de fêmeas para a maternidade”, conta João Antônio.
Matriz que pariu 46 leitões na Granja Cotia. Foto: Granja Cotia
O consultor ressalta que a busca por maior prolificidade tem sido um dos principais temas debatidos nos congressos e fóruns técnicos da suinocultura mundial, mas também destaca que tais acontecimentos devem ser analisados de maneira técnica e responsável, observando fatores envolvidos no processo produtivo. Da mesma forma que as granjas investigam as causas de problemas sanitários ou produtivos, episódios extraordinários também exigem avaliação detalhada para compreender quais elementos contribuíram para o resultado.
“A hiperprolificidade acontece quando tudo dá certo. Quando temos problemas, fazemos diagnósticos para encontrar a causa raiz. Quando temos um fato muito bom, também é importante analisar como um todo. Eu sempre digo que esse é um ponto fora da curva onde tudo deu certo”, pontuou Brandt.
Genética, manejo e nutrição como pilares por trás da hiperprolificidade
Embora o nascimento de 46 leitões seja considerado um acontecimento extraordinário, Guilherme Brandt ressalta que resultados dessa magnitude não podem ser atribuídos a um único fator. Segundo o consultor, a hiperprolificidade observada nesse caso é consequência de uma combinação de genética, manejo, nutrição, sanidade e gestão eficiente da granja. Na avaliação do especialista, o primeiro aspecto a ser considerado é o histórico genético da matriz. A fêmea já havia demonstrado desempenho reprodutivo satisfatório nos ciclos anteriores, o que justificou sua permanência no plantel.
“É uma fêmea de quarto parto. Ela não só foi muito bem escolhida geneticamente, como também teve um histórico de bons nascimentos nos três partos anteriores. O fato de ter sido mantida na granja até o quarto parto mostra uma boa estratégia de retenção de matrizes, algo muito importante para a produtividade dos sistemas”, explica.
Brandt destaca ainda que a eficiência reprodutiva dos suínos depende de diferentes etapas biológicas. “A fêmea, normalmente, libera muitos óvulos e a taxa de fertilização costuma ser muito boa. O grande desafio está nas perdas embrionárias e fetais. Neste caso, os números mostram que essas perdas foram mínimas ou inexistentes, o que contribuiu diretamente para este resultado”, afirma Guilherme.
O consultor também chama atenção para a participação do reprodutor no processo. Segundo ele, a qualidade do sêmen e os cuidados adotados desde a coleta até a inseminação influenciam diretamente nos índices reprodutivos.
“No lado do macho, temos toda uma cadeia que envolve coleta, preparo, envase, transporte e conservação das doses de sêmen. Certamente, todas essas etapas foram executadas com elevado padrão de qualidade”, observa.
Além da genética, Brandt destaca o papel da nutrição durante toda a gestação. Para ele, a qualidade das matérias-primas utilizadas na fabricação das rações e o fornecimento adequado dos nutrientes são fatores indispensáveis para o desenvolvimento fetal.
O desafio de transformar quantidade em rentabilidade
Apesar do caráter extraordinário do caso, Brandt ressalta que a suinocultura moderna precisa olhar além dos números absolutos. Segundo ele, a busca por leitegadas cada vez maiores deve caminhar junto com a viabilidade produtiva e econômica dos animais.
“O outro ponto, que também é interessante, é o equilíbrio econômico. Nós não produzimos leitões apenas pelo número de leitões. Temos um acompanhamento histórico de 18 anos na Agriness que mostra uma redução de cerca de 100 gramas no peso individual dos leitões desde 2008. As leitegadas estão mais numerosas, pesam mais no conjunto, mas individualmente tivemos uma redução do peso dos leitões”, explica.
Na avaliação de Guilherme, esse cenário exige atenção do setor, uma vez que o sucesso produtivo não está apenas na quantidade de leitões nascidos, mas na capacidade de transformá-los em animais uniformes e com bom desempenho ao longo de todo o ciclo produtivo.
“Mais do que a quantidade de leitões, nós precisamos da viabilidade e da uniformidade do produto final, sendo esse produto final um animal muito bem terminado, para que o valor econômico seja coletado na sua essência”, conclui.
Quando a dedicação encontra a resposta da natureza
Segundo o produtor, o manejo foi intensificado logo após o nascimento, com acompanhamento constante das mamadas e transferência de parte dos leitões para outras matrizes.
“Se manejou as mamadas de colostro dos leitões. Tem que manejar. Prende um lote e deixa o outro mamando, para todos eles mamarem colostro. É o futuro deles, a saúde deles é o colostro”, relatou.
Confira o depoimento exclusivo do produtor João Antônio à suínoBrasil:
Para assegurar que todos recebessem a primeira alimentação, os leitões foram identificados por números e submetidos a um sistema de rodízio nas mamadas, prática que posteriormente será complementada pela definição de matrizes que atuarão como “mães de leite.”
Além do número expressivo de leitões nascidos, outro aspecto que tem chamado a atenção da equipe é a recuperação da matriz após o parto. Segundo João Antônio, a fêmea vem apresentando uma evolução considerada surpreendente, sem intercorrências clínicas e com bom desempenho na amamentação.
Confira o depoimento exclusivo do produtor João Antônio à suínoBrasil:
“A recuperação da fêmea está surpreendendo a gente. Não teve febre em nenhum dia, está tranquila, tem 16 tetas e está amamentando 16 leitões. Eles estão ótimos. É tudo muito surpreendente. É só gratidão mesmo, satisfação de ver o potencial da natureza”, relata o produtor.
Matriz surpreende granja ao dar à luz a 46 leitões. Foto: Granja Cotia
Ao refletir sobre o significado do acontecimento, João Antônio demonstra emoção e atribui o resultado ao trabalho construído ao longo de anos na atividade. Para ele, o nascimento dos 46 leitões representa uma recompensa por toda a dedicação investida na produção.
Confira o depoimento exclusivo do produtor João Antônio à suínoBrasil:
“É até difícil falar. Significa gratidão, agradecer tudo o que nossos pais nos ensinaram. Produzir é gratidão. É uma satisfação imensa ver que a natureza reconhece tudo aquilo que a gente dedica e empenha para produzir melhor, com qualidade e sustentabilidade”, afirma.
Embora o caso possa representar um marco para a suinocultura, o produtor ainda avalia a possibilidade de buscar um reconhecimento oficial.
