A sobreoferta de carne suína no mercado doméstico, que tem castigado o produtor independente desde o início do ano, fez com que os preços do suíno vivo e das carcaças despencassem de forma contínua, chegando a uma situação inusitada no mês de setembro com a cotação da carcaça de frango no atacado superando o preço da carcaça suína (gráfico 1).
Porém, se analisarmos os movimentos do mercado nos últimos dias (gráfico 2), há um sinal de reação nas cotações do suíno vivo e da carcaça, que, embora ainda tímido parece consistente, visto que não ocorre na primeira semana do mês, quando a entrada dos salários aumenta a procura. Esta reação pode estar relacionada com a proximidade do último trimestre, época em que tradicionalmente a demanda aumenta. Não só os preços praticados, mas também as principais bolsas estaduais apresentaram reação nos valores de referência estabelecidos para a semana de 21 de setembro.
Se por um lado o preço do suíno apresenta viés de alta, por outro o preço dos principais insumos, milho e farelo de soja, também vêm subindo, com o milho chegando a 70 reais a saca de 60kg em Campinas (SP), e o farelo de soja ultrapassando os 2 mil reais por tonelada em estados produtores deste insumo (gráficos 3 e 4).
Mas afinal, mesmo com safra recorde de milho e soja no Brasil na temporada 2025/26 e com estoques relativamente seguros destes grãos, por que esta alta observada nos últimos meses? A resposta está muito mais no futuro do que no presente.
A expectativa de El Niño extremo para a safra 2026/27, além do nível de endividamento dos agricultores brasileiros, têm “antecipado uma precificação” para a próxima temporada. Por este motivo, qualquer movimento (alta ou baixa) das cotações dos grãos e seus derivados pode ocorrer nos próximos meses, dependendo do clima e do estabelecimento da safra brasileira. Ainda tem a colheita da safra estadunidense, recém iniciada, e que pode trazer mais ou menos pressão nos preços internacionais destas commodities no curtíssimo prazo.
A consequência deste cenário de encarecimento dos principais insumos da atividade suinícola é o prejuízo contabilizado desde o início do ano pelos suinocultores independentes (tabela 1), prejuízo este que hoje já beira os 2 reais por quilograma produzido em algumas praças.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com oferta elevada de carne suína a crise do setor se prolonga e mostra situações inusitadas, como o fato de o frango estar mais caro do que o suíno no atacado.
“Para agravar a situação dos suinocultores, os principais insumos da atividade têm encarecido significativamente nos últimos meses, aumentando ainda mais o prejuízo da atividade. O que pode amenizar a crise nos próximos meses é a maior demanda de fim de ano e parece que ela já se manifesta alguns dias antes de entrarmos no último trimestre”, conclui.
Fonte: Assessoria ABCS.
