Ícone do site suino Brasil, informações suino

Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença

Mycoplasma compromete desempenho respiratório, reduz ganho de peso e exige controle sanitário rigoroso nas granjas.

Mycoplasma compromete desempenho respiratório, reduz ganho de peso e exige controle sanitário rigoroso nas granjas.

Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença

Por Cândida P. F. Azevedo – Coordenadora Técnica suínoBrasil

 

Técnico: Bom dia! Essa preocupação é totalmente válida. 

O Mycoplasma hyopneumoniae é o agente causador da pneumonia enzoótica suína, uma doença respiratória crônica que, apesar de não ter alta taxa de mortalidade, provoca impactos econômicos expressivos. 

O problema maior é que ela compromete o desempenho dos animais — principalmente ganho de peso e conversão alimentar — além de abrir caminho para infecções secundárias.

Técnico: O Mycoplasma hyopneumoniae adere às células epiteliais do trato respiratório e causa um processo inflamatório persistente. Essa lesão reduz a eficiência do sistema mucociliar, que é responsável por eliminar partículas e agentes infecciosos. 

Com essa defesa comprometida, outras bactérias e vírus respiratórios encontram um ambiente favorável para se instalar, agravando o quadro clínico.

Técnico: Exatamente. O Mycoplasma sozinho já prejudica bastante, mas a combinação com outros agentes — como Pasteurella multocida, Actinobacillus pleuropneumoniae, influenza suína, entre outros — aumenta muito a gravidade da doença.

 É uma porta de entrada para o chamado “complexo respiratório suíno”, que eleva custos e reduz produtividade.

Técnico: Normalmente, você vê tosse seca, principalmente quando os animais se movimentam ou durante o manejo. Essa tosse pode persistir por semanas. Além disso, há queda no desempenho: 

Animais infectados também apresentam maior variabilidade de lotes e aumento na taxa de refugos.

Técnico: Sim, mesmo com mortalidade baixa, o impacto econômico é significativo. 

Estudos mostram que o Mycoplasma hyopneumoniae pode reduzir o ganho de peso em até 16% e aumentar a conversão alimentar em até 10%, dependendo do nível de desafio. Isso representa mais dias de alojamento, mais ração por animal e menor eficiência geral da granja. Quando somamos isso ao uso de antimicrobianos para controle de infecções secundárias, o prejuízo financeiro é bem maior.

Técnico: O principal risco é a introdução por meio de animais infectados, especialmente matrizes de reposição. 

A transmissão ocorre principalmente por contato direto entre suínos, especialmente de matrizes para leitões durante o período de maternidade. 

A disseminação aérea pode ocorrer em curtas distâncias entre granjas próximas. Além disso, falhas de biosseguridade favorecem a manutenção e circulação do agente dentro das instalações. 

Técnico: Sim. Por ser uma bactéria que se instala profundamente no trato respiratório e causa infecção crônica, a eliminação é difícil. 

A circulação dentro da granja pode se perpetuar por meses ou anos, especialmente se houver falhas nos protocolos de manejo, fluxo contínuo e mistura frequente de leitos. Por isso, um programa de controle efetivo é essencial.

Técnico: A vacinação é uma ferramenta muito importante, mas não é suficiente sozinha. Ela ajuda a reduzir os sinais clínicos e as lesões pulmonares, mas não impede totalmente a infecção. O controle efetivo exige uma combinação de estratégias:

 

Técnico: O risco é considerável. Leitões podem ser infectados pelas matrizes ainda na maternidade. Animais infectados precocemente tendem a apresentar quadros mais severos no crescimento e terminação. Além disso, leitões já infectados carregam a bactéria por longos períodos, se tornando fontes de transmissão entre lotes.

Técnico: O primeiro passo é não introduzir o agente. Isso significa adquirir reprodutores de fornecedores com certificação sanitária e histórico de status negativo para Mycoplasma hyopneumoniae

Depois, é essencial manter um programa rígido de quarentena, com tempo suficiente para detecção de infecções, quando presente.

A partir daí, adota-se um conjunto de ações:

  1. Treinamento de equipe para reforçar práticas de biosseguridade.
  2. Controle de veículos e equipamentos, evitando entrada de materiais contaminados.
  3. Limpeza e desinfecção eficiente de instalações.
  4. Monitoramento constante, usando sorologia, PCR ou avaliação de lesões pulmonares no abate.

Técnico: Com certeza. Existem programas de estabilização e até erradicação, dependendo do nível de desafio e da estrutura da granja. Entre as estratégias mais utilizadas estão:

Esses programas exigem planejamento detalhado e acompanhamento técnico constante.

Técnico: Sem dúvida. Granjas negativas para Mycoplasma hyopneumoniae apresentam melhores índices zootécnicos, menores custos com medicamentos e maior uniformidade de lotes. Além disso, o status negativo facilita o cumprimento de protocolos sanitários exigidos por frigoríficos e programas de bem-estar animal.

Técnico: Exatamente. Manter a granja livre dessa bactéria é uma estratégia de longo prazo que impacta diretamente o desempenho, o bem-estar dos animais e a sustentabilidade econômica da atividade.

Sair da versão mobile