Ícone do site suino Brasil, informações suino

Ração eficiente começa na matéria-prima: o papel estratégico dos grãos

Ração eficiente começa na matéria-prima: o papel estratégico dos grãos

Produtor: Bom dia! Tenho ouvido muito falar sobre controle de qualidade dos grãos usados na ração, mas confesso que, na prática, ainda vejo isso como algo distante da rotina da granja. Afinal, por que esse tema é tão importante para a produção de suínos?

Técnico: Bom dia! Essa é uma dúvida comum. O controle de qualidade dos grãos é fundamental porque eles representam a maior parte da ração e, consequentemente, do custo de produção.

Mais do que custo, estamos falando de desempenho zootécnico, sanidade, bem-estar animal e até segurança alimentar. Um grão de baixa qualidade pode comprometer todo o sistema produtivo.

Produtor: Quando falamos em “qualidade do grão”, o que exatamente devemos observar?

Técnico: Qualidade envolve vários aspectos. Começa pela qualidade nutricional, como teor de energia, proteína e digestibilidade. Mas também inclui fatores físicos, como grãos quebrados, impurezas e umidade, e fatores sanitários, principalmente a presença de fungos e micotoxinas. Todos esses pontos impactam diretamente o consumo de ração e o desempenho dos suínos.

Produtor: Vamos por partes. Em relação à nutrição, como a qualidade do grão interfere no desempenho dos animais?

Técnico: Grãos mal armazenados ou colhidos fora do ponto ideal podem perder valor nutricional. Um milho com menor densidade energética, por exemplo, reduz o ganho de peso diário dos suínos ou aumenta a conversão alimentar. Na prática, o produtor acaba gastando mais ração para produzir o mesmo quilo de carne.

Produtor: E quanto aos aspectos físicos, como grãos quebrados ou impurezas, isso realmente faz tanta diferença?

Técnico: Faz sim. Impurezas como palha, terra e sementes de plantas daninhas diluem o valor nutricional da ração.

Já os grãos quebrados aumentam a superfície de contato, facilitando o crescimento de fungos durante o armazenamento.

Além disso, eles prejudicam a moagem e a homogeneidade da ração, o que afeta o consumo uniforme pelos animais.

Produtor: Você mencionou fungos e micotoxinas. Esse é um assunto que preocupa bastante. Qual é o real risco para a suinocultura?

Técnico: É um dos maiores riscos. As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos que se desenvolvem nos grãos, tanto no campo quanto no armazenamento. Mesmo em baixas concentrações, elas podem causar redução de consumo, queda de ganho de peso, problemas reprodutivos, imunossupressão e aumento da mortalidade.

Muitas vezes, o produtor não percebe de imediato, mas os prejuízos vão se acumulando.

Produtor: Então o problema não é só quando o grão está visivelmente mofado?

Técnico: Exatamente. Esse é um erro comum.

Grãos aparentemente normais podem conter micotoxinas, que não alteram cor, cheiro ou sabor de forma perceptível. Por isso, o controle de qualidade não pode ser apenas visual; ele precisa incluir análises laboratoriais e manejo adequado desde a compra até o armazenamento.

Produtor: Falando em compra, o controle de qualidade começa já na aquisição dos grãos?

Técnico: Sem dúvida. O ideal é trabalhar com fornecedores confiáveis, exigir laudos de qualidade e estabelecer padrões mínimos de umidade, impurezas e contaminação.

Quando possível, fazer uma análise de amostras antes de fechar grandes volumes de compra ajuda a evitar problemas futuros.

Produtor: E no armazenamento dentro da propriedade, quais cuidados são essenciais?

Técnico: O armazenamento é um ponto crítico. É preciso controlar:

Grãos úmidos e quentes são o ambiente perfeito para fungos. Além disso, o sistema “todos dentro, todos fora (all in, all out)” ajuda a evitar que grãos fiquem armazenados por tempo excessivo.

Produtor: Muitos produtores usam aditivos, como sequestrantes de micotoxinas. Isso substitui o controle de qualidade?

Técnico: Não substitui, apenas complementa. Os sequestrantes são ferramentas importantes, principalmente em regiões com maior risco de contaminação, mas eles não resolvem um problema grave de qualidade do grão.

Se a matéria-prima estiver muito comprometida, nem o melhor aditivo consegue neutralizar todos os efeitos negativos.

Produtor: Existe diferença na importância do controle de qualidade conforme a fase de produção dos suínos?

Técnico: Sim.

Leitões na fase inicial são muito mais sensíveis a variações nutricionais e à presença de micotoxinas.

Matrizes também merecem atenção especial, pois grãos de baixa qualidade podem afetar fertilidade, taxa de parto e vitalidade dos leitões.

Já na terminação, o impacto aparece mais claramente na conversão alimentar e no tempo até o abate.

Produtor: Do ponto de vista econômico, como justificar o investimento em controle de qualidade?

Técnico: O controle de qualidade deve ser visto como investimento, não custo. Quando o produtor reduz perdas, melhora a conversão alimentar, diminui problemas sanitários e aumenta a uniformidade do lote, o retorno é claro.

Muitas vezes, um pequeno gasto com análises e manejo evita prejuízos muito maiores ao longo do ciclo produtivo.

Produtor: Para quem está começando ou quer melhorar esse processo, por onde você recomenda iniciar?

Técnico: O primeiro passo é a conscientização: entender que a qualidade do grão é estratégica. Depois, estabelecer rotinas simples, como:

Contar com apoio técnico também faz muita diferença para interpretar resultados e tomar decisões corretas.

Produtor: Muito obrigado! São muitas informações para considerar e aplicar na rotina da granja!

Técnico: A principal mensagem é que a ração começa no grão. Não adianta investir em genética, sanidade e manejo se a base alimentar não tiver qualidade.

 

Sair da versão mobile