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Redução do efeito estrogênico da Zearalenona em suínos por um aditivo anti-micotoxina

Zearalenona

A contaminação de rações com Zearalenona (ZEA), uma micotoxina estrogêniomimética, é conhecida há muito tempo e causa consideráveis falhas reprodutivas em suínos, considerado o animal de criação mais sensível (Zinedine et al. 2007; Lawley et al. 2008).

Os principais efeitos da Zearalenona dependem de sua interação com os receptores estrogênicos, resultando em hiperestrogenismo aparente, incluindo redução da fertilidade (Anonym 2004).

É geralmente acordado que os suínos devem ser protegidos contra os efeitos adversos das micotoxinas. Os mais variados métodos de proteção foram descritos por muitos autores (Rafai 1999; Halász et al. 2009), dentre os quais, o uso de enzimas para biotransformação/biodegradação das micotoxinas é a ferramenta mais recente neste contexto (Heidler e Schatzmayr 2003).

Detoxa Plus® foi especialmente desenvolvido para a decomposição enzimática de micotoxinas em rações para animais, através de seus componentes ativos. As etapas de desintoxicação foram descritas por Bata e Lásztity (1999).

O objetivo do presente estudo foi testar a eficiência do aditivo anti-micotoxina citado acima na redução dos supostos efeitos negativos da Zearalenona purificada em suínos.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Um total de 60 porcas de 6 semanas de idade desmamadas aos 30 ± 2 dias de idade foram selecionadas de 20 leitegadas e alocadas com base no peso e conformação em 6 grupos de 10 animais e criadas até 90 dias de idade com uma ração inicial comercialmente disponível. No estabelecimento dos grupos, houve o cuidado de evitar a alocação de irmãs da mesma leitegada no mesmo grupo. O peso médio das leitoas ao desmame foi de 8,4 ± 0,3 kg.

Durante os 50-70 dias de idade (período experimental de 20 dias), quatro grupos de porcas foram tratadas com Zearalenona purificada, dissolvida em propilenoglicol na concentração de 1 mg/ml e administrada em dias alternados às 9h da manhã, via sonda esofágica, na dose de 8mg/porca (grupos 3 e 4) e de 16 mg/porca (grupos 5 e 6).

Utilizou-se o delineamento em blocos ao acaso (DBC) e delineamento inteiramente casualizado (DIC), onde os grupos foram constituídos por:

Nos dias 10 e 20 do período experimental e no final do período terminal, 3, 4 e 3 porcas de cada grupo, respectivamente, foram sacrificadas para exame patológico. Todas as porcas foram clinicamente inspecionadas e, após atordoamento elétrico, sangradas.

O peso das porcas e o peso do útero e ovários foram medidos com balanças eletrônicas com precisão de 10 e 0,01g, respectivamente. Paralelamente ao exame patológico macroscópico detalhado foram colhidas amostras de:

Os efeitos do tratamento com ZEA nos órgãos genitais internos foram estudados pelo estágio de desenvolvimento folicular nos ovários, pelo estado da camada glandular do endométrio e pelo grau de proliferação do epitélio estratificado na vagina.

O estágio de hiperplasia dos corpos de Malpighi no baço e transformação blástica de linfócitos em centros germinativos de linfonodos foram indicativos dos efeitos da ZEA.

Durante a necropsia, as amostras de fígado foram retiradas de cada porca e utilizadas para determinação de ZEA e seus metabólitos (α- e β-Zearalenol) pelo método descrito por Bata et al. (1989).

Para a análise das diferenças no peso corporal, peso dos ovários e útero e números de pontuação dos ovários, útero, vagina, baço e linfonodos nos grupos, foi aplicada a de uma via.

A análise Post-Hoc foi feita para todas as comparações possíveis. Por causa de comparações múltiplas, os valores P brutos foram ajustados por Método Bonferroni.

Quanto ao estudo dos efeitos de ZEA e uso paralelo de Detoxa Plus® na concentração de ZEA/metabólito de amostras de fígado, o teste de soma de classificação de Wilcoxon Mann-Whitney foi aplicado para comparar os pares de grupos (grupo 3 e 4; grupo 5 e 6). O cálculo do valor-P foi baseado na reamostragem de Monte-Carlo; resultados com P < 0,05 foram considerados significativos.

 

RESULTADOS

No momento da sangria, o peso, tamanho e conformação dos suínos foram caracterizados por a raça, idade e sexo (Tabela 1).

Tabela 1 – Desenho experimental e peso vivo dos suínos

 

A análise estatística não revelou diferenças significativas (P>0,05) entre o peso dos grupos atribuíveis aos tratamentos.

O ganho de peso diário para os diferentes períodos do experimento também foi calculado e não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos (P>0,05).

Pode ser observado na Tabela 2 que o tratamento com ZEA não teve efeito nos ovários após 10 dias de tratamento (60 dias de idade) (P>0,05). No entanto, 10 dias depois, os ovários das porcas tratadas com uma dose 16mg/porca de ZEA apresentaram um peso significativamente superior (P<0,05).

Tabela 2 – Peso dos ovários e útero das porcas em diferentes fases do experimento após tratamento com zearalenona.

O aditivo anti-micotoxina manteve os pesos ovarianos no nível dos grupos controle.

Aos 90 dias de idade, o peso médio dos ovários das porcas dos grupos 3 e 5 aumentaram significativamente (P<0,05) em relação aos grupos controle. Esses aumentos de peso foram eficientemente evitados pela incorporação do aditivo anti-micotoxina na dieta dos grupos 4 e 6.

Isso se aplica ao peso do útero. Embora nenhum efeito do tratamento com ZEA tenha sido observado em nenhum dos grupos no dia 60, o tratamento com ZEA produziu aumento considerável de peso do útero nos dias 70 e 90.

As porcas dos grupos 3 e 5 apresentavam a vulva levemente aumentada, avermelhada e púrpura. Os sinais foram mais expressos na dose mais alta. O tratamento com toxina na dose mais alta aumentou o desenvolvimento de folículos ovarianos (P <0,05). A suplementação da ração com Detoxa Plus® diminuiu esse efeito.

A maior dose de ZEA teve efeitos proliferativos nas camadas glandulares uterinas (2,50 ± 0,58 x. 1,75 ± 0,95; P ≤ 0,05) e o aditivo alimentar diminuiu esse efeito. Na dose menor de ZEA, o suplemento alimentar reduziu os efeitos negativos de ZEA (2 ± 0,82 x. 1 ± 00; P ≤ 0,05).

Tabela 3 – Resultados do exame histopatológico de suínos após tratamento com zearalenona. Os dados são expressos como média das pontuações ± desvio padrão a, b – a diferença dentro da linha é significativa em P ≤ 0,05

A dose de 8mg/porca de ZEA não apresentou efeito sobre a proliferação do epitélio estratificado da vagina (P>0,05). Porém, a dose de 16mg/porca de ZEA engrossou significativamente essa camada (P < 0,05).

A suplementação das dietas com o Detoxa Plus® reduziu a proliferação da camada de epitélio estratificado da vagina (P<0,05). Os corpos de Malpighi no baço reagiram ao tratamento com ZEA com hiperplasia. O efeito foi observado na dose menor, que não foi aumentada pela duplicação da dose da toxina.

A Tabela 4 resume a concentração (mg/kg ± SD) de ZEA e seus metabólitos (α- e β-Zearalenol) das amostras de fígado. Nenhum metabólito de ZEA foi encontrado no fígado dos dois grupos controle.

Tabela 4 – Teor de zearalenona e metabólito de zearalenona (α- e β-zearalenona) no fígado de porcas (mg/kg ± SD) no dia 20 após o tratamento com zearalenona.

As diferenças foram observadas no dia 10 do tratamento e no dia 20 após o término do tratamento com toxina entre as médias das concentrações de ZEA/metabólito no fígado dos grupos 3 e 4 (P<0,05) e entre os grupos 5 e 6 (P<0,05).

Os fígados das porcas sacrificadas no dia 20, do tratamento com a toxina, apresentaram concentrações mais altas de ZEA/metabólito nos grupos 3 e 5 em comparação com os grupos 4 e 6, respectivamente, e as diferenças entre os grupos 3 e 4 e 5 e 6 foram significativos (P < 0,05).

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

O peso dos ovários e útero das porcas do grupo controle não tratado e controle positivo (grupos 1 e 2, respectivamente) foram comparáveis aos descritos por Stephan et al. (2007). O aumento de peso encontrado neste estudo nos dias 70 e 90, respectivamente, foi comparável com observações anteriores (por exemplo, Friend et al. 1990).

Ványi et al. (1994) trataram marrãs e porcas com Zearalenona e encontraram ovários aumentados com sinais de maturação folicular, proliferação glandular no endométrio e proliferação epitelial na vagina, além de edema e hiperemia. A descoberta deles corrobora com os resultados aqui encontrados.

Em resumo, pode-se concluir que o tratamento de suínos com ZEA provocou alterações características nos órgãos genitais. A suplementação da ração com o aditivo Detoxa Plus® reduziu os efeitos indesejáveis da Zearalenona.

Os efeitos positivos do aditivo incluíram a prevenção do aumento ovariano e uterino, efeitos benéficos nos escores histopatológicos dos ovários, útero e vagina. A concentração reduzida de ZEA e seus metabólitos no fígado de suínos alimentados com rações suplementadas com o aditivo evidenciaram a eficiência do Detoxa Plus®.

 

Referências bibliográficas
Sob consulta dos autores.

 

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