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Salmonella não precisa “chegar” à granja para começar a custar caro

A estrutura do estúdio Conexão Nucleovet, montado no 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) em parceria com a agriNewsBrasil, foi espaço para aprofundar um dos desafios sanitários que continuam exigindo atenção da suinocultura. Em entrevista exclusiva, Amanda Daniel, coordenadora técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal, explicou por que a Salmonella pode permanecer silenciosa na granja e quais sinais indicam que o equilíbrio sanitário começa a ser perdido.

A “cicatriz” de cada granja

Segundo Amanda, a prevalência de Salmonella na produção brasileira torna o controle um desafio permanente. Para ela, muitas granjas carregam uma espécie de “cicatriz”, na qual agentes já estão presentes e aguardam condições favoráveis para se multiplicar.

Falhas em limpeza e desinfecção, vazio sanitário, fluxo de produção, lotação e ambiência podem aumentar gradualmente a pressão de infecção. Com maior concentração dos agentes no ambiente e animais submetidos a fatores de estresse, quadros clínicos podem aparecer.

“Cada granja já tem a sua própria cicatriz. Muitas vezes os agentes já estão lá e estão só esperando para aparecer”, explicou.

Os sinais que aparecem antes do surto

A identificação precoce é fundamental para evitar que o problema avance. Entre os primeiros sinais estão alterações de desempenho e aumento da conversão alimentar. Dependendo do agente envolvido, a evolução pode ser mais rápida, com aumento expressivo da mortalidade e até mortes súbitas.

Amanda destacou ainda que a entrada de animais é um ponto importante de atenção, especialmente para Salmonella Choleraesuis. Nesse contexto, a quarentena pode exercer papel relevante na prevenção da introdução do patógeno.

Controle não depende de uma única ferramenta

Para a especialista, a maior fragilidade dos programas sanitários não está necessariamente no desenho da estratégia, mas na capacidade de executar todas as medidas de forma integrada.

Fluxo de produção, vazio sanitário, mão de obra, higiene, biosseguridade e vacinação precisam funcionar em conjunto. A chamada prevenção inespecífica, segundo Amanda, contribui para fortalecer o sistema de controle diante de diferentes agentes. A vacinação, portanto, deve ser entendida como parte de um programa mais amplo, e não como substituta das medidas de higiene e biosseguridade.

ROI também precisa considerar a mortalidade acumulada

Durante a entrevista, Amanda apresentou um resultado obtido com o uso da PORCILIS® LAWSONIA ID . O estudo citado registrou redução da mortalidade de aproximadamente 5,6% para 2,9% após dois meses de utilização, com retorno calculado de R$ 7,96 para cada R$ 1 investido.

A especialista ressalvou, porém, que o ROI (Retorno sobre o Investimento) não deve ser analisado de forma isolada, já que cada animal perdido representa uma perda que se acumula ao longo das etapas seguintes.

“Não podemos baixar a guarda na limpeza e desinfecção, porque é um controle integrado. A utilização dessas ferramentas em conjunto vai me gerar o benefício”, reforçou Amanda.

Em um cenário de pressão sobre custos e margens, a mensagem é direta: manter a prevenção ativa pode representar uma forma de proteger o desempenho e evitar que perdas sanitárias se acumulem ao longo do ciclo produtivo.

Entrevista completa

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