Mhyo: Sanidade ganha força na competitividade da suinocultura
A sanidade vem assumindo um papel cada vez mais estratégico na competitividade dos sistemas de produção de suínos. Essa foi a principal mensagem do Health Summit Agroceres PIC 2026, que reuniu cerca de 100 dirigentes, gestores, especialistas e profissionais envolvidos nas principais decisões técnicas e produtivas da suinocultura.
Realizado em Foz do Iguaçu, o encontro discutiu durante dois dias como um status sanitário mais elevado pode contribuir para melhorar o desempenho, proteger os investimentos realizados ao longo da produção e ampliar a eficiência dos sistemas. A eliminação de Mycoplasma hyopneumoniae (Mhyo), um dos principais agentes respiratórios de impacto econômico na produção suína, esteve no centro das discussões.
Para o médico veterinário Jean Paul Cano, da Soluciones Integrales Veterinarias, as transformações e exigências da produção mundial colocam a saúde animal em uma posição diferente daquela ocupada no passado. Custos, disponibilidade de mão de obra, sustentabilidade, bem-estar animal, segurança dos alimentos e redução do uso de antimicrobianos aumentam a pressão por sistemas mais eficientes.
“Produzir com alta sanidade já não é uma condição reservada a mercados de nicho. Hoje, ela faz parte da capacidade de produzir de maneira competitiva”, afirmou Cano.
Uma estratégia construída ao longo do tempo
Para a Agroceres PIC, essa discussão se conecta diretamente à sua atividade. Entregar animais de elevado valor genético sempre exigiu rigor sanitário. Há cerca de dez anos, porém, a empresa identificou que essa exigência ganharia uma nova dimensão e passou a ampliar estruturas, processos de monitoramento e medidas de biossegurança para sustentar um padrão sanitário cada vez mais elevado em sua rede e para seus clientes.
Segundo Gustavo Simão, gerente de Serviços Veterinários da Agroceres PIC, o trabalho envolve identificar e administrar os riscos associados a cada operação, desde a entrada de animais e quarentenas até embarques, materiais, suprimentos e circulação de pessoas.
Atualmente, toda a rede de multiplicadores e Unidades de Disseminação de Genes (UDGs), além das operações de importação e exportação, é submetida a monitoramento clínico e amostragens para agentes de interesse econômico e oficial.
O valor dessa condição sanitária também aparece nos resultados. Em três sistemas comerciais avaliados pela Agroceres PIC, fluxos negativos para Mhyo apresentaram vantagens produtivas e econômicas que representaram, nas condições analisadas, benefício estimado de R$ 25,85 por animal terminado. Em diferentes cenários de custo para programas de eliminação, o prazo calculado para recuperação do investimento variou de 3,3 a 4,8 meses.
“A sanidade tem muito a entregar ao produtor”, resume Simão.
O valor econômico de mudar o status sanitário
Parte desse valor pode ser medido diretamente no desempenho dos animais. Paul Yeske, médico veterinário do Swine Vet Center, apresentou resultados acumulados em programas de controle e eliminação de Mhyo.
Dados apresentados pelo especialista mostraram ganho diário de peso de 0,867 kg em fluxos negativos, frente a 0,812 kg nos positivos. A conversão alimentar foi de 2,60 contra 2,77 e a mortalidade, de 2,5% ante 4,1%. Yeske também relatou redução no uso de antibióticos.
Nos modelos econômicos apresentados durante o evento, um dos cenários indicou retorno estimado de sete para um para o investimento na eliminação de Mhyo.
“No fim, tudo continua sendo sobre o desempenho do animal”, afirmou Yeske.
Da decisão à execução
Os resultados econômicos, entretanto, representam apenas uma parte da decisão. A eliminação de Mhyo exige preparar o sistema para executar e sustentar a mudança de status sanitário.
Thiago Freitas, supervisor de Serviços Veterinários da Agroceres PIC, mostrou que esse processo começa muito antes do chamado Dia Zero. Localização da propriedade, biossegurança, estrutura, composição do plantel, pessoas e logística precisam ser avaliados antes da primeira intervenção.
O planejamento inclui mapear propriedades próximas e possíveis conexões epidemiológicas, avaliar riscos de transmissão, revisar barreiras sanitárias e preparar o plantel para o período de interrupção da entrada de animais. Estoque de leitoas, instalações, coberturas, descartes, reposição, medicamentos, capacidade laboratorial e logística de amostras também precisam ser dimensionados.
“Eliminar Mhyo não começa com o protocolo. Começa com uma avaliação criteriosa da propriedade, o alinhamento da equipe e a preparação do plantel. Quando o Dia Zero chega, a granja precisa estar pronta para executar o que foi planejado”, afirma Freitas.
A eliminação na prática
A experiência prática apresentada por Willian Valadares, sanitarista da Seara Alimentos, reforçou essa visão. Durante um programa de eliminação, o monitoramento foi utilizado não apenas para comprovar resultados ao final, mas para orientar a evolução do processo e as decisões tomadas em cada etapa.
O trabalho envolveu coletas em diferentes categorias, utilização de animais sentinelas, identificação de fragilidades de biossegurança, treinamentos, checklists, reuniões de alinhamento e revisão dos fluxos de caminhões, colaboradores, visitantes e retirada de mortalidade.
“Não existe execução desvinculada da realidade da granja. Estrutura, equipe, fluxos e condição sanitária precisam ser considerados para que o programa seja aplicado com efetividade do início ao fim”, afirma Valadares.
Ao reunir especialistas internacionais, profissionais da Agroceres PIC e experiências de sistemas produtivos brasileiros, o Health Summit colocou em uma mesma discussão sanidade, desempenho e retorno econômico.
“A mensagem que atravessou o encontro é que elevar o status sanitário não representa apenas proteger os animais contra doenças. Significa também criar condições para que os investimentos em genética, nutrição, instalações, manejo e gestão possam produzir todo o valor esperado no campo”, afirma Alexandre Rosa, diretor da Agroceres PIC.
Mhyo: Sanidade ganha força na competitividade da suinocultura
