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O próximo salto da suinocultura pode depender menos de novas tecnologias e mais de melhores decisões

O maior público da história do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS 2026) não chegou apenas para assistir a palestras. Chegou em busca de respostas. O resultado recorde do Simósio permite uma provocação construtiva quanto ao futuro da suinocultura que instiga à pergunta, como transformar conhecimento em resultados?

 Ao reunir mais de 2.600 participantes, o evento realizado pelo Nucleovet mostrou que, diante de margens apertadas, desafios sanitários, falta de mão de obra e crescente complexidade produtiva, conhecimento deixou de ser diferencial e passou a ser ferramenta de sobrevivência e eficiência.

A avaliação é de Aletéia Balestrin, presidente do Nucleovet, e Lucas Piroca, presidente da Comissão Científica do SBSS, que participaram do estúdio da agriNews e da suínoBrasil durante o evento.

O recorde que revela a pressão dentro das granjas

O SBSS vinha de 1.887 participantes em 2024 e de um recorde presencial de 2.194 em 2025. A expectativa para esta edição era chegar a 2.500 pessoas. O resultado superou a projeção. Para Aletéia, o crescimento está diretamente relacionado à necessidade de encontrar respostas para um setor que convive com ciclos e oscilações.

“Essa quantidade de público mostra que todo mundo está procurando uma solução”, afirmou.

Mais do que ampliar a programação, o desafio, segundo ela, é ouvir o campo e transformar suas necessidades em conteúdo científico capaz de responder aos problemas reais da produção.

Saúde respiratória mostrou que ainda há perguntas abertas

Entre os temas que ganharam força durante o simpósio, a saúde respiratória chamou atenção da Comissão Científica. Lucas destacou que um painel sanitário inteiro, com quatro ou cinco especialistas, ainda pareceu insuficiente diante da dimensão do assunto.

O episódio revela uma característica da suinocultura atual: alguns problemas já não cabem em uma única disciplina ou em uma resposta isolada.

Imunologia e microbioma também produziram apresentações ricas em informações, mas trouxeram outro desafio: transformar conceitos complexos em recomendações aplicáveis no dia a dia.

“São ainda temas que a gente tem que pegar e traduzir melhor para conseguir aplicar melhor no dia a dia do pessoal”, explicou Lucas.

O gargalo que tecnologia nenhuma resolve sozinha

Se existe um ponto que atravessou diferentes debates do SBSS, ele está fora dos equipamentos, das fórmulas e dos protocolos: as pessoas.

Aletéia aponta treinamento, capacitação, retenção e sucessão como limites importantes para o desempenho das propriedades. Lucas amplia a análise e alerta que gestão de pessoas não se resolve simplesmente com salário maior ou um treinamento pontual.

“A gente tem que realmente olhar de uma maneira holística”, destacou.

Nesse cenário, automação e tecnologia ganham espaço não para substituir pessoas, mas para retirar delas tarefas operacionais e liberar tempo para atividades que exigem análise, decisão e capacidade humana.

A pergunta que o produtor leva para casa

No encerramento, Lucas deixou uma provocação, o que você pode fazer de diferente e melhor amanhã? Aletéia levou a reflexão para outro ponto, valeu a pena parar três dias para estar no evento? As duas perguntas convergem para uma mesma questão: conhecimento só gera valor quando chega à operação.

Para o Nucleovet, essa é justamente a razão de existir.

“A principal missão do Nucleovet é a educação continuada”, afirmou Aletéia.

E o recado final talvez seja o mais direto: participar de um evento técnico não deveria terminar quando as portas se fecham. O verdadeiro retorno do simpósio começa quando o conhecimento volta para a granja e se transforma em uma decisão melhor.

SBSS 2026: Como tranformar conhecimento em resultado?

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