Ícone do site suino Brasil, informações suino

Transição das celas individuais para baias coletivas no Brasil

Transição das celas individuais para baias coletivas no Brasil

O papel de protagonista que o país tem na suinocultura mundial, ocupando a 4ª posição como produtor e a 3ª na exportação nos conecta com os principais mercados produtores e consumidores de carne suína.

A transição do sistema de celas individuais que predominava no país até poucos anos atrás para gestação coletiva é uma realidade deste pujante segmento do agronegócio, atualmente estima-se que cerca de 44,9% das matrizes no Brasil, estão sendo alojadas em baias coletivas durante a gestação (Figura 1).

A partir de agora, iremos dissertar sobre esse movimento que agrega mudanças estruturais e de manejo nas unidades produtivas atreladas pela busca da eficiência produtiva e econômica dos plantéis.

É importante destacar que tempos antes da publicação da Instrução Normativa Nº 113 em dezembro de 2020, algumas empresas na vanguarda desse movimento já estavam com seus planos de transição para gestação coletiva implantados, ou seja, embora a legislação tenha impulsionado esse movimento e estabelecido prazos finais para mudança no cenário nacional, companhias alinhadas com as exigências de mercado já tinham estabelecidos seus prazos de forma voluntária.

Qual é o período estabelecido para a gestação coletiva nos diferentes países?

União Europeia: A legislação europeia (Diretiva 2008/120/CE) limita em 28 dias de gestação o período que as matrizes podem ficar em celas individuais. Ou seja, a formação dos grupos de cobertura ocorre pós-implantação embrionária.

Brasil: A Instrução Normativa Nº113 de 2020 do MAPA (IN 113), limita em 35 dias a gestação em celas individuais, e estabelece 1º de janeiro de 2045 como prazo limite para que as granjas que estavam operando na data

Califórnia Este estado americano por meio da Proposição 12 em 2024, estabeleceu que matrizes acima de 6 meses de idade devem ser alojadas em baias coletivas durante toda a gestação com no mínimo 2,23 m2 de espaço útil.

Com todas estas mudanças em regulamentações e com a definição do Parlamento Europeu de banir gradativamente o uso de celas individuais em todas as fases e espécies de produção animal (End the age cage, 2021), as mudanças no Brasil são uma questão de tempo e não de clareza de caminho a ser seguido.

Sistema Cobre e solta

É um sistema onde as matrizes são transferidas para as baias de gestação logo após a última inseminação, e a formação dos grupos de cobertura ocorre pré-implantação embrionária, ideal transferir para baias até 72 horas após cobertura.

No Brasil muitas agroindústrias definiram o sistema cobre e solta como o sistema preferencial nos novos projetos, pois as matrizes permanecem praticamente toda a gestação em um ambiente coletivo, o que é um desejo de muitos stakeholders atuantes no mercado.

Para alojar as matrizes em gestação coletiva em substituição ao alojamento individual, o maior desafio produtivo é evitar a competição pelo alimento que é fornecido de forma restrita, somados ao fato que matrizes hiperprofílicas necessitam de maior controle individual do consumo de ração para maximizar o potencial produtivo e evitar os extremos de condição corporal (obesidade e magreza).

No alojamento individual este controle é relativamente fácil, mas no alojamento coletivo em decorrência da competição pelo alimento torna-se um desafio. Portanto, o sistema de alimentação adotado pela unidade terá impacto na competição pelo alimento, no Brasil as granjas adotam algum dos sistemas de alimentação citados a seguir:

A experiência nos diz que quanto mais tecnologia aplicada, maiores os custos de implantação, mas em contrapartida maiores potenciais produtivos e econômicos podem ser auferidos a longo prazo.

Em relação aos indicadores técnicos relacionados à fase de gestação que são monitorados rotineiramente nas unidades produtivas e utilizados nos cálculos do ROI dos projetos, podemos citar:

Imagem: Grupo de matrizes em gestação coletiva

Os principais desafios da transição

Entre os desafios mais importantes enfrentados pelo setor produtivo ao longo destes últimos anos para a mudança das granjas em operação e também nos novos projetos podemos destacar desafios de ordem operacional, estrutural e econômico, entre eles estão:

Além de todos os desafios citados acima, podemos destacar que o comportamento animal também precisa ser levado em consideração nos novos projetos e adequações, pois decisões que são tomadas na gestação podem refletir em toda cadeia de produção.

A gestação coletiva de suínos apresenta um dos maiores desafios no manejo nutricional, por exemplo, garantir que todas as fêmeas tenham acesso homogêneo ao alimento.

Em ambientes coletivos, a disputa por recursos e a forte estrutura hierárquica do grupo fazem com que algumas matrizes consumam muito acima do recomendado, enquanto outras, consumam muito abaixo do estabelecido pela curva de consumo. Essa heterogeneidade no consumo gera diferenças significativas no escore corporal e na condição fisiológica das fêmeas ao longo da gestação.

Como consequência direta, produz-se uma leitegada mais desigual, com leitões de pesos muito variados ao nascimento. Esses leitões menores tornam-se um desafio constante na maternidade, exigindo cuidados intensivos, maior assistência no colostro e apresentando maior risco de mortalidade. Além disso, o impacto se estende para as fases subsequentes de produção, já que leitões leves tendem a apresentar menor desempenho no desmame, crescimento mais lento.

Assim, a falta de uniformidade no consumo alimentar durante a gestação coletiva não apenas compromete o bem-estar das fêmeas, mas também afeta negativamente a eficiência, os custos e a produtividade.

Embora a suinocultura brasileira sofra inúmeras dificuldades econômicas, ela vem adotando gradativamente o sistema de alojamento coletivo, inicialmente na forma de adesão voluntária liderada pelas agroindústrias exportadoras, e mais recentemente acelerada pela publicação da IN 113.

Destaca-se a escolha voluntária que muitas empresas tem feito pelo sistema cobre solta, em decorrência de um movimento global de restrição do alojamento confinado nos sistemas industrias de produção de alimento. O Brasil segue o fluxo natural das mudanças, buscando a velocidade que permita manter sustentável o segmento.

Sair da versão mobile