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Vacina, tratamento e PCR não bastam se a granja mantém os fatores de risco do CDRS

Por redação suínoNews

Vacina, tratamento e PCR não bastam se a granja mantém os fatores de risco do CDRS

Vacinar, tratar ou identificar agentes por PCR não é suficiente para controlar o complexo de doenças respiratórias em suínos de creche se a granja mantém os fatores de risco que sustentam o problema. Esse foi o eixo da palestra de Ricardo Nagae, da Seara/JBS, durante o painel “Complexo de Doenças Respiratórias em Suínos de Creche: como estamos frente aos desafios”, no SINSUI 2026.

A apresentação deslocou o controle respiratório da ideia de ferramenta isolada para a lógica de sistema. Segundo Nagae, o CDRS é uma doença multifatorial e, por isso, exige abordagem multidisciplinar. Agentes cosuis, Glaesserella parasuis, Streptococcus suis e PCV2 podem participar do quadro, mas a expressão clínica depende também de imunidade, ambiência, manejo, estrutura, fluxo e pressão de infecção.mo Mycoplasma hyopneumoniae, influenza A suína, Pasteurella multocida, Actinobacillus

A primeira decisão, portanto, não deve ser escolher a ferramenta de controle. Deve ser entender a situação da granja.

Quanto ao CDRS, cada granja exige seu próprio diagnóstico

Nagae defendeu que o controle começa pelo diagnóstico de situação. Isso significa identificar quais agentes estão presentes, quais fatores de risco existem no plantel, qual é o peso de cada um e quais medidas devem ser priorizadas. A palestra rejeitou a lógica de “copia e cola” entre sistemas produtivos.

Essa leitura é importante porque, na rotina de campo, o mesmo sinal clínico pode ter causas e pesos diferentes. Uma granja pode ter problema associado a mistura de origens. Outra, a vazio sanitário insuficiente. Outra, a baixa qualidade de ar, ventilação inadequada, amplitude térmica, densidade, falhas de colostragem ou programa vacinal desalinhado ao desafio real.

Ao propor uma matriz de fatores de risco, Nagae colocou a tomada de decisão em uma sequência prática: Primeiro, conhecer agentes e fatores que levam ao CDRS. Depois, entender o impacto desses fatores. Em seguida, implantar ferramentas de controle. Por fim, executar e gerenciar essas ferramentas de forma contínua.

Ambiência também é ferramenta sanitária

Um dos blocos da palestra tratou a ambiência como parte central do controle respiratório. Nagae relacionou qualidade do ar, umidade, temperatura e ventilação à capacidade de defesa do trato respiratório. Segundo os slides apresentados, amônia, CO2, amplitude térmica, umidade relativa e velocidade do ar devem ser avaliados como componentes do risco sanitário.

Esse ponto é relevante porque, em muitos sistemas, ambiência ainda é tratada como tema operacional, separado da sanidade. Na prática, baixa qualidade do ar, ventilação incorreta, excesso de umidade, frio, calor ou poeira podem favorecer lesões, reduzir conforto e aumentar a predisposição a infecções.

A palestra também discutiu o impacto da amônia sobre o sistema respiratório e apresentou imagens termográficas para ilustrar como temperatura e velocidade do ar influenciam leitões em fase sensível. O recado é direto: não há controle respiratório consistente quando a granja ignora o ambiente em que o leitão respira.

Fluxo e origem dos animais pesam no resultado

Outro eixo importante foi o fluxo produtivo. Mistura de animais, múltiplas origens, falhas no todos dentro/todos fora, vazio sanitário curto e densidade inadequada foram apresentados como fatores que elevam a pressão de infecção.

Nagae mostrou dados internos da Seara/JBS relacionando mudanças de manejo e fluxo à redução de mortalidade. Entre os pontos apresentados estavam aumento de pirâmides com origem única, ampliação de vazio sanitário e ajustes no programa vacinal. Por se tratarem de dados internos, a publicação de números deve ser sempre atribuída ao case apresentado pelo palestrante no SINSUI.

Ainda assim, a mensagem técnica é forte: O controle respiratório não depende apenas do que se faz quando o animal adoece. Depende de como os leitões são agrupados, de quantas origens compõem o lote, de quanto tempo a instalação fica vazia, de como a limpeza é feita e de como o sistema reduz a circulação de agentes.

Imunidade começa antes da creche

A palestra também conectou CDRS à imunidade do leitão. Colostragem, idade de desmame, redução de estresse, programa vacinal e aclimatação de leitoas entraram como componentes da prevenção. Um dos dados apresentados relacionou ingestão de colostro à mortalidade até 42 dias, reforçando que a condição imunológica do leitão antes e no início da creche influencia sua capacidade de enfrentar desafios respiratórios.

Esse ponto amplia a responsabilidade sobre o controle. A creche recebe o problema, mas nem sempre é onde ele começa. Leitões com imunidade mais frágil, desmame mais precoce, maior estresse e maior mistura de origens entram na fase mais expostos a agentes e fatores ambientais.

Controlar o CDRS é reduzir pressão sobre o sistema

No fechamento, Nagae organizou as ferramentas fundamentais em três blocos: biosseguridade, fluxo com redução da pressão de infecção e imunidade do plantel. Em biosseguridade, entram blindagem externa e interna e controle da origem de leitoas. Em fluxo, origem única, todos dentro/todos fora, fluxo em bandas e vazio sanitário. Em imunidade, reposição e aclimatação, vacinas personalizadas, ingestão de colostro, redução de estresse e idade de desmame adequada.

A mensagem central é que o CDRS não se controla apenas no laboratório, na farmácia ou no frasco de vacina. Essas ferramentas são necessárias, mas perdem força quando a granja mantém fatores que sustentam o desafio.

Para sistemas de produção, a palestra deixa uma régua prática. Antes de perguntar qual produto usar, é preciso perguntar quais riscos a granja ainda mantém. Porque vacina, tratamento e PCR não bastam quando o próprio sistema continua criando as condições para a doença respiratória permanecer.

Protocolos PCR não bastam se a granja mantém riscos do CDRS

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