Alta do milho pressiona a suinocultura, mas exportações e câmbio favorável abrem espaço para ganhos
O consumo interno de milho no Brasil segue aquecido, sustentado em grande parte pela suinocultura e avicultura, que juntas consomem cerca de 75% do cereal destinado à produção de ração animal. Para a safra 2024/25, o Rabobank projeta um consumo total de milho de 91 milhões de toneladas – 5 milhões a mais do que o ciclo anterior.
Essa dinâmica vem sustentando os preços internos em alta, com valorização de 42% nos últimos 12 meses, segundo o relatório AgroInfo Q1 2025. Além da demanda por proteína animal, a produção crescente de etanol de milho também disputa o cereal, contribuindo para manter os preços firmes, segundo o documento.
A colheita atrasada da soja impactou o ritmo de plantio do milho safrinha, o que torna as chuvas de abril um fator decisivo para o desempenho da produtividade. A estimativa do Rabobank é de produção total de 126 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 3 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.
Apesar da perspectiva de uma boa safra, a oferta para ração ainda inspira cautela, principalmente diante da valorização cambial, segundo o relatório. O banco projeta o dólar a R$ 6,09 até o fim de 2025, o que tende a encarecer os insumos importados, como alguns aditivos e componentes da formulação de rações.
Outro ponto de atenção trazido no relatório está nos fertilizantes. O fósforo, essencial na suinocultura, tem previsão de forte alta.
A média dos preços do MAP (fosfato monoamônico) chegou a R$ 4.750 por tonelada no Mato Grosso, cerca de 20% acima do ciclo anterior. A projeção é de que as entregas de fertilizantes cresçam 2% em 2025, alcançando 46,6 milhões de toneladas.
Por outro lado, o cenário externo pode favorecer o setor. A valorização do milho torna a carne bovina menos competitiva, o que pode ampliar a demanda por carne suína, especialmente em mercados mais sensíveis a preço.
A China, segundo o documento, segue sendo um importante destino para a carne brasileira, e o câmbio mais elevado tende a impulsionar a competitividade da proteína suína brasileira no mercado internacional. Apesar dos desafios relacionados ao custo da nutrição animal, há janelas de oportunidade tanto no mercado interno quanto externo.
Segundo o documento, o produtor deve manter o foco em gestão de custos e aproveitar momentos favoráveis de comercialização, atentos à volatilidade que ainda domina os mercados agrícolas globais.
Fonte: Rabobank