Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Enquanto concluo este artigo faltam pouco mais de seis semanas para o fim de 2025. Esta consideração é importante, pois os acontecimentos deste ano relacionados ao setor agropecuário foram tão imprevisíveis e numa sequência tão alucinante, que é preciso indicar o instante em que o cenário é descrito para que não sejamos atropelados pelos acontecimentos.
Alguns diriam que isto é uma licença para errar nas previsões e opiniões, mas deixo para o leitor fazer seu julgamento.
Feita esta consideração faremos um balanço da suinocultura brasileira que, de certa forma, conseguiu se manter relativamente estável ao longo de 2025 em um cenário muito turbulento.
Produção retomando o crescimento
Depois de dois anos (2023 e 2024) de estagnação da produção, consequência de uma das maiores crises da história da suinocultura brasileira, o abate de suínos voltou a crescer significativamente em 2025.
Dados preliminares de abate até setembro/25, publicados pelo IBGE, indicam um crescimento acumulado no ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, de 3,43% em suínos abatidos (+ 1,5 milhões de cabeças) e 4,88% em toneladas de carcaças (+196,8 mil toneladas).
Chama a atenção ainda o aumento do peso médio de abate, ultrapassando 94 kg no segundo e terceiro trimestres do ano (tabela 1).

Tabela 1. Abate brasileiro de suínos trimestral de janeiro de 2024 a setembro de 2025(*), em cabeças, toneladas de carcaças e peso médio das carcaças, comparado com o mesmo período do ano anterior. (*) dados de julho a setembro 2025 são preliminares Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE.
Exportação batendo recordes sucessivos e consolidando novos destinos
Com dados de exportação divulgados até outubro, já é possível afirmar que fecharemos 2025 com crescimento acima de 10% nos embarques em relação a 2024. Este ano foi marcado pela afirmação das Filipinas como principal destino da carne suína, recuo das vendas para a China e uma maior participação de outros players importantes como Japão e México. Sem dúvida, o setor de exportação foi o grande destaque da suinocultura.
No acumulado do ano de 2025, de janeiro a outubro, as exportações brasileiras de carne suína, incluindo in natura e processados, totalizaram 1,266 milhão de toneladas, incremento de 12,9% (+145 mil toneladas) em relação ao mesmo período de 2024.
Em receita, a alta acumulada chega a 22,7%, com US$ 3,046 bilhões registrados entre janeiro e outubro/25 contra US$ 2,482 bilhões no mesmo período de 2024.
A tabela 2, a seguir, apresenta a relação dos principais destinos das exportações de carne suína in natura, de janeiro a outubro de 2025, comparado com o mesmo período de 2024.
Destaque para o crescimento das vendas para as Filipinas, Chile, Japão, México, Vietnã e Argentina que, somados, representaram um crescimento dos embarques em quase 200 mil toneladas no período, enquanto a China recuou 58 mil toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esta “pulverização” das exportações traz maior segurança ao mercado de exportação, pois cabe lembrar que a China, há poucos anos, já representou mais de 50% dos nossos embarques.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino de janeiro a outubro de 2025 (em toneladas e em US$) comparado com o mesmo período de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
Com os números apurados até o momento já é possível estimar um balanço da suinocultura brasileira de 2025.
Na tabela 3, a seguir, destaca-se o crescimento expressivo da exportação em 2019 e 2020, puxado pela China, em seguida, no período compreendido entre 2020 e 2022 a produção cresceu quase 25% no acumulado, o que, com a desaceleração das exportações em 2021 e 2022, ocasionou uma sobreoferta sem precedentes no mercado doméstico, com o acréscimo de quase 600 mil toneladas de carne suína no varejo nacional nestes dois anos.
Este desajuste na oferta foi a principal causa da crise no setor nesta ocasião, além dos custos elevados dos principais insumos na época.
Ainda na tabela 3, projetando-se os números de 2025, é possível perceber uma retomada consistente do crescimento da produção, da exportação e até do consumo (disponibilidade interna) que deve ultrapassar os 20 kg per capita ano.

Tabela 3. Balanço de produção, exportação e disponibilidade interna da suinocultura brasileira entre 2019 e 2025. Destaque em azul para períodos de significativo crescimento percentual, em laranja para desaceleração ou redução e, em amarelo, para a retomada do crescimento em 2025. Dados de 2025 projetados. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex e IBGE.
Preço e custo de produção permitindo margens positivas
No que se refere a rentabilidade da suinocultura, 2025 pode ser considerado como o ano da retomada efetiva das margens financeiras positivas.
Houve um equilíbrio favorável entre o preço pago ao produtor e o custo dos principais insumos (milho e farelo de soja). As demandas externa e interna aquecidas conseguiram absorver o crescimento da produção, mantendo preços firmes ao longo do ano.
O cenário só não foi melhor por conta da interferência das ocorrências que afetaram diretamente outras proteínas (frango e bovino).
O “tarifaço de Trump” que ameaçou as exportações de carne bovina (até então os EUA era o segundo destino desta proteína) não afetou significativamente os embarques de carne bovina, mas entre o anúncio e a entrada em vigor, houve um curto período em que a especulação derrubou as cotações do boi gordo que já vinha com volumes de abate acima de 2024, segurando a alta no preço da arroba.
Já o frango, com a ocorrência do primeiro foco de influenza aviária em granja comercial no Brasil, em maio, no Rio Grande do Sul, teve vários mercados suspensos durante alguns meses, com uma redução significativa das exportações de frango entre maio e agosto.
Estima-se que se deixou de exportar ao redor de 300 mil toneladas de carne de frango neste período.
Isto resultou em queda significativa nas cotações da proteína aviária, o que acabou limitando as altas no suíno.
A tabela 4, a seguir, apresenta o balanço da carne suína, mês a mês, a variação de preço da carcaça e disponibilidade interna, bem como o peso de abate. Cabe destacar que quanto maior o peso de abate, maior a retenção de animais na granja, indicando relativa sobreoferta.

Tabela 4. Produção, exportação de carne in natura e disponibilidade interna, preço de carcaça em SP e peso médio de abate de outubro/24 a setembro/25, com variação percentual em relação ao mês anterior e, na última coluna, destaque sobre os principais movimentos de mercado ocorridos neste período. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE, Secex e CEPEA.
Com clima favorável e expansão da área plantada, a safra 2024/25 apresentou recorde de produção tanto na soja, quanto no milho.
A boa oferta de grãos e a demanda elevada por óleo, que fez com o que o preço do farelo de soja caísse significativamente, manteve ao longo de todo ano uma boa relação de troca entre o preço do suíno e estes principais insumos (gráfico 1), permitindo lucratividade em todos os meses, conforme apontam os levantamentos da EMBRAPA suínos e aves na região Sul (tabela 5).

Gráfico 1. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de novembro/23 a novembro/25 (até dia 12/11/25). Relação de troca ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo.

Tabela 5. Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a outubro de 2025 e a média anual de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno).
O ano de 2025 foi marcado por imprevistos que impactaram as cadeias de carnes, destacando-se a ocorrência de Influenza aviária em granja de matrizes de frango, o aumento do abate de bovinos e o crescimento surpreendente da produção de suínos.
Porém, as ocorrências positivas, como uma supersafra de grãos, exportações recorde e demanda interna aquecida, superaram os desafios e determinaram boas margens na atividade suinícola do Brasil. Isto se nada de surpreendente e imprevisto acontecer até você ler este artigo!
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