Manejo e bem-estar

Bem-estar animal: uma necessidade

Para ler mais conteúdos de suínoBrasil 2º Trimestre 2024

Bem-estar animal: uma necessidade

O bem-estar é tema de preocupação constante na suinocultura; não só pelo olhar da sociedade, mas também pela relação com os indicadores zootécnicos e econômicos do sistema de produção. Suínos em boas condições de bem-estar são mais saudáveis e produtivos. Assim, o tema é multifatorial, ou seja, estabelece conexões com praticamente todas as áreas da produção de suínos.

  • COMISSÃO DE ÉTICA NA EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL

As normas e as legislações sobre bem-estar animal são complexas, permanecem em constante evolução e ganham novos adeptos. Nos últimos anos, a Comunidade Europeia editou diversas normas, estabelecendo padrões mínimos de bem-estar para os animais de produção (Dias; Silva; Manteca, 2015), com base na ação humanitária preventiva, estabelecendo critérios mínimos de alojamento e manejo adequados (Lundmark; Berg; Röcklinsberg, 2018).

Nesse contexto, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) é a entidade oficial responsável pela elaboração de normas relacionadas ao tema.

No Brasil, o órgão que auxilia na formulação de normas para utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa é o Conselho Nacional de Controle Experimentação Animal, o CONCEA, órgão responsável por estabelecer procedimentos para a instalação e funcionamento de centros de criação, biotérios e laboratórios.

Assim, a ética deixou de ser apenas uma questão moral para ser ação indispensável.

 

 

Continua después de la publicidad.

Desta forma, os animais são os beneficiados diretos pelas pesquisas científicas visto que a saúde, o bem-estar e a segurança também dependem das pesquisas e, a pesquisa é necessária para a evolução das melhores formas de
se produzir animais. Independente do segmento do seu  negócio, se você contribui para o agronegócio com a produção de alimentos utilizando pesquisas com animais, é hora de pensar em formar uma comissão de ética.

Desde 2014, a Agroceres Multimix é credenciada ao CONCEA. O monitoramento das atividades é feito pela Comissão de Ética de Uso de animais (CEUA-AGMMX), formada por colaboradores da empresa, professores de universidades e membros da sociedade civil organizada.

A preocupação em integrar-se a um órgão que estabelece o bom funcionamento de centros de experimentação animal vai de encontro ao DNA Agroceres – uma empresa de pesquisa em que a tecnologia está aliada ao conhecimento acadêmico e científico, preconizando pelo aprimoramento das recomendações nutricionais sob as diretrizes do bem-estar animal. E é preciso mensurar. Existem situações em que é fácil a percepção. Entretanto, há cenários não tão simples. Dada essa dificuldade, é recomendado realizar a avaliação do bem-estar animal por meio de  métodos objetivos e validados.

Dentre as estratégias disponíveis para a avaliação do bem-estar de suínos, destaque para o “Modelo de 5 domínios” (Mellor e Reid, 1994) e o Projeto Welfare Quality® (Botreau et al., 2009).

Independente do método, é importante certificar-se que cada uma das medidas indicadoras de bem-estar animal esteja bem fundamentada e validada cientificamente. É necessário verificar o grau de dificuldade de aplicação para evitar avaliações subestimadas ou superestimadas e utilizar vários tipos de indicadores, sendo que a maioria deve ter como base medidas tomadas nos próprios animais.

A conscientização motiva a adoção de boas práticas como meio de se conquistar mercados mais exigentes e reduzir perdas econômicas decorrentes de falhas de manejo e inadequações de instalações e equipamentos, que resultam em sofrimento dos animais e aumento dos problemas de qualidade da carne (Paranhos da Costa et al., 2020; Ribas, 2022).

A nutrição desempenha papel importante no planejamento e elaboração deste bem-estar. É através dela que as necessidades básicas dos animais são atendidas, sem causar deficiências nutricionais clínicas ou subclínicas e sem provocar intoxicações, aumentando, assim, a resistência às doenças.

Vamos começar pela gestação. Decorrente da seleção genética ao longo das décadas, visando uma alta produtividade e prolificidade (Quesnel et al., 2008; Kirkden et al., 2013; Muns et al., 2016), a eficiência reprodutiva na cadeia suinícola tem crescido expressivamente.

No entanto, se observa crescente variabilidade no peso. Nesse sentido, os nutricionistas devem minimizar os efeitos durante esta fase. O uso de determinados aditivos e/ou ingredientes, em diferentes momentos no período de gestação, pode auxiliar nesse aspecto. Do ponto de vista de bem-estar, quanto mais a fêmea puder expressar o seu comportamento natural associado aos ganhos reprodutivos, menores são as chances de ocorrência de estereotipias e eventos estressantes durante o período.

Em relação à creche, trata-se de um período crítico para os leitões, principalmente entre três e quatro semanas de idade. O fato de serem separados da mãe, mudarem a alimentação de líquida para sólida, serem trocados de ambiente e misturados com outros lotes e, ainda, a perda de imunidade passiva enquanto ainda estão desenvolvendo a imunidade ativa, induz grande estresse, com reflexos negativos no desempenho. Nesta fase, o trato gastrointestinal dos leitões não está completamente desenvolvido. Assim, é essencial que o epitélio intestinal permaneça intacto para garantir a absorção e o transporte de nutrientes, água e eletrólitos (Balbinotti, et al., 2023).

Um dos principais desafios do desmame é o consumo de alimento, no caso ração, que é naturalmente baixo nessa fase.

Nos dias seguintes ao desmame é comum verificar perda de peso, com consequências do extremo quadro de deficiência energética a que ficam sujeitos. Por isso, após o evento não é incomum identificar a predileção pelo consumo de água se comparado ao de ração sólida (Thacker et al., 2001). Os leitões recém-desmamados só ingerem água nas primeiras 24 horas, portanto, fornecer suplementos nutricionais, como repositores eletrolíticos, durante este período é mais benéfico se administrado através da água do que ração (Hwang et al., 2016; Balbinotti et al., 2023).

Importante salientar que não há substituição da água de bebida. É preciso, portanto, uma abordagem multifatorial, onde o repositor contribui para minimizar o estresse do desmame, apoiando a saúde e o bem-estar dos leitões e, consequentemente, tendo efeitos positivos sobre o desempenho dos leitões.

E, por fim, a recria e terminação. Atualmente, pesquisas e investigações buscam alternativas para a redução do uso indiscriminado de antimicrobianos. O uso racional de antimicrobianos melhora a segurança dos alimentos e gera retorno produtivo bem como redução sobre a excreção no meio ambiente.

A Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) desenvolveu o conceito de One Welfare, ou seja, um só bem-estar, englobando animais, colaboradores e ambiente.

 

Tal conceito correlaciona-se com as boas práticas de criação para uma geração futura mais saudável e sustentável. Logo, animais criados nessas boas práticas têm suas necessidades comportamentais, ambientais e fisiológicas supridas e, por conseguinte, menos estressados e suscetíveis a doenças, necessitando cada vez menos antimicrobianos.

O uso excessivo de antimicrobianos tem despertado preocupações, sobretudo no Brasil, onde ainda algumas granjas utilizam de forma desordenada. Se considerarmos as fases de recria e terminação, na região central de Minas Gerais tem-se 70, 61% ou 922.823,98 mg do uso de antimicrobianos e o fator preocupante é o uso prolongado, excedendo o tempo de uso conforme a bula (Oliveira et al., 2024 – in press).

A regulamentação imposta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), através da Portaria nº798/2023, é mais uma medida para mitigar o uso excessivo de antimicrobianos. Neste contexto, alguns aditivos se destacam,
entre eles:

A maior parte demonstra resultados  positivos para enfermidades e desafios relacionados às funções intestinais, atuando no controle de diarreias, melhorando o aproveitamento dos nutrientes e modulação da microbiota
intestinal.

O bem-estar animal é uma preocupação atual e necessária. A busca dos consumidores por produtos que ofereçam segurança alimentar tem despertado atenção por parte das instituições de pesquisas, públicas ou privadas, em aliar ciência e o modelo animal na obtenção de resultados e/ou produtos adequados para o consumo. Nesse sentido, é de responsabilidade de todos o desenvolvimento de estratégias que promovam o bem-estar animal sem comprometer os ganhos zootécnicos.

Os ensaios realizados para obtenção dos resultados supracitados são oriundos de uma série de processos. O mais importante deles é a deliberação de todos os procedimentos de cada experimento pela Comissão de Ética, um crivo importante e rigoroso que, além de garantir que a geração de informações úteis ao mercado é realizada de maneira segura e ética para os animais, eleva a qualidade do que é gerado, ao impedir que soluções não compatíveis com o bem-estar sejam aplicadas. E a rigor, isto reforça o entendimento de que não há produtividade sem atendimento a práticas de bem-estar animal.

DESCUBRA
agriNews Play - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería

Manage Consent

To provide the best experiences, we use technologies like cookies...

Funcional (Necesarias)
Siempre activo
Estadísticas (Analytics)
Medición de audiencia.
Marketing (Ads)
Publicidad personalizada.