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Big Dutchman: onde está o próximo salto de eficiência da suinocultura?

Tecnologia como um dos caminhos para eficiência na suinocultura

A estrutura do estúdio da agriNews Brasil, presente no SIAVS 2026, abriu espaço para uma discussão aprofundada sobre os desafios tecnológicos da produção animal. Nesta entrevista, Vilceu Oliveira, gerente nacional de vendas de suinocultura da Big Dutchman, analisou os caminhos para elevar a eficiência da produção de suínos, com destaque para automação, digitalização, climatização, bem-estar animal e profissionalização das granjas.

Viabilidade passa a orientar os investimentos

Na suinocultura, a decisão sobre novos investimentos está cada vez mais ligada à capacidade de uma tecnologia gerar retorno técnico e econômico. Segundo Vilceu, muitos produtores ainda atuam de forma independente e precisam avaliar diretamente o impacto de cada equipamento sobre os resultados da propriedade.

Nesse cenário, a palavra que orienta a tomada de decisão é viabilidade. O equipamento precisa contribuir para reduzir custos, melhorar indicadores ou gerar algum diferencial produtivo que justifique o investimento. O movimento também acompanha a profissionalização do setor, que passou a demandar uma abordagem mais consultiva por parte dos fornecedores de tecnologia.

Digitalização precisa virar resultado

A automação já faz parte da evolução da suinocultura, mas Vilceu avalia que a digitalização ainda tem espaço significativo para avançar. Embora os produtores utilizem indicadores zootécnicos para acompanhar alimentação, alojamento e desempenho, transformar o grande volume de informações disponíveis em decisões práticas continua sendo um desafio.

Para o executivo, o dado precisa deixar de ser apenas informação disponível em sistemas e passar a orientar efetivamente a gestão da granja. Essa transformação também exige suporte das empresas fornecedoras, capazes de ajudar o produtor a interpretar informações e identificar oportunidades de melhoria.

Climatização ainda tem espaço para avançar

Entre os desafios tecnológicos da suinocultura brasileira, a climatização aparece como uma das oportunidades mais relevantes. Vilceu destacou que, enquanto algumas áreas da produção já avançaram significativamente em controle ambiental, ainda existe espaço para evolução, especialmente na terminação. Parte das granjas brasileiras continua utilizando sistemas de ventilação natural, o que abre oportunidades para tecnologias capazes de melhorar o controle das condições ambientais.

O avanço da climatização pode contribuir não apenas para o conforto dos animais, mas também para maior previsibilidade e eficiência produtiva.

Bem-estar animal exige investimento e viabilidade

Outro desafio apontado pelo executivo é o avanço das exigências relacionadas ao bem-estar animal. Grandes cadeias e empresas já assumiram compromissos para ampliar a adoção de práticas de bem-estar nos próximos anos.

A questão, porém, envolve encontrar soluções que permitam atender às novas demandas sem comprometer a sustentabilidade econômica da atividade. Para Vilceu, a transformação precisa ocorrer de forma tecnicamente adequada e financeiramente viável, considerando a realidade dos produtores brasileiros.

Mais padronização para uma suinocultura mais eficiente

A profissionalização também passa pela maior padronização dos projetos. Segundo Vilceu, a suinocultura historicamente apresentou uma diversidade maior de modelos de produção, estruturas e decisões individuais, especialmente pela presença significativa de produtores independentes.

Esse cenário começa a mudar com a adoção de parâmetros mais definidos para temperatura, velocidade do ar, climatização, dimensões de galpões e projetos produtivos. A padronização pode facilitar o desenvolvimento de soluções tecnológicas e reduzir a necessidade de decisões baseadas exclusivamente em tentativa e erro.

O movimento ganha importância em regiões como Norte e Nordeste, que ampliam sua participação na produção de suínos. Para Vilceu, a possibilidade de levar projetos mais estruturados a essas novas fronteiras pode acelerar o desenvolvimento da atividade.

O próximo salto está além da genética

A suinocultura brasileira vem registrando avanços de produtividade nos últimos anos, impulsionados por diferentes fatores, entre eles genética, alimentação, manejo e instalações. Para Vilceu, entretanto, ainda existe um amplo espaço para ganhos em etapas que precisam receber maior atenção tecnológica.

“Tem muita coisa ainda para se buscar, para profissionalizar, e a gente tem se esforçado para se especializar nesses temas com pessoas, com equipamentos e quer estar participando desse crescimento dessas outras fases também nos próximos anos.”

O executivo citou oportunidades relacionadas à creche, gestação, manejo de dejetos e terminação, indicando que a evolução do setor dependerá cada vez mais da integração entre equipamentos, pessoas, processos e gestão.

Tecnologia com venda mais consultiva

Nesse processo, a relação entre fornecedor e produtor também está mudando. Mais do que apresentar equipamentos, as empresas precisam compreender a realidade da granja e identificar quais tecnologias efetivamente podem gerar retorno.

A Big Dutchman aposta justamente nessa abordagem consultiva, buscando adaptar projetos às necessidades específicas da produção. Para Vilceu, a experiência acumulada pelo setor também tem papel importante: aprender com os erros do passado e evitar que novas unidades repitam problemas já conhecidos.

Tecnologia como um dos caminhos para eficiência na suinocultura

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