19 fev 2024

BR-470 fica interditada para veículos pesados e deve afetar agroindústrias de SC

Em nota, o DNIT informa que os técnicos da autarquia devem definir um plano de trabalho nos próximos dias.

BR-470 fica interditada para veículos pesados e deve afetar agroindústrias de SC

crédito: riodosul.atende.net

BR-470 fica interditada para veículos pesados e deve afetar agroindústrias de SC

A interdição da BR-470/SC, na altura de Rio do Sul (SC), poderá afetar as agroindústrias do estado, que  utilizam a rota para acessar os portos de Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul, Imbituba e Itapoá. Após visita técnica à cratera aberta pelas chuvas no km 143 da rodovia, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) emitiu uma nota informando que o trecho ficará interditado por “pelo menos 20 dias”.

  • Durante este período, a orientação do DNIT é para que os motoristas de veículos pesados (acima de 40 toneladas) utilizem a BR-282/SC, na Grande Florianópolis. Essa mudança de rota representa um acréscimo de 130 quilômetros ao percurso, e mais três horas de viagem.

“O agronegócio catarinense em geral, e as agroindústrias em particular, terão pesados prejuízos”, alerta o presidente do Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina), José Antonio Ribas Jr. A fuga de investimentos das indústrias pelo agravamento das deficiências infraestruturais e logísticas de Santa Catarina já vinha sendo apontada por Ribas.

Segundo o presidente do Sindicarne, a região mais prejudicada é o grande oeste catarinense, que despacha diariamente centenas de carretas para os portos de Itajaí, Navegantes e Itapoá. Ele informa que ainda não é possível calcular o montante do prejuízo, que depende do tempo que será necessário para a recuperação da rodovia.

“O episódio da BR-470 não é isolado e representa uma deficiência logística que está  afetando a competitividade do agronegócio barriga-verde”, observa Ribas. Ele defende que as deficiências infraestruturais precisam ser atacadas com um grande plano de investimentos que inclui um sistema multimodal.

Ribas sugere um plano de Estado a ser aplicado num horizonte de 50 anos, lembrando que o agronegócio catarinense reivindica, há mais de 30 anos, a construção de uma ferrovia ligando o oeste de SC ao centro-oeste brasileiro para a busca de milho; e outra, ligando o oeste de SC ao litoral do estado para acesso aos portos.

“A logística afeta diretamente o preço pago pelo consumidor final e é importante que as pessoas saibam disto”, alerta o presidente do Sindicarne. Segundo ele, a falta de infraestrutura logística não corresponde ao potencial de Santa Catarina, que é um estado rico, com excelência na produção de proteína de aves e suínos, líder em exportações.

“Nossas rodovias estão em péssimas condições de conservação, de trafegabilidade, e continuamos andando de lado, na melhor das hipóteses, em relação a termos uma ferrovia, e com os nossos portos aí enfrentando dificuldades”. O Porto de Itajaí não está operando e as condições climáticas determinam, com certa frequência, o fechamento temporário dos outros portos.

Em nota, o DNIT informa que os técnicos da autarquia devem definir um plano de trabalho nos próximos dias.

 

 


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