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Como otimizar o desempenho dos leitões pós-desmame com proteínas funcionais?

Como otimizar o desempenho dos leitões pós-desmame com proteínas funcionais?

Luís Rangel – Médico Veterinário pela UFRGS – Mestre em Agronomia com ênfase em Nutrição Animal pela USP

 

A nutrição durante os estágios iniciais de crescimento é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar dos leitões. Em meio a uma realidade cada vez mais desafiadora, de redução de uso de antimicrobianos, matrizes hiperprolíficas produzindo maior número de leitões desmamados com menor peso e outros obstáculos, os suinocultores têm enfrentado dificuldades no pós-desmame, o que pode resultar em perdas substanciais.

As proteínas funcionais do plasma (SDP) provaram ser uma ferramenta eficaz para mitigar esses problemas, promovendo o crescimento sustentável e reduzindo a incidência de doenças.

As doenças pós-desmame, especialmente a diarreia pós-desmame (DPD), representam uma das principais causas de perdas econômicas na produção de suínos.

Na Europa, as taxas de mortalidade relacionadas à DPD podem chegar em alguns casos de 20 a 30%, devido ao surgimento de cepas de E. coli resistentes a restrições aos tratamentos tradicionais como óxido de zinco e antibióticos.

A DPD não afeta apenas a sobrevivência dos leitões, mas também causa atraso no crescimento e custos elevados de tratamento, afetando diretamente a rentabilidade da granja.

A manutenção do fornecimento de proteínas funcionais do plasma durante o tempo necessário no pós-desmama é crucial para sua contribuição efetiva para o crescimento e a sobrevivência dos leitões, proporcionando benefícios que se estendem aos estágios subsequentes da vida dos animais.

Essas proteínas apoiam o sistema imune, aumentam a absorção de nutrientes e melhoram a saúde sistêmica geral, levando a um melhor ganho de peso e menores taxas de mortalidade. De acordo com um estudo recente, os suínos alimentados com dietas contendo SDP apresentaram uma melhora de 63% na sobrevivência em comparação com aqueles alimentados com proteína isolada de soja (PIS).

Neste estudo, os suínos foram inicialmente alimentados com dietas contendo 4,12% de PIS ou 5% de SDP por 21 dias após o desmame. No sétimo dia, todos os suínos, susceptíveis geneticamente à infecção por E. coli, foram desafiados com Escherichia coli enterotoxigênica F18 (ETEC).

É importante observar que nenhum antibiótico ou eletrólito foi administrado durante todo o estudo, o que pode explicar as altas taxas de mortalidade observadas.

Os resultados demonstraram que os suínos alimentados com SDP não tiveram somente taxas de sobrevivência mais elevadas, mas também apresentaram aproximadamente 1,5 kg a mais do que os alimentados com a PIS no 21º dia após o desmame.

A manutenção da inclusão de SDP na segunda dieta pós-desmame reforça ainda mais os benefícios observados na primeira fase. A continuidade no fornecimento dessas proteínas ajuda os suínos a manter a saúde intestinal ideal e um sistema imune resistente, permitindo um crescimento contínuo e sustentável.

Pesquisas ressaltam os importantes benefícios do fornecimento das proteínas funcionais do plasma de forma sustentada nas primeiras 3 a 4 semanas pós-desmame, demonstrando melhores taxas de sobrevivência, maior crescimento – e menor carga patogênica em suínos desmamados.

Ao manter a inclusão de SDP durante as 3 primeiras dietas de creche, os produtores podem ajudar a desenvolver sistemas imunes mais robustos e uma melhor absorção de nutrientes, resultando em animais mais resistentes e saudáveis. O uso estratégico de proteínas funcionais do plasma oferece uma solução sustentável para aprimorar o desenvolvimento dos leitões e a eficiência geral da granja.

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