O futuro do Frigorífico de Suínos da Cooperativa Languiru, em Poço das Antas (RS), começa a ganhar novos contornos. A unidade, desativada desde junho de 2023, está no centro de negociações que podem resultar na entrada de um novo operador e na retomada das atividades ainda em 2026.
Segundo informações obtidas pela reportagem junto à Prefeitura de Poço das Antas, há dois interessados na unidade, sendo um deles uma cooperativa. Os nomes, contudo, ainda não podem ser divulgados. De acordo com o secretário de Administração, Indústria e Comércio, Romeu Forneck, os interessados foram apresentados pelo Município ao Governo do Rio Grande do Sul, que atualmente lidera as tratativas.
Governo do Estado lidera tratativas
De acordo com Forneck, a Prefeitura levou a discussão sobre o futuro do frigorífico para o âmbito do interesse público, considerando os investimentos realizados pelo Município e pelo Estado na estrutura.
“A partir desse momento o mercado começou a vislumbrar um horizonte de segurança jurídica para investimentos”, afirma o secretário.
As tratativas são conduzidas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul (SEDEC-RS). Segundo o Município, já existem investidores capacitados interessados na operação.
Frigorífico pode voltar a operar com 35% da capacidade
O frigorífico foi preparado e licenciado para o abate e a industrialização de 1,7 mil suínos por dia. Apesar dos mais de três anos de paralisação, a avaliação apresentada pelo Município é de que a estrutura permanece tecnologicamente bem preservada. Na avaliação dos interessados, portanto, não deverá ser necessário um volume muito elevado de investimentos para a retomada.
A expectativa é de que a operação seja reativada de maneira gradual, começando com aproximadamente 35% da capacidade instalada. Nessa primeira etapa, a previsão é de geração de 250 empregos diretos. A estimativa é que, após 18 meses de operação, a unidade possa chegar a 750 empregos diretos. O impacto potencial é expressivo para Poço das Antas. O município possui atualmente cerca de 2.220 habitantes, segundo a Prefeitura, mais especificamente 2.171, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Retomada pode beneficiar produtores da região
Além dos empregos, a reabertura do frigorífico poderá ter impacto direto sobre a cadeia regional de suinocultura. Segundo Forneck, existem aproximadamente 100 terminadores na região da unidade. O secretário afirma que cerca de um terço desses produtores teria enfrentado dificuldades financeiras que inviabilizaram a continuidade da atividade após o fechamento do frigorífico, em razão dos investimentos realizados para atender à planta. “Grande parte desses ainda estão parados”, afirma.
Com a retomada das atividades, a localização da unidade também poderá representar uma vantagem competitiva. O frigorífico está situado no centro de uma importante “bacia” de produção de suínos, o que, segundo o Município, cria condições logísticas favoráveis tanto para o novo operador quanto para os produtores.
Reversão da área fica em segundo plano
A possibilidade de entrada de um novo operador também altera a estratégia que vinha sendo defendida pela Prefeitura para o futuro da área onde está instalado o frigorífico. Em julho, representantes do Município estiveram em Porto Alegre para entregar ao Governo do Estado um ofício solicitando apoio para viabilizar a reversão da área ao Município e, posteriormente, permitir a retomada da unidade por um novo operador.
A área possui 25 hectares e foi transferida à Cooperativa Languiru em 2012. Segundo informações apresentadas anteriormente pela Prefeitura, os investimentos realizados pelo Município no empreendimento, considerando terreno e incentivos tributários, equivalem atualmente a aproximadamente R$ 27 milhões.
Com a possibilidade de retomada por um novo operador, porém, o plano de reversão da área fica em stand-by. Segundo Forneck, a estratégia de reversão não deverá avançar caso a retomada das atividades seja efetivada por meio de um novo operador.
Negociação ocorre após tentativa frustrada de leilão
A nova possibilidade de transferência da unidade ocorre após uma tentativa frustrada de venda por meio de leilão. Em junho de 2026, a Justiça rejeitou o leilão do frigorífico, mantendo indefinido o destino da planta. A unidade integra o conjunto de ativos da Cooperativa Languiru, que passa por processo de liquidação extrajudicial.
O cenário financeiro da cooperativa permanece complexo. Em julho, a Languiru também deixou de pagar uma parcela de seus Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), dando origem a novos desdobramentos judiciais envolvendo credores e garantias.
Retomada ainda depende da conclusão das negociações
Apesar do otimismo manifestado pela Prefeitura, a venda do frigorífico ainda não está concluída. Os nomes dos interessados e os detalhes da operação permanecem sob sigilo neste momento. A expectativa apresentada pelo Município é de que as negociações lideradas pelo Governo do Estado avancem para a formalização do negócio e permitam o início da retomada ainda em 2026.
Se confirmada, a operação poderá recolocar em funcionamento uma planta com capacidade para 1,7 mil suínos por dia, recuperar parte da atividade da cadeia produtiva regional e gerar centenas de empregos em um município de pouco mais de dois mil habitantes.
Por Redação suínoBrasil.
