Ícone do site suino Brasil, informações suino

Grupo gestor do Plano ABC+ RS debate potencial de biogás na suinocultura

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto 17 realizaram, nesta terça-feira (19/5), o workshop “Panorama Atual do Manejo de Dejetos na Suinocultura, Emissões de Metano e Potencial de Biogás”, voltado aos integrantes do Grupo Gestor Estadual do Plano ABC+ Rio Grande do Sul (GGE/RS). O encontro ocorreu na sede da Emater/RS-Ascar e reuniu representantes do setor público, pesquisadores, técnicos e lideranças ligadas à produção animal e à sustentabilidade no campo.
O trabalho de levantamento e sistematização de dados teve início em 2025 e foi conduzido pelo Instituto 17, organização da sociedade civil sem fins lucrativos. O estudo utilizou a base da Declaração Anual de Rebanho obrigatória da Seapi referente a 2025, contemplando mais de 4,8 mil estabelecimentos produtivos distribuídos em 288 municípios gaúchos.
O objetivo do evento foi apresentar e discutir dados atualizados sobre o manejo de resíduos da suinocultura no Rio Grande do Sul, especialmente os impactos relacionados às emissões de metano e às oportunidades de aproveitamento energético por meio da produção de biogás. As informações debatidas devem contribuir para a construção e o aprimoramento das metas estaduais ligadas ao Plano ABC+ RS — política voltada à adoção de tecnologias sustentáveis e à redução das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária.
Resultados e diálogos
A programação incluiu a apresentação dos resultados do estudo sobre o potencial da cadeia da suinocultura no Estado, além de momentos de debate e interação entre os participantes. Também foram discutidos casos práticos relacionados ao aproveitamento de dejetos animais para geração de energia, bem como encaminhamentos e próximos passos para fortalecer iniciativas sustentáveis no setor.
O coordenador do Plano ABC+ RS e engenheiro florestal da Seapi, Jackson Brilhante, destacou a importância do diálogo entre instituições públicas, setor produtivo e entidades técnicas para ampliar a adoção de estratégias de baixa emissão de carbono no meio rural gaúcho.
“Os resultados apresentados reforçam o potencial da suinocultura gaúcha na agenda climática. O estudo identificou 29 estabelecimentos que já operam com biodigestores no Rio Grande do Sul. Juntos, tratam 523,6 mil m³ de dejetos suínos por ano e evitam a emissão de 17,6 mil toneladas de CO₂”, pontuou Brilhante.
O levantamento também mapeou 254 propriedades com plantel suficiente para viabilizar a implantação de biodigestores individuais. Se adotados, esses sistemas podem evitar mais 255 mil toneladas de CO₂ por ano. Os dados são estratégicos para o monitoramento da meta de Resíduos da Produção Animal do Plano ABC+ RS.
“Os números mostram que avançamos, mas ainda há espaço significativo para ampliar a adoção da tecnologia no Estado”, resumiu.
O representante do Mapa, Cléber Araújo, destacou a relevância do estudo para o planejamento de ações voltadas à sustentabilidade da produção animal e ao desenvolvimento de políticas públicas alinhadas às metas de mitigação das emissões de gases de efeito estufa no país.
“Esse reforço da parceria visa fornecer informações inéditas que fortalecerão o monitoramento do Plano ABC+. Acreditamos que esses dados são valiosos e contribuirão para consolidar o acompanhamento do projeto no âmbito nacional”, afirmou.
A coordenadora técnica do projeto pelo Instituto 17, Deisi Tapparo, explicou que os dados coletados a partir da base declaratória da defesa agropecuária animal permitiram estimar o volume anual de dejetos gerados no Estado, além de mapear os sistemas de manejo e as emissões associadas.
Segundo Deisi, as informações levantadas também possibilitam identificar oportunidades de aprimoramento do manejo de resíduos na produção animal, apoiar a expansão da produção de biogás — com foco na identificação de potenciais grupos de implementação — e analisar impactos em bacias hidrográficas.
Ela ressaltou ainda que o estudo fornece subsídios técnicos importantes para orientar futuras ações de incentivo à bioenergia e à adoção de práticas mais sustentáveis na suinocultura gaúcha, contribuindo para o desenvolvimento regional e para a transição rumo a uma agropecuária de baixa emissão de carbono.
Grupo gestor do Plano ABC+ RS debate potencial de biogás
Fonte: Ascpm/ Seapi
Sair da versão mobile