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Suíno vivo atinge menor média real da série histórica, segundo o Cepea

O mercado de suínos encerrou agosto sob forte pressão sobre os preços. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço médio real do suíno vivo na praça SP-5 — que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — atingiu em agosto o menor patamar da série histórica da instituição, iniciada em março de 2002.

Os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de julho de 2026. O movimento ocorre após uma trajetória de queda observada desde o início do ano e ganhou intensidade mais recentemente com o enfraquecimento da demanda pela carne suína no mercado interno.

De acordo com o Cepea, a menor procura na ponta final reduziu as compras de lotes de animais por parte das indústrias, adicionando pressão às cotações.

Exportação cresce, mas não impede pressão no mercado interno

Enquanto o mercado doméstico perdeu força, as exportações brasileiras mantiveram desempenho positivo na comparação anual. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que o Brasil embarcou 129,6 mil toneladas de carne suína, considerando produtos in natura e processados, em agosto. O volume ficou 0,9% abaixo das 129,9 mil toneladas registradas em julho, mas foi 7,9% superior ao de agosto de 2025, quando foram exportadas 120,1 mil toneladas.

A retração mensal, segundo o Cepea, está dentro de um comportamento observado com frequência no período. Nos últimos oito anos, os embarques de julho para agosto diminuíram em seis ocasiões.

Milho e farelo de soja pressionam relação de troca

Para o produtor, o cenário fica mais desafiador quando os preços do suíno são comparados aos principais componentes da alimentação. Em agosto, pelo segundo mês consecutivo, o suíno vivo perdeu valor, enquanto milho e farelo de soja subiram em São Paulo. O movimento reduziu ainda mais o poder de compra do produtor frente aos insumos.

No caso do milho, a alta foi de 3,2% em agosto, com a saca de 60 kg passando de R$ 64,84 para R$ 66,91, considerando o indicador ESALQ/BM&FBovespa, em Campinas (SP).

O resultado é uma deterioração adicional da relação de troca em um momento no qual a remuneração obtida pela venda dos animais já sofre com a pressão da demanda.

Carne suína ganha competitividade frente a bovina e frango

Apesar da pressão sobre o suíno vivo, há um movimento favorável quando a análise considera as proteínas concorrentes. Em agosto, a desvalorização da carcaça especial suína ocorreu simultaneamente à valorização da carcaça casada bovina e do frango resfriado. Com isso, o Cepea identificou aumento da competitividade da carne suína frente às principais proteínas concorrentes.

O dado cria um ponto de atenção para os próximos movimentos do mercado: enquanto a oferta e a demanda pressionam os preços do suíno, a relação com bovinos e frango pode favorecer a proteína suína na decisão de compra do consumidor.


Fonte: relatório Cepea (agosto/ 2026)

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