Ícone do site suino Brasil, informações suino

E se a vacinação do suíno começasse pela pele em vez da agulha?

Vacinação intradérmica: tecnologia reduz uso de agulhas

A estrutura do estúdio Conexão Nucleovet, montado durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) em parceria com a agriNewsBrasil, recebeu José Luiz Almeida, coordenador técnico da Unidade de Suinocultura da MSD Saúde Animal, para discutir uma mudança que vai além da forma de aplicar uma vacina: a vacinação intradérmica sem agulha.

A tecnologia envolve o uso do IDAL®, aplicador desenvolvido para realizar a aplicação na pele do animal, com impactos que alcançam segurança da equipe, bem-estar, biosseguridade e padronização do processo.

Por que a pele muda a resposta?

Segundo José Luiz, uma das principais diferenças está justamente na via de aplicação. A pele concentra grande quantidade de células dendríticas, responsáveis pelo reconhecimento do antígeno e pelo início da resposta imunológica.

Na aplicação intradérmica, essas células estão próximas ao local em que a vacina é administrada, o que pode favorecer uma resposta imunológica mais rápida e potente.

“A vacinação intradérmica oferece um benefício que as outras vacinas não têm. A pele tem grande quantidade de células dendríticas que fazem o reconhecimento do antígeno, então a resposta imunológica é mais rápida e mais potente”, explicou.

Menos agulhas, mais padronização

No manejo, a tecnologia elimina a utilização de agulhas na aplicação das vacinas desenvolvidas para o sistema. Isso reduz um dos riscos associados à vacinação convencional: a possibilidade de transmissão iatrogênica de agentes entre animais pelo uso inadequado de agulhas.

O aplicador também possui um sistema de segurança que busca evitar disparos acidentais, aumentando a proteção do profissional responsável pelo manejo.

Outro ponto destacado é a padronização. O equipamento permite visualizar a aplicação e trabalhar com um processo mais controlado, enquanto a MSD oferece capacitação das equipes por meio de protocolos e checklists de vacinação.

Impacto também está no armazenamento

A aplicação intradérmica utiliza 0,2 ml por dose, volume inferior ao de vacinas convencionais aplicadas por via intramuscular. Na prática, isso pode representar menor necessidade de espaço para armazenamento.

A tecnologia também reduz o consumo de agulhas. Segundo o especialista, mais de 1,3 milhão de agulhas deixaram de ser utilizadas no Brasil somente neste ano com a adoção do sistema.

Vacinação deixa de ser apenas rotina

Para José Luiz, a vacinação precisa ser tratada como uma decisão estratégica e não como uma tarefa operacional delegada sem critérios.

“A vacinação é como um seguro. Você está utilizando a vacina, dando um passaporte para esse animal ter a vida dele com saúde e bem-estar. Não pode ser uma coisa trivial; ela tem que ser tratada de uma forma profissional e muito bem feita”, afirmou.

Atualmente, segundo a entrevista, a tecnologia já atende mais de 320 mil matrizes no Brasil. O sistema é disponibilizado pela MSD em regime de comodato, com assistência técnica e manutenção periódica dos equipamentos.

No país, três vacinas da MSD estão registradas para aplicação pelo sistema: contra circovírus, micoplasma e Lawsonia. A empresa também trabalha com a perspectiva de ampliar a linha de produtos compatíveis com a tecnologia.

Entrevista completa

Sair da versão mobile