20 fev 2026

Avaliação patológica de cepas recentes de VPSA

Avaliação patológica de cepas recentes de VPSA reforça cenário de alto risco sanitário Desde o primeiro surto de Peste Suína Africana (PSA) em granjas sul-coreanas em setembro de 2019, o país enfrentou múltiplos casos em suínos domésticos, enquanto a doença circulou intensamente em javalis silvestres — um reservatório que representa risco constante de reintrodução nas […]

Avaliação patológica de cepas recentes de VPSA

Avaliação patológica de cepas recentes de VPSA reforça cenário de alto risco sanitário

Desde o primeiro surto de Peste Suína Africana (PSA) em granjas sul-coreanas em setembro de 2019, o país enfrentou múltiplos casos em suínos domésticos, enquanto a doença circulou intensamente em javalis silvestres — um reservatório que representa risco constante de reintrodução nas granjas. Até 31 de janeiro de 2023, foram confirmados 31 surtos em suínos domésticos e 2 799 casos em javalis.

Embora estudos anteriores (2019–2021) não tenham identificado mudanças na virulência do VPSA com experimentos em campo, havia necessidade de verificar se novas cepas surgidas em 2022–2023 poderiam ter modificado sua capacidade de causar doença grave. Testar isso é essencial para antecipar impactos sanitários e adaptar estratégias de biosseguridade.

Material e métodos

 PSA pode manter elevada virulência e impacto econômicoOs pesquisadores isolaram dez cepas de VPSA de diferentes granjas comerciais afetadas no período (2022 a janeiro de 2023), todas pertencentes ao genótipo p72 II e ao sorogrupo CD2v 8, com variantes mínimas entre si. Entre essas, duas foram selecionadas para experimentação animal por apresentarem sinais clínicos e lesões que sugeriam possível virulência reduzida com base em evidências epidemiológicas e diferenças genômicas específicas.

Para a avaliação experimental:

  • Divididos em três grupos: dois grupos experimentais (5 animais cada) inoculados com uma das duas cepas, e um grupo controle (2 animais) não infectado;

  • Os suínos foram mantidos sob biossegurança nível 3 e monitorados diariamente para sinais clínicos, temperatura retal, e indicadores de bem-estar;

  • Amostras de sangue, swabs (oral, nasal e retal) e tecidos (baço, fígado, rins, coração e linfonodos) foram coletadas para quantificação viral por qPCR e análises histopatológicas após necropsia.

  • Resultados

    Sinais Clínicos e Mortalidade

  • Depressão,

  • Anorexia,

  • Recumbência,

  • Dificuldade respiratória,

  • Descargas oculares,

  • Diarreia e hemorragias.

  • PSA pode manter elevada virulência e impacto econômico

    PSA pode manter elevada virulência e impacto econômico

  • Grupo 2: aproximadamente 8,8 dias pós-inoculação.

  • Nenhum animal do grupo controle apresentou sinais clínicos ou alterações de saúde.

  • Viremia e Excreção Viral

  • A carga viral aumentou progressivamente para níveis elevados (acima de 10^7 cópias/µL) conforme o progresso da doença.

  • O vírus também foi detectado em amostras de swabs oral, nasal e retal, indicando múltiplas vias de eliminação antes da morte dos animais.

  • Anticorpos não foram detectados nos animais infectados, resultando em replicação viral sem resposta imune protetora eficaz no período de estudo.

  • Lesões Patológicas

    A necropsia e as análises histopatológicas revelaram lesões consistentes com PSA grave:

    Lesões Macroscópicas

  • Esplenomegalia com infartos;

  • Hemorragias nos rins;

  • Pneumonia intersticial leve em muitos animais.

  • Alterações Histológicas

    Os tecidos mostraram:

  • Degeneração tubular renal e necrose hepatocelular com infiltração mononuclear;

  • Pneumonia intersticial leve com edema pulmonar em alguns animais.

  • O baço e linfonodos tiveram as maiores pontuações de lesão, refletindo áreas de intensa replicação viral e destruição tecidual.

     Conclusões e Implicações

    Mesmo entre cepas que eram suspeitas de ter virulência reduzida, a patogenicidade das cepas isoladas em 2022–2023 permaneceu alta. Todos os animais inoculados desenvolveram doença grave e evoluíram para óbito em poucos dias, com lesões macroscópicas e histopatológicas típicas de PSA fulminante.

    Esses resultados indicam que, na Coreia do Sul, a virulência do VPSA ainda não sofreu reduções significativas no período estudado, mesmo em novas cepas isoladas após o primeiro surto. Isso sugere que:

  • Os desafios para detecção precoce, confinação e biosseguridade permanecem críticos;

  • Estratégias de controle e vigilância devem continuar priorizando medidas rígidas de biosegurança, porque cepas altamente virulentas ainda são prevalentes.

  • Relevância para a Suinocultura Brasileira

    Embora o estudo tenha sido conduzido na Coreia do Sul, as conclusões têm aplicabilidade global: a Peste Suína Africana continua sendo uma das maiores ameaças sanitárias à suinocultura moderna. O alto nível de letalidade e a severidade das lesões reforçam a importância de:

  • Monitoramento clínico constante;

  • Diagnóstico laboratorial rápido;

  • Fortalecimento de biosseguridade nas granjas.

  • A experiência sul-coreana ilustra que, mesmo com suspeitas de alterações genéticas, o VPSA pode manter elevada virulência e impacto econômico — um alerta contínuo para países livres como o Brasil.

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    O artigo completo está disponível em Open-Acess pelo link

    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37764966/


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