Neste mês de setembro, a SuínoBrasil entrevistou o pesquisador da EMBRAPA Osmar Antônio Dalla Costa, Zootecnista e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves com doutorado na área de bem estar animal e qualidade de carne, para detalhar um pouco mais sobre o bem-estar animal na produção de suínos.

É crescente a preocupação dos consumidores com o bem-estar animal e a forma como os animais são criados, transportados e abatidos, pressionando as agroindústrias ao desafio de um novo paradigma: trate com cuidado, por respeitar a capacidade de sentir dos animais (senciência), melhorando não só a qualidade tecnológica dos produtos de origem animal (aparência, composição nutricional, palatabilidade, rendimento, segurança alimentar), mas também a qualidade ética que se refere ao modo como os animais foram criados, desde o nascimento até o abate.
Neste mês de setembro, a SuínoBrasil entrevistou o pesquisador da EMBRAPA Osmar Antônio Dalla Costa, Zootecnista e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves com doutorado na área de bem estar animal e qualidade de carne, para detalhar um pouco mais sobre o bem-estar animal na produção de suínos.
Segundo Dalla Costa, os estudos sobre bem-estar de suínos iniciaram em meados da década de 90, quando as empresas da agroindústria começaram a se preocupar com as condições de trabalho. Além disso, havia uma preocupação constante em relação ao transporte, que até então, era realizado em caminhões com diferentes tipos de carroceria, com duplo propósito com carregamento de grãos (diurno) e suínos (noturno).
O grande ponto de partida para os estudos de bem-estar animal se deu pensando na qualidade de trabalho na produção de suínos. A EMBRAPA Suínos e Aves realizou trabalho pioneiro para qualificação dos motoristas, ressaltando a importância do transporte na cadeia suinícola com a cooperativa Copérdia. Neste treinamento, conscientizou-se os profissionais responsáveis pelo transporte dos suínos sobre a sua importância dentro do sistema de produção, orientando-os sobre a importância da atividade bem como a manutenção dos equipamentos e a maneira de conduzir os caminhões nas estradas, ressaltou o pesquisador.
Já na década de 2000 iniciaram as pesquisas para avaliar procedimentos e a adoção de práticas de bem-estar a campo, tipos de transporte para as diferentes categorias de suínos leitões desmamados, saída de creche, abate, matrizes e reprodutores definindo os melhores modelos de carrocerias, e a densidade de transporte.
Neste período também começaram os trabalhos de avaliação da eliminação da castração cirúrgica e da utilização da vacina de imunocastração em suínos e da avaliação dos sistemas de alojamento das matrizes suínas com a migração do sistema de alojamento das matrizes suínas na gestação dos box de gestação para as baias coletivas.
Somado a isso, a WSPA começou a discutir juntamente com a EMBRAPA Suínos e Aves e MAPA a implantação do programa de abate humanitário, gerando um grande questionamento “Tirar a vida do animal e chamar de humanitário?”. E a partir daí estudos foram desenvolvidos a fim de garantir que ao retirar a vida do animal, o sofrimento deve ser o mínimo possível. Foi perceptível que a qualificação e fornecimento de estrutura ideal para execução do trabalho para os funcionários promoveram melhorias na qualidade da carcaça. Um exemplo clássico, são as rampas de embarque, desembarque, com redução da inclinação e piso anti-derrapante e do uso de equipamentos apropriados para a condução dos suínos, ressalta o Pesquisador.
“Na produção de suínos não é mais necessário o uso da força física, mas sim da força intelectual. Através do entendimento do comportamento animal e uso da inteligência a nosso favor”, declara Dalla Costa.
A apresentação das práticas de bem-estar animal para empresas privadas foi vista, a princípio, como aumento nos custos de produção. Porém, o desenvolvimento de pesquisas pela EMBRAPA e demais instituições de pesquisa mostrou que a produção é diretamente favorecida.
“Investimento e melhorias nas condições do transporte reduziu o número de animais cansados, com fraturas, redução nas perdas quantitativas e qualitativas. O que mudou a visão das empresas, agora as empresas veem o bem estar animal como valoração do produto”, relembra Dr. Osmar.
Todo o enriquecimento ambiental promove melhorias no bem-estar animal. Além disso, deve-se considerar que as instalações de um modo geral são ambientes ociosos e a instalação de equipamentos para reduzir a ociosidade deve ser considerada como estratégia para redução do estresse.
Vale ressaltar que o enriquecimento ambiental deve atender um processo de troca, atendendo a faixa etária de cada animal, bem como de limpeza e desinfecção, garantindo assim, a sanidade do plantel.
“O enriquecimento ambiental são como brinquedos de crianças, com o passar do tempo vai perdendo o interesse”, conclui Dalla Costa.
Recentemente a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) solicitou apoio ao MAPA para publicação da Instrução Normativa de bem estar animal. Entende-se que o Brasil como quarto maior produtor e exportador de carne suína deve ter uma norma que qualifique a produção e ampare seus produtores em alinhamento com o mercado globalizado. Sobre este tema o Dr. e Pesquisador, Osmar Dalla Costa ressalta:
Cada empresa possui uma normativa e a criação desta normativa direcionará os produtores. E ainda esclarece que, este documento é orientador, que a não adoção pode desencadear em restrição de venda e que a adoção das normativas agrega valor à carne suína. Tanto mercado externo, quanto o mercado interno estão preocupados com o bem-estar animal, e isso afeta diretamente a decisão de compra do consumidor final.
Ainda, vale destacar que a normativa proporcionará condições para aptidão do Brasil para exportação. A produção com adoção de práticas de bem-estar animal deve atender ambos os mercados, externo e interno e atendimento dos nichos de mercado exigentes.
Todo processo de migração possui um período de carência para ajuste às novas normas a serem implementadas, sendo assim, para ajustar o sistema os produtores serão instruídos e terão tempo para adaptação de cada produtor.
Ao ser questionado sobre a adoção ou não dos produtores às novas normas que estão por vir, o Pesquisador conclui:
“Um exemplo prático, uso de cinto de segurança, quando implementado a obrigatoriedade houve relutância e hoje é ato natural, espera-se que a adaptação às normativas ocorram da mesma forma.”
Fonte: Redação SuínoBrasil
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