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Por que a Salmonella ainda escapa dos programas de controle na suinocultura?

Controle da Salmonella na suinocultura exige estratégia contínua

O estúdio da agriNews Brasil no SIAVS 2026 reuniu especialistas e empresas para discutir os principais desafios da produção de proteína animal, levando ao público informações técnicas diretamente de profissionais que atuam no campo. Entre os convidados esteve Mauro André Donin, gerente nacional de vendas da Boehringer Ingelheim, que conversou sobre um dos temas mais persistentes da suinocultura: o controle da Salmonella.

Apesar dos avanços em biosseguridade, diagnóstico e prevenção, a bactéria continua exigindo uma abordagem integrada em toda a cadeia produtiva. Para Mauro, o principal ponto de atenção é compreender que o controle não pode ficar restrito ao frigorífico nem depender de uma única medida.

Salmonella é um problema de toda a cadeia

A Salmonella está diretamente relacionada ao conceito de saúde única, já que envolve a saúde animal e sua conexão com a saúde humana. Para um país como o Brasil, que ocupa posição de destaque na produção e exportação de carne suína e registra crescimento do consumo interno, reduzir os riscos associados ao agente é uma questão estratégica.

Segundo Mauro, o controle precisa começar muito antes da chegada dos animais ao abatedouro.

“O frigorífico sozinho não vai conseguir fazer milagre. Tem que olhar toda a cadeia. Então, quando fala em Salmonella, começa desde os ingredientes, das instalações, da higiene, da biosseguridade”, explicou.

A dinâmica de entrada e disseminação da bactéria é ampla. Animais, pessoas, ingredientes, água e roedores estão entre os possíveis veículos, fazendo com que falhas aparentemente isoladas possam contribuir para a manutenção do problema dentro da granja.

Não existe uma única medida capaz de controlar a bactéria

Um dos principais pontos destacados na entrevista foi a necessidade de combinar diferentes estratégias. Biosseguridade, controle de roedores, qualidade dos ingredientes, manejo, limpeza e desinfecção precisam funcionar conjuntamente. Para Mauro, não existe uma solução isolada capaz de resolver o problema.

“Não existe uma bala de prata para Salmonella. Tem que trabalhar em todas elas”, afirmou.

Na prática, isso significa que a avaliação de um programa de controle precisa considerar a realidade de cada granja, identificando as principais rotas de entrada e os pontos em que existe maior possibilidade de disseminação. A suinocultura brasileira, segundo o executivo, vem avançando nesse processo e incorporando uma visão cada vez mais estratégica sobre biosseguridade e prevenção.

O risco silencioso da Salmonella subclínica

Um dos desafios está justamente nos casos em que a infecção não produz sinais clínicos evidentes. Quando há manifestação clínica, o problema tende a ser percebido mais rapidamente, levando o produtor a buscar diagnóstico e implementar medidas corretivas. Já a presença subclínica pode permanecer menos evidente e, por isso, exige monitoramento específico.

Nesse cenário, a atuação de equipes técnicas e ferramentas de diagnóstico ganha importância para identificar a circulação do agente e dimensionar o problema antes que ele se transforme em perdas mais expressivas.

A Boehringer Ingelheim, de acordo com Mauro, trabalha com suporte técnico e monitoramento para auxiliar produtores e agroindústrias a compreender a situação sanitária e definir o melhor momento para uma intervenção.

“Nós ajudamos também para entender a Salmonella subclínica, com a nossa equipe técnica, com monitorias, para quantificar isso e para saber o momento perfeito da intervenção”, destacou.

Prevenção ganha espaço com vacinação oral

Dentro dessa estratégia, a vacinação aparece como uma das ferramentas utilizadas pela empresa para apoiar o controle da Salmonella em suínos. Mauro reforçou que a Boehringer Ingelheim atua com foco integral em vacinas e destacou a disponibilidade de vacinas orais vivas voltadas à suinocultura.

A proposta é ampliar as alternativas de prevenção e facilitar a aplicação dentro dos sistemas produtivos, compondo um programa mais amplo de controle. A vacinação, no entanto, não substitui as demais medidas. Ela deve estar integrada ao conjunto de ações adotadas na granja, incluindo biosseguridade, manejo, higiene e monitoramento.

Controle contínuo, não ação pontual

Outro aspecto abordado durante a entrevista foi a necessidade de abandonar a ideia de que Salmonella pode ser combatida por meio de ações isoladas ou pontuais. O problema tende a retornar quando as condições que favorecem sua manutenção continuam presentes. Por isso, a estratégia precisa ser acompanhada ao longo do tempo e ajustada de acordo com os resultados do monitoramento.

Para Mauro, o nível de conhecimento técnico existente hoje na suinocultura brasileira já permite uma abordagem mais ampla e estruturada. A lógica, portanto, passa por identificar as fontes de risco, avaliar a prevalência, monitorar os resultados e utilizar diferentes ferramentas de prevenção de maneira coordenada.

SIAVS como ponto de encontro da cadeia

Além da discussão técnica sobre Salmonella, Mauro avaliou a participação da Boehringer Ingelheim no SIAVS 2026. Para ele, o evento tem importância justamente por reunir diferentes elos da cadeia de proteína animal.

Produtores, profissionais de campo, representantes de cooperativas, executivos e lideranças empresariais circulam pelo mesmo ambiente, criando oportunidades para troca de experiências e aproximação com clientes e parceiros.

A presença da companhia no evento também representa um momento de relacionamento com profissionais que normalmente são encontrados no campo ao longo do ano.

Ao encerrar a entrevista, Mauro reforçou a disponibilidade da empresa para atuar junto aos produtores na prevenção e no desenvolvimento de uma suinocultura cada vez mais sustentável.

Controle da Salmonella na suinocultura exige estratégia contínua

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