Preço do suíno reage e melhora relação de troca em outubro
Valorização do suíno vivo, recuo do milho e desaceleração do crescimento do abate contribuem para a recuperação do mercado, enquanto exportações acumulam alta de 6,23% até setembro

Preço do suíno reage e melhora relação de troca em outubro
Após atingir as menores cotações do ano em agosto, o mercado brasileiro de suínos apresenta recuperação nos preços do animal vivo e da carcaça. O movimento, observado desde setembro e reforçado em outubro, ocorre em um cenário de demanda doméstica mais aquecida, redução do ritmo de crescimento do abate e queda das cotações do milho. A combinação também favoreceu a recuperação da relação de troca entre o suíno vivo e os principais ingredientes da ração.
Segundo o boletim de mercado de outubro da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), publicado em 22 de outubro, dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam desaceleração do crescimento do abate nos últimos três meses. Há, ainda, sinais de redução do peso das carcaças, fatores que, associados ao aquecimento da demanda, contribuem para sustentar as cotações.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de 2026. Em destaque as médias de outubro/26 até 20/10. Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.

Gráfico 2. Indicador MENSAL CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, EM 2026, até dia 20/10 (em destaque). Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.
Os gráficos elaborados com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) mostram a evolução das cotações em 2026, com destaque para as médias de outubro até o dia 20.
De janeiro a setembro de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 1,18 milhão de toneladas de carne suína in natura e processada, volume 6,23% superior ao registrado no mesmo período de 2025, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela ABCS.
Em setembro, os embarques avançaram quase 4 mil toneladas em relação a agosto. Na comparação anual, porém, houve recuo, indicando perda de ritmo das exportações no segundo semestre.
As Filipinas permanecem como principal destino da carne suína brasileira e responderam por mais de 22% do volume exportado entre janeiro e setembro. A redução dos embarques para esse mercado nos últimos meses acompanha a desaceleração do crescimento das exportações totais.

Tabela 1. Volume mensal (em toneladas) e receita (FOB) de carne suína brasileira in natura e processada exportada pelo Brasil de janeiro a setembro/2026 e comparativo (%) com o mesmo mês do ano anterior. Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.

Tabela 2. Volume mensal (em toneladas) e receita (FOB) de carne suína brasileira in natura e processada exportada pelo Brasil para as FILIPINAS, de janeiro a setembro/2026 e comparativo (%) com o mesmo mês do ano anterior. Destaque para a queda significativa (em %) ocorrida entre junho e setembro/26 em relação aos mesmos meses do ano passado. Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.

Tabela 3. Volume mensal (em toneladas) e receita (FOB) de carne suína brasileira in natura e processada exportada pelo Brasil para os 10 principais destinos, de janeiro a setembro/2026 e comparativo (%) com o mesmo mês do ano anterior e a participação (%) de cada destino. Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.
O desempenho das vendas externas é um dos fatores a acompanhar nos próximos meses. Embora o acumulado do ano permaneça superior ao de 2025, a evolução dos embarques e a concentração das vendas em determinados destinos podem influenciar o equilíbrio entre a produção e a oferta interna.
No mercado de grãos, a redução das cotações do milho em outubro contribuiu para melhorar a relação entre o preço recebido pelo suinocultor e os custos dos principais ingredientes da ração. O farelo de soja, por sua vez, apresentou estabilidade no período analisado pela ABCS.
No boletim de setembro, a entidade havia relacionado a alta do milho principalmente às expectativas para a safra 2026/27 e aos riscos climáticos associados ao El Niño, e não à falta de produto no mercado naquele momento.
O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27, citado pela ABCS, projetou produção de 181,6 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de toneladas de milho. Apesar das perspectivas de produção elevada, o comportamento dos preços continuará condicionado ao desenvolvimento das lavouras, às condições climáticas e à evolução da oferta.

Gráfico 3. Preço médio mensal do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, em 2026; média de outubro até dia 19/10 (em destaque). Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.
Com a queda do cereal e a estabilidade do farelo de soja, a relação de troca entre o suíno vivo e um composto dos dois ingredientes voltou a subir em outubro, após quase um ano de deterioração.
O indicador considera um mix formado por 74% de milho e 26% de farelo de soja. De acordo com a metodologia apresentada pela ABCS, uma relação superior a 5,00 é considerada referência para uma condição de equilíbrio econômico favorável ao produtor.

Gráfico 4. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/25 a outubro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de agosto de 2026 até dia 20/10/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo
A melhora do indicador representa um sinal positivo para a suinocultura independente, mas não significa, isoladamente, que todos os produtores tenham recuperado as margens. O resultado econômico depende também dos custos de produção, da eficiência dos sistemas, dos preços regionais e das condições de comercialização.
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a reação das cotações começou em setembro e ganhou força com a aproximação do fim do ano, período em que a demanda por carne suína tradicionalmente tende a aumentar.
“Desde setembro a chave do mercado virou. O preço pago ao produtor pegou tração e não dá sinais de recuo no curto prazo”, afirma.
Lopes também destaca o recuo das cotações do milho como um fator favorável para a atividade, embora avalie que ainda é cedo para antecipar o comportamento do mercado em 2027.
A continuidade da recuperação dependerá da evolução da demanda interna, do ritmo de abate, dos embarques internacionais e dos preços dos insumos. Depois de meses de pressão sobre as margens, a melhora simultânea das cotações do suíno vivo e da relação de troca oferece algum alívio ao setor, mas o comportamento desses indicadores nas próximas semanas será determinante para avaliar a consistência dessa recuperação.
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