Exportação bate recorde, carcaça cai 14% e março vira teste de margem na suinocultura brasileira
Em entrevistas à suínoBrasil, Cepea e Sindicarne-SC explicam por que fevereiro virou o mês do descompasso no mercado interno, enquanto a ABPA vê início de 2026 como tendência estrutural de exportações mais fortes e diversificadas.

Exportação bate recorde, carcaça cai 14% e março vira teste de margem na suinocultura brasileira
O Brasil abriu 2026 com exportações de carne suína em patamar recorde para janeiro (116,3 mil toneladas, com receita de US$ 270,2 milhões), segundo dados divulgados pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Mas, enquanto o mercado externo começou o ano puxando volume e receita, fevereiro virou o mês do teste de margem dentro do País.
Levantamento do Cepea mostra que a carcaça especial suína no atacado paulista foi negociada a R$ 10,41/kg na parcial até o dia 24/2, queda de 14,1% em relação à média de janeiro. Mas, enquanto o mercado externo sustenta volume e receita, fevereiro trouxe um sinal claro de pressão interna.
Em entrevista à suínoBrasil, o pesquisador do Cepea Luiz Henrique Melo explicou que a retração não se deve apenas à sazonalidade típica do início de ano. Segundo ele, enquanto compradores reduziram volumes, a carne passou a “travar” na ponta e, como consequência, a indústria ficou pressionada a não pagar pelo suíno vivo um valor que não conseguia sustentar na venda da carne.
“O primeiro passo é estancar a queda”, afirmou o pesquisador. Para ele, a primeira quinzena de março será decisiva para verificar se a demanda reage o suficiente para permitir alguma recomposição de preços, desde que a oferta também esteja mais ajustada.

Apesar da pressão nas cotações, o próprio estudo do Cepea aponta que a carne suína ganhou competitividade frente às proteínas concorrentes. Em fevereiro, enquanto a carcaça casada bovina teve média de R$ 23,60/kg (+3,1% em relação a janeiro) e o frango inteiro resfriado foi cotado a R$ 7,08/kg (-4,6%), a suína se aproximou do frango e se distanciou do boi, movimento que pode favorecer o consumo caso a demanda volte a se aquecer.
Do lado das exportações, a ABPA sustenta que o início de 2026 não representa um movimento pontual. Em posicionamento enviado à suínoBrasil, a entidade destacou que o setor saiu de 1,352 milhão de toneladas exportadas em 2024 para 1,510 milhão em 2025, avanço de 11,6%, enquanto a receita cresceu 19,3%, passando de US$ 3,033 bilhões para US$ 3,619 bilhões.
Para a Associação, esses números indicam fortalecimento estrutural da presença brasileira no mercado internacional e maior inserção em mercados estratégicos. A ABPA também ressaltou que março deve ser acompanhado com atenção, especialmente quanto ao comportamento dos preços internacionais, movimentos de oferta de grandes produtores globais e evolução dos custos internos (grãos, câmbio e logística) que impactam diretamente a margem operacional.

Na indústria, a avaliação converge para uma leitura de crescimento consistente, mas sem ignorar ajustes de curto prazo. Em entrevista à suínoBrasil, o presidente do Sindicarne-SC, José Antônio Ribas Júnior, afirmou que o avanço nas exportações é resultado de um processo estruturado de ampliação de mercados e não de uma janela momentânea.
“Não estamos diante de uma janela oportunista. O que vemos é consolidação de mercados e crescimento orgânico planejado. Oscilações de preço no curto prazo fazem parte do ajuste normal da cadeia”, afirmou em entrevista à suínoBrasil.
O cenário que se desenha para março é de exportações sustentando o ciclo de 2026 e mercado interno ainda em processo de ajuste de preços. Se janeiro foi o sinal de tração, fevereiro mostrou que volume não garante margem e março dirá se a suinocultura brasileira consolida um novo patamar competitivo ou apenas atravessa uma fase de acomodação.
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