30 mar 2026

Frimesa tira a carcaça do centro da estratégia e mira valor agregado para fazer a carne suína avançar

Em nova fase apresentada em São Paulo, cooperativa associa rebranding, revisão de portfólio e aproximação com o varejo à aposta de disputar espaço no prato do brasileiro com carne suína certificada, prática e de maior valor

Frimesa tira a carcaça do centro da estratégia e mira valor agregado para fazer a carne suína avançar

A Frimesa foi a São Paulo lançar uma nova fase da marca, mas a notícia mais importante do evento não estava no novo escritório nem na cor roxa das embalagens. O que a cooperativa colocou de forma clara sobre a mesa foi uma mudança estratégica com peso real para a cadeia, ou seja, tirar produtos mais básicos do centro da operação e empurrar a carne suína para uma lógica de maior valor agregado, mais próxima do varejo, da conveniência e do consumo cotidiano.

Mais do que apenas de vender mais, a Frimesa sinalizou que quer vender melhor. E isso passa por reduzir a centralidade de itens de menor valor, reforçar a industrialização, ajustar portfólio, ganhar presença de gôndola e aproximar a carne suína de ocasiões de consumo em que ela ainda pode avançar no mercado brasileiro.

Enquanto parte da repercussão publicada após o evento se concentrou na inauguração do escritório em São Paulo, na meta de R$ 15 bilhões em faturamento até 2032 e no rebranding da marca, o encontro revelou algo mais profundo. Uma gigante do setor está mostrando, na prática, que o próximo salto da proteína suína depende menos de volume isolado e mais da capacidade de converter produção em valor percebido no mercado.

Na apresentação, o presidente executivo Elias José Zydek enquadrou esse momento como a “terceira onda” da companhia. Depois de uma etapa voltada à produção no campo e de outra marcada pela industrialização, a Frimesa quer agora concentrar esforços “da porteira para fora”, com foco em comercialização, distribuição, apresentação dos produtos e adaptação ao novo consumidor.

Na leitura apresentada no evento, esse consumidor busca praticidade, proteína, comida de verdade e soluções compatíveis com uma rotina em que a refeição precisa ser resolvida em poucos minutos. Esse deslocamento ajuda a entender por que a Cooperativa decidiu reforçar sua operação em São Paulo.

Mais do que vender mais no principal mercado consumidor do país, a empresa quer estar mais perto do varejo, ajustar mix, entender melhor o comportamento de compra e acelerar respostas comerciais. O escritório, nesse sentido, aparece menos como símbolo institucional e mais como instrumento de mercado.

Foi nesse contexto que o anúncio ganhou densidade para além do rebranding. Ao apresentar a estratégia de marketing e produto, Eduardo Rizzo, gerente de Marketing da Frimesa, destacou a revisão do portfólio, a descontinuação de itens, as melhorias promovidas e a estruturação de um pipeline de inovação.

Em outro momento da apresentação, a empresa apontou que 66% do portfólio atual estava voltado a transformadores, sinalizando a intenção de avançar em direção ao consumidor final, com mais presença no supermercado e no prato dos brasileiros. A mudança ajuda a explicar por que a imagem da carcaça perdeu força como símbolo de estratégia.

O recado da Frimesa foi que a próxima etapa de crescimento da carne suína não será sustentada apenas por escala ou competitividade industrial. Ela dependerá da capacidade de gerar mais valor por meio de industrialização, posicionamento, marca e aderência ao consumo real das famílias.

Essa lógica apareceu repetidamente na apresentação. A empresa insistiu em atributos como certificação, rastreabilidade, origem conhecida, segurança do alimento e proximidade com o consumidor.

O selo de “suíno certificado”, que deve passar a assinar as embalagens, foi apresentado como instrumento para reforçar a mensagem de que a Frimesa é especialista em carne suína e controla sua cadeia de forma auditável. Nesse contexto, a mudança de identidade visual faz mais sentido como ferramenta comercial do que como simples operação estética.

O roxo, destaque do novo sistema visual, foi apresentado como um recurso para construir um código próprio num ambiente de gôndola ocupado por marcas que já disputam atenção com cores muito semelhantes entre si. A marca, porém, foi tratada no evento como desdobramento de algo maior, que é o reposicionamento alinhado à trajetória da empresa, às exigências do varejo e aos novos hábitos de consumo.

O trabalho apresentado por Marcos Bedendo, consultor da BrandWagon, e pelo time envolvido no projeto mostrou que a intenção não era promover ruptura vazia, mas alinhar origem cooperativista, verdade do alimento, força industrial e leitura de mercado. A nova fase da Frimesa tenta tornar a carne suína mais aderente a dois territórios de consumo que devem puxar a marca, que são a refeição principal do dia a dia e os momentos de celebração em família.

O sinal mais relevante emitido em São Paulo foi o de que, em vez de tratar a carne suína apenas como proteína competitiva por preço, a Frimesa tenta reposicioná-la como alimento confiável, prático, certificado e capaz de ocupar mais momentos da rotina do consumidor. O mercado ainda vai testar a força dessa aposta, mas a mensagem da cooperativa é de que a disputa agora não é só por escala, mas por valor.


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