Nutrição e Alimentação

Intestino saudável, granja lucrativa: os pilares da nova suinocultura

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Intestino saudável, granja lucrativa: os pilares da nova suinocultura

Por Cândida Azevedo, Coordenadora Técnica suínoBrasil

  • Produtor: Bom dia! Eu queria entender melhor esse negócio de saúde intestinal. Tanta gente fala disso hoje em dia, mas não sei se realmente faz tanta diferença assim na produção…

Técnico: Bom dia! Que bom que você trouxe essa questão. Quando falamos de saúde intestinal, temos que ter em mente que este tema é um dos pilares para o sucesso da suinocultura moderna. 

Ela influencia diretamente o desempenho dos animais, a conversão alimentar, a sanidade e até a lucratividade da granja.

  • Produtor: Mas não é só alimentar bem que resolve? Se eu dou uma ração de qualidade, o intestino já não vai estar funcionando bem?

Técnico: Entenda que alimentação é fundamental, sim, mas a saúde intestinal vai além disso

O intestino precisa estar íntegro, com uma microbiota equilibrada, boa absorção de nutrientes e sem inflamações. Mesmo uma ração de qualidade pode não ser bem aproveitada se houver disbiose, presença de patógenos ou dano à mucosa intestinal.

  • Produtor: E como isso afeta o desempenho na prática?

Técnico: Vamos a um exemplo. Um leitão com saúde intestinal comprometida não consegue absorver bem os nutrientes. Ele consome a ração, mas parte do alimento não é bem aproveitado. Resultado? Perda de peso, pior conversão alimentar, desuniformidade do lote e maior tempo para atingir o peso ideal de abate. Isso gera custo extra com ração e reduz a eficiência produtiva.

Técnico: Exatamente! A saúde intestinal é a base para uma boa digestão e absorção. E mais: 70% do sistema imunológico do suíno está no intestino. Ou seja, intestino saudável também significa animal mais resistente.

Técnico: Sem dúvida. O desmame é um dos momentos mais críticos. O leitão passa por mudanças drásticas: separação da mãe, troca de ambiente, nova alimentação. Isso tudo afeta diretamente o intestino. O estresse reduz a produção de muco protetor, prejudica a microbiota e favorece infecções.

Técnico: Exatamente. E diarreia pós-desmame não é apenas um problema clínico, mas também econômico. Um lote que enfrenta esse tipo de desafio pode ter aumento da morbidade e mortalidade, necessidade de uso de antibióticos e pior desempenho produtivo.

Técnico: Uma microbiota equilibrada e uma mucosa intestinal íntegra funcionam como barreiras naturais contra patógenos. Quando o intestino está saudável, a necessidade de intervenção com antibióticos cai drasticamente. Isso também é importante do ponto de vista da biosseguridade e do mercado consumidor, cada vez mais exigente.

Técnico: Existem várias estratégias que podem ser combinadas, conforme a realidade de cada granja. O ponto de partida é sempre o manejo adequado — evitar estresse, garantir conforto térmico, água de qualidade, ração e limpeza e desinfecção das instalações. Depois, entramos com suporte nutricional e aditivos funcionais.

Técnico: Probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais, fibras funcionais, enzimas e imunomoduladores como os beta-glucanos. 

Eles auxiliam n manutenção do equilíbrio da microbiota, reduzem a carga de patógenos, fortalecem a imunidade e protegem a mucosa intestinal.

Técnico: Neste caso, o uso dos aditivos devem seguir o acompanhamento de um  técnico. O ideal é entender os desafios específicos da sua granja e formular um programa personalizado. 

Em algumas situações, por exemplo, o uso de ácidos orgânicos na fase de creche pode ser mais estratégico, enquanto em outras pode-se investir mais em probióticos ou fibras fermentáveis. O aditivo ideal dependerá do desafio que a sua granja está enfrentando no momento.

Técnico: A tendência mundial é a redução do uso desses antimicrobianos. Muitos mercados já proibiram, inclusive. Por isso, investir na saúde intestinal é também uma forma de preparar sua granja para as exigências do futuro. Além disso, a performance dos animais pode ser mantida — ou até melhorada — com o uso correto dos aditivos alternativos.

Técnico: E investir em saúde intestinal traz ganhos em vários níveis: 

Técnico: Tem sim. Em diversas pesquisas, granjas que adotaram programas de suporte à saúde intestinal conseguiram melhorar em até 5% a conversão alimentar e reduzir a mortalidade na creche em até 30%. Claro que os resultados variam conforme o manejo, genética, sanidade e outros fatores, mas os ganhos são consistentes.

Técnico: Depende da estratégia adotada. Algumas ações, como o uso de aditivos, já mostram efeito em 14 a 21 dias. Outras, como mudanças de manejo e ambiente, levam mais tempo, mas os benefícios são duradouros. O importante é ter constância e acompanhamento técnico.

Técnico: Sem dúvida. Saúde intestinal é produtividade sustentável. É um dos principais caminhos para garantir alta performance com sanidade e respeito às novas demandas do mercado.

Técnico: Esse é o caminho! O intestino é mais que um órgão de digestão — é o centro de equilíbrio do animal. E cuidar dele é cuidar da rentabilidade da sua granja.

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