14 dez 2022

Lenta recuperação e bons sinais para 2023, veja como a suinocultura brasileira encerra 2022

A suinocultura brasileira termina o ano de 2022 com perdas pela crise mas com a expectativa de 2023 com recuperação financeira do setor. Leia mais!

Lenta recuperação e bons sinais para 2023, veja como a suinocultura brasileira encerra 2022

Lenta recuperação e demonstra bons sinais 2023, veja como a suinocultura brasileira encerra 2022

No primeiro trimestre de 2021 a suinocultura brasileira mergulhou em uma das mais profundas e longas crises da história, com alto custo e oferta elevada de suínos, resultante do crescimento significativo da produção e redução do ritmo de exportações, além de um mercado consumidor interno em crise.

Entramos 2022 com os preços pagos ao produtor em queda livre, chegando ao pior cenário em fevereiro deste ano, quando o valor médio da carcaça em São Paulo ficou próximo a R$ 8,00/kg (gráfico 1) e o suíno vivo não chegou a R$ 6,00 (gráfico 2) em nenhuma praça produtora. Porém, conforme demonstra de forma muito clara o gráfico 1, desde março/22 o preço vem subindo de forma lenta e gradual, com um pequeno recuo em setembro e a retomada do crescimento já no mês de outubro.

Gráfico 1. Preço da carcaça suína especial (R$/kg) em São Paulo (SP) de janeiro a dezembro de 2022 (até dia 12/12/22). Fonte: CEPEA
Gráfico 2. Preço do suíno vivo (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e de janeiro a dezembro de 2022 (até dia 12/12/22). Destaque para o mês de fevereiro/22. Fonte: CEPEA

No boletim de novembro, analisando os números de abate do IBGE até setembro, ficou evidente a redução do ritmo de crescimento da produção, o que colaborou com o ajuste de oferta que, junto com o significativo aumento das exportações no segundo semestre deste ano (tabela 1) determinou um maior equilíbrio entre oferta e demanda interna de carne suína.

Tabela 1. Volumes exportados totais e para a China de carne suína brasileira in natura de janeiro a novembro de 2021 e 2022 (em toneladas) e valor médio em dólar para China e total.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados da Secex

Já as exportações que vinham patinando no início do ano, desde agosto/22, quando o recorde de volume embarcado em um único mês foi quebrado, têm acumulado ganhos em relação ao mesmo período do ano passado, chamando a atenção para o crescimento constante do preço unitário em dólar, mês a mês, atingindo o valor médio de US$ 2.558,00 em novembro, o melhor valor desde junho do ano passado.

Quando se analisa a China separadamente, o valor médio embarcado chegou a US$ 2.669 em novembro/22, uma diferença de quase 600 dólares (26,6%) a mais do que pagou em janeiro/22.

Importante destacar que a China este ano reduziu em 55% as importações totais de carne suína (MBAgro), porém o Brasil reduziu em somente 20% os embarques para o gigante asiático, ou seja, aumentamos significativamente nossa participação no maior importador mundial. Esta consolidação da parceria comercial junto ao mercado chinês e a ampliação de outros mercados, como Filipinas e Tailândia, aliado ao viés de alta do preço internacional da carne suína devem determinar um volume de embarques satisfatório para o ano que vem.

Com relação aos insumos, observa-se uma relativa estabilidade nas cotações do milho, se mantendo em patamar elevado, mas abaixo das médias do ano passado (gráfico 3) e sem sinais de alta considerável no curto prazo. Já o farelo de soja voltou a subir nas últimas semanas, o que mantém os custos de produção elevados.

Gráfico 3. Preço do milho (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, de janeiro/21 a dezembro/22 (até dia 09/12/22). Fonte: CEPEA

O que chama a atenção é que muitos produtores que sempre trabalharam com estoques substanciais de insumos, e que operavam ativamente no mercado futuro de grãos, estão praticamente comprando “da mão para a boca” e arriscando muito pouco nas compras antecipadas. Isto é fruto não somente da descapitalização dos suinocultores, que tiveram que sacrificar o caixa e se endividar para suportar a crise, mas também em função das incertezas em relação à conjuntura nacional e internacional, além de taxas de juro elevadas.

Esta é uma situação que causa certa preocupação para o ano que vem, pois se houver frustração de safra ou qualquer outro fator que pressione as cotações dos grãos para cima, deixará boa parte dos suinocultores mais vulnerável a prejuízos financeiros.

Sobre a safra 2022/23, embora o último boletim da CONAB publicado dia 08/12/22, indique recorde de produção de soja e milho, ainda é cedo para se ter certeza de que teremos clima favorável para que isso se concretize, porém os riscos climáticos ainda são considerados baixos. No cenário internacional, problemas na safra argentina, redução da produção da Ucrânia e aumento da demanda chinesa, podem pressionar os preços do milho para cima e motivarem maior exportação brasileira deste grão nos próximos meses e no segundo semestre de 2023.

“Deveremos encerrar o ano de 2022 com crescimento da produção de suínos ao redor de 6% em relação a 2021, exportações em volumes similares aos do ano passado e com um novo recorde de consumo per capita ano de carne suína, superando a marca dos 19kg. Para o ano que vem espera-se um crescimento do abate entre 3 e 5% e um incremento das exportações ao redor de 2%, determinando um melhor ajuste entre oferta e demanda no mercado doméstico”, explica o presidente da ABCS, Marcelo Lopes.

Em resumo, o ano de 2022 termina estancando as perdas de uma crise profunda na suinocultura brasileira, com a expectativa de que no ano que vem inicie a recuperação financeira do setor.

 


Relacionado com Agronegócios
Sectoriales sobre Agronegócios
país:1950

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

EDIÇÃO suínoBrasil 4º TRI 2025
Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025

Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025

Iuri Pinheiro Machado
Eco Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna

Eco Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna

Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões

Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões

Cristiano Marcio Alves de Souza Filipe Bittencourt Machado de Souza Jéssica Mansur S. Crusoé Leonardo França da Silva Victor Crespo de Oliveira
DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura

DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura

Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal

Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal

Bruno Bracco Donatelli Muro César Augusto Pospissil Garbossa Erich Herzogenrath Cavaca Inácio Matheus Saliba Monteiro Rafaella Fernandes Carnevale Roberta Yukari Hoshino
Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria

Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria

Luiz Felipe Caron
Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento

Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento

Renato Philomeno
Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos

Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos

Equipe Técnica Biochem Brasil
Programa nutricional para leitões recém-desmamados: redução proteica com suplementação de aminoácidos

Programa nutricional para leitões recém-desmamados: redução proteica com suplementação de aminoácidos

Allan Paul Schinckel Amoracyr José Costa Nuñez Kallita L. S. Cardoso Mariana Garcia de Lacerda Vivian Vezzoni de Almeida
Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos

Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos

Jessica Carolina Reis Barbosa Roberto Maurício Carvalho Guedes
Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados

Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados

Gefferson Almeida da Silva José Paulo Hiroji Sato Jovan Sabadin Viviana Molnár-Nagy
Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha

Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha

Priscila Beck
Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos

Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos

Priscila Beck
Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?

Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?

Cândida Azevedo

JUNTE-SE À NOSSA COMUNIDADE SUÍNA

Acesso aos artigos em PDF
Informe-se com nossas newsletters
Receba a revista gratuitamente na versão digital

DESCUBRA
AgriFM - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería