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Manejo em bandas: 7, 14, 21 ou 28 dias? A escolha que redefine a granja

Manejo em bandas: 7, 14, 21 ou 28 dias? A escolha que redefine a granja

7, 14, 21 ou 28 dias não representam apenas diferentes intervalos entre lotes. Na prática, a escolha do modelo de manejo em bandas interfere no número de grupos presentes em cada fase, na idade ao desmame, na rotina reprodutiva, no vazio sanitário, na utilização das instalações, na organização das equipes e até no fluxo da fábrica de ração.

A amplitude dessa decisão foi apresentada por Antônio Leomar, da PIG3 Consultoria, durante a programação da manhã do 6º Encontro da ABRAVES-SP. Com cerca de 30 anos de experiência em gestão e consultoria suinícola, ele defendeu que o manejo em bandas deve ser tratado como uma ferramenta de organização do sistema produtivo, e não como uma receita pronta.

“Não existe um manejo único que dê certo para todas as granjas. Cada unidade precisa encontrar o modelo que melhor atende às suas necessidades.”

Antes da mudança, recomendou, é necessário avaliar o tamanho do plantel, a disponibilidade e a qualidade da mão de obra, o número de gaiolas e salas, os desafios sanitários existentes e o objetivo que justifica a migração. A equipe também precisa compreender e aceitar a nova lógica de trabalho.

Antônio Leomar, da PIG3 Consultoria

O que muda quando os lotes são concentrados

No fluxo semanal, coberturas, partos e desmames se repetem todas as semanas. No manejo em bandas, as fêmeas são agrupadas para que esses eventos ocorram em intervalos regulares. Quanto maior o intervalo, menor é o número de lotes simultaneamente presentes na granja.

Os números apresentados por Leomar mostram a dimensão da mudança:

Nas fases de creche e terminação, os valores fracionados da banda de 28 dias indicam uma alternância: em determinados momentos, a granja terá um lote e, em outros, dois lotes na creche; na terminação, haverá três ou quatro. O cálculo considera o intervalo entre lotes e os períodos de ocupação de cada fase.

O primeiro efeito aparece na maternidade

Para Leomar, o ganho sanitário tende a ser um dos efeitos mais visíveis da migração. A redução das idades presentes simultaneamente na maternidade limita a mistura entre lotes, facilita o manejo “todos dentro, todos fora” e cria condições para uma limpeza e desinfecção completas antes da entrada do grupo seguinte.

No fluxo semanal, há partos em todas as semanas, mantendo continuamente animais de idades diferentes e a pressão de infecção. Na banda de 14 dias, uma semana com parto é sucedida por outra sem o evento. Na banda de 21 dias, há duas semanas sem novos partos; na de 28 dias, três.

Leomar relatou o caso de uma granja que enfrentava diarreia neonatal e coccidiose e migrou para bandas de 14 dias. Segundo ele, a quebra do ciclo sanitário foi tão nítida que a unidade permaneceu cinco anos sem necessidade de utilizar anticoccidiano. Atualmente o produto voltou a ser empregado, mas o exemplo, ressaltou, demonstrou o efeito que a organização dos lotes exerceu naquele sistema.

“Se você acerta bem o lote na banda de 28 dias, acertou o mês inteiro. Com uma única idade na maternidade, uma boa limpeza e desinfecção aumentam muito a possibilidade de quebrar o ciclo dos agentes.”

A literatura técnica também relaciona o manejo em bandas à maior efetividade do vazio sanitário e à redução do contato entre animais de diferentes idades. Isso não significa, entretanto, que o calendário substitua as medidas de biosseguridade: a execução correta da limpeza, da desinfecção e do fluxo de pessoas e animais continua determinante.

Menos origens reduzem a complexidade na terminação

Outro benefício destacado diz respeito aos sistemas que abastecem a terminação com leitões provenientes de várias granjas. Cada origem carrega seu próprio histórico sanitário, idade, peso e condições de manejo. Ao reunir animais de diferentes procedências para completar um alojamento, aumentam os desafios sanitários, nutricionais e logísticos.

A concentração da produção em lotes maiores permite completar instalações com menor número de origens. Quando a granja produtora pertence ao mesmo sistema, torna-se possível enviar grupos mais próximos em idade, reduzir a dispersão de pesos e aproveitar melhor o transporte.

O efeito nutricional também importa. Com animais muito diferentes dentro do mesmo galpão, a ração precisa atender uma média que pode não ser adequada aos leitões mais jovens nem aos mais avançados. A maior homogeneidade de idade e origem não elimina a variabilidade, mas reduz a complexidade que chega à creche e à terminação.

A rotina de trabalho muda em cada modelo

A concentração dos eventos permite separar atividades que, no fluxo semanal, disputam atenção da mesma equipe. A programação apresentada na palestra foi:

A posição exata das atividades pode mudar conforme o dia escolhido para o desmame. Leomar exemplificou que, quando ele ocorre na sexta-feira, as coberturas podem avançar pelo fim de semana e terminar no início da semana seguinte. Portanto, a definição do calendário precisa refletir a rotina real da granja, e não apenas um quadro teórico.

Equipe volante transforma concentração em especialização

Um dos pontos mais enfáticos da apresentação foi o uso de equipes volantes: profissionais treinados nos manejos críticos que se deslocam entre granjas conforme a semana de parto, desmame ou reprodução de cada unidade.

A equipe pode assumir assistência ao parto, colostragem, processamento dos leitões, aplicação de ferro, manejo pré-desmame, detecção de cio e inseminação artificial. Ao concluir o trabalho em uma granja, segue para a próxima, na qual o mesmo evento está começando.

Na avaliação pessoal de Leomar, as pessoas respondem por aproximadamente 70% do resultado de uma granja; instalações, genética e nutrição completariam os demais 30%. Mais do que o percentual, o argumento central é que estruturas e tecnologias semelhantes podem produzir resultados muito diferentes quando muda a qualidade da execução.

“A genética nos entregou uma matriz capaz de produzir um número muito alto de leitões. Nós precisamos pegar esses leitões e transformá-los em resultado. Nascer, eu tenho que salvar; desmamar, eu tenho que rentabilizar.”

Leomar citou sua própria experiência em uma granja pequena, que mantém uma pessoa dedicada à colostragem. Para ele, a evolução do tamanho das leitegadas tornou incompatível tratar o nascimento de 16 ou 20 leitões como se as exigências de manejo fossem as mesmas.

A fábrica de ração também entra na conta

A influência do manejo em bandas ultrapassa os galpões. Leomar apresentou o exemplo de uma fábrica de ração que atende quatro granjas de ciclo completo em fluxo semanal. Cada unidade demanda três rações de reprodução, quatro de creche e quatro de terminação. São 11 tipos por granja e até 44 demandas semanais quando se consideram as quatro unidades.

Com os lotes concentrados e as fases escalonadas, uma fábrica que atende granjas organizadas em bandas de 21 dias pode distribuir as formulações ao longo das semanas e produzir apenas um ou poucos tipos de ração por dia. Isso simplifica o cronograma, facilita o cumprimento da ordem de sensibilidade das fórmulas e reduz o risco de contaminação cruzada.

As rações de reprodução continuam sendo produzidas continuamente, pois as matrizes permanecem em diferentes fases da gestação. A principal redução de complexidade ocorre nas dietas de creche e terminação, acompanhando a entrada concentrada dos lotes.

Natural, artificial ou mista

A passagem do fluxo semanal para bandas de 14, 21 ou 28 dias pode ser realizada de três formas. Na migração natural, não há uso de hormônio. O agrupamento depende do prolongamento da lactação, do salta-cio ou, em algumas situações, do desmame antecipado. A estratégia pode exigir instalações adicionais e cuidados específicos de ambiente, nutrição e manejo para leitões desmamados mais jovens.

Na forma artificial, utiliza-se um progestágeno, como o altrenogest, para sincronizar as fêmeas com os grupos definidos. Leomar chamou atenção para a necessidade de assegurar o consumo correto e individual da dose. Falhas de ingestão comprometem a sincronização.

A forma mista combina recursos naturais e hormonais, buscando reduzir o custo com medicamentos sem perder o alinhamento dos lotes. A escolha depende do intervalo pretendido e da posição de cada grupo no momento da transição.

O custo não se limita ao hormônio

Os cálculos apresentados foram estimados para uma granja de 500 matrizes. Além do custo hormonal por matriz alojada, Leomar considerou o aumento dos dias não produtivos (DNP) e a redução dos partos por fêmea ao ano (PFA).

Os valores devem ser interpretados como uma simulação apresentada pelo palestrante, não como orçamento universal. O custo dos produtos, o tamanho do plantel, a estratégia de transição e a estrutura disponível alteram a conta. Ainda assim, o quadro evidencia por que avaliar apenas o preço do hormônio é insuficiente: uma alternativa sem medicamento pode gerar dias não produtivos ou reduzir o número de partos por fêmea ao ano.

A idade ao desmame impõe limites ao calendário

O encaixe entre intervalo de banda, ocupação da maternidade e idade ao desmame exige atenção. Na banda de 14 dias com desmame programado aos 21 dias, uma alternativa é desmamar as porcas mais velhas do grupo anterior; outra é reter determinadas fêmeas como mães de leite até o nascimento da banda seguinte, prolongando a lactação.

Na banda de 21 dias, as mães de leite podem ser manejadas de forma semelhante ao fluxo semanal quando o desmame ocorre aos 21 dias. Para desmamar aos 28 dias, elas são organizadas uma semana antes, dentro da semana de partos. Leomar considera esse modelo uma boa possibilidade para unidades que pretendem elevar a idade ao desmame, desde que a capacidade da maternidade seja redimensionada.

Segundo ele, uma granja estruturada para desmamar aos 21 dias precisaria ampliar em torno de 50% o número de gaiolas para adotar a banda de 21 dias com desmame aos 28. O mesmo acréscimo não permitiria desmamar aos 21 dias dentro desse intervalo, porque faltaria tempo para retirar o lote, lavar, desinfetar e preparar as instalações antes da chegada da banda seguinte.

A banda de 28 dias concentra ainda mais as atividades, mas é operacionalmente mais difícil. Para prolongar a lactação, a granja pode precisar manter parte das fêmeas enquanto o lote seguinte chega à maternidade, o que exige espaço e planejamento rigoroso.

Reprodução exige disciplina entre as bandas

No manejo em bandas, não é recomendável compensar aleatoriamente coberturas fora do grupo apenas para alcançar uma meta numérica. Cumprir o alvo de cobertura dentro da janela programada é indispensável para preservar o tamanho e a regularidade dos lotes.

A banda de 21 dias apresenta uma facilidade específica: quando é necessário saltar o cio de uma fêmea, o ciclo seguinte tende a coincidir com a próxima banda, reduzindo a necessidade de hormônio para reposicioná-la. Já retornos ao cio, abortos e fêmeas muito debilitadas podem se tornar mais difíceis de encaixar em intervalos diferentes.

Por isso, Leomar defendeu comunicação permanente entre as equipes de gestação e maternidade. Problemas ocorridos durante a lactação podem alterar o momento da cobertura; falhas reprodutivas, por sua vez, comprometem o preenchimento das instalações e o fluxo das fases seguintes.

Reposição programada e sincronização de leitoas

A concentração das coberturas facilita programar a compra ou a produção de grupos maiores de leitoas com idade e peso semelhantes. No exemplo da banda de 21 dias, Leomar mencionou cinco compras anuais, com recebimentos em três faixas de peso: 50, 70 e 90 quilos. O planejamento melhora a formação dos lotes e permite utilizar o hormônio apenas nas fêmeas que realmente precisam ser reposicionadas.

O protocolo hormonal padrão apresentado considerou 18 dias de altrenogest. Na experiência relatada na granja Cinco Estrelas, porém, o histórico do último cio antes da cobertura é utilizado para prever o encaixe das leitoas. Segundo Leomar, aproximadamente 50% delas coincidem naturalmente com a semana de cobertura. Nas demais, o número de dias de hormônio é ajustado conforme a posição no ciclo.

Ele ressaltou que se trata de uma estratégia desenvolvida e validada naquela granja. O uso de protocolos hormonais exige treinamento, conhecimento reprodutivo e acompanhamento técnico; não deve ser reproduzido apenas a partir de um calendário resumido.

Não existe banda ideal

A mensagem final da palestra foi menos prescritiva do que o título do tema poderia sugerir. O manejo em bandas pode melhorar o padrão sanitário, padronizar o fluxo, otimizar instalações, concentrar e especializar a mão de obra, reduzir a mistura de origens e organizar a fabricação de ração. Também pode aumentar dias não produtivos, reduzir partos por fêmea ao ano, exigir mais espaço e criar períodos de trabalho extremamente concentrado.

O sucesso depende de planejamento, treinamento em reprodução e hormonioterapia, disciplina para preservar os grupos e adesão da equipe. Para Leomar, um manejo deve ser julgado pelos resultados que entrega em cada realidade produtiva, não por sua proximidade com um modelo considerado padrão.

“O manejo em bandas não é a salvação da lavoura. É uma ferramenta importante para trabalhar de maneira diferente, encontrar o ponto de equilíbrio da granja e ganhar mais dinheiro.”

A pergunta decisiva, portanto, não é qual intervalo parece mais moderno, mas qual organização permite à granja controlar melhor seus riscos sanitários, reprodutivos, humanos e econômicos. Entre 7, 14, 21 ou 28 dias, a melhor escolha será aquela que o sistema consegue executar com regularidade e transformar em resultado.

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