Salmonelose pressiona da granja ao frigorífico e mobiliza debate técnico promovido pela Boehringer Ingelheim
Especialistas reunidos em Indaiatuba discutiram o avanço dos casos clínicos, os pontos críticos de contaminação no abate e as estratégias para reduzir o impacto sanitário e produtivo da doença na suinocultura.

Salmonelose pressiona da granja ao frigorífico e mobiliza debate técnico promovido pela Boehringer Ingelheim
A salmonelose deixou de ser um tema periférico na suinocultura para ocupar um espaço cada vez mais sensível dentro da cadeia, da granja ao frigorífico. Foi sob esse pano de fundo que a Boehringer Ingelheim promoveu, na última terça-feira (17/03), o evento Salmonella Experts, reunindo produtores de suínos de São Paulo, especialistas e lideranças da companhia para discutir os principais desafios ligados à prevenção, ao controle e ao impacto da enfermidade no sistema produtivo.
O debate ganha relevância num momento em que a salmonela se mantém como ponto de atenção para a cadeia suinícola, com reflexos que alcançam a sanidade animal, o desempenho produtivo e a segurança dos alimentos.
Na abertura do encontro, Abílio Alessandri, diretor da unidade de Aves e Suínos da Boehringer Ingelheim, situou a salmonelose como um problema que extrapola o universo clínico e exige atenção por seu impacto sanitário, produtivo e também na qualidade final do alimento.

Abílio Alessandri destaca a salmonelose como um desafio que vai além da saúde animal, impactando toda a cadeia produtiva e a qualidade dos alimentos.
Pressão de infecção e persistência
Roberto Guedes, professor da Escola de Veterinária da UFMG e uma das principais referências em sanidade suína no Brasil, aprofundou essa visão ao destacar que a salmonela não pode ser tratada como um desafio isolado ou pontual, já que diferentes sorovares circulam no sistema de produção e a pressão de infecção dentro das granjas continua sendo um dos fatores centrais para a persistência do problema.
O professor reforçou que o objetivo prático do controle não é imaginar granjas totalmente livres, mas trabalhar para reduzir a pressão de infecção e, com isso, diminuir a chance de eliminação e disseminação do agente. Ao longo de sua apresentação, Guedes chamou atenção para a importância de medidas integradas de biosseguridade, limpeza e desinfecção, além da necessidade de compreender melhor o comportamento dos sorovares mais associados à suinocultura.
O professor destacou a variante monofásica de Salmonella Typhimurium como um dos perfis que mais ganharam espaço nos últimos anos, ao lado de outros sorovares com relevância clínica e epidemiológica.
Do alojamento ao abate
A pesquisadora Jalusa Kich, da Embrapa Suínos e Aves, ampliou esse diagnóstico ao mostrar que o desafio da salmonela não se encerra dentro da granja. Em sua exposição, a pesquisadora ressaltou que o transporte, a espera pré-abate e os processos de abate podem ampliar a pressão de contaminação, sobretudo quando os animais já chegam portando ou excretando a bactéria.
Segundo a pesquisadora, quando a carga de animais excretando salmonela é elevada na chegada ao frigorífico, a indústria passa a operar sob uma condição de risco muito mais difícil de controlar, mesmo com estrutura e manejo adequados. Os dados apresentados por Jalusa também reforçaram a percepção de agravamento do problema.
A pesquisadora mostrou crescimento dos diagnósticos clínicos de salmonelose no Cedisa e destacou a permanência da bactéria ao longo do sistema produtivo, além de fontes de contaminação que incluem ração, vetores, falhas de higienização de caminhões e pontos críticos nas instalações. Em outro momento, associou o avanço da discussão sobre salmonela à pressão crescente por segurança dos alimentos e à preocupação internacional com resistência a antimicrobianos.
Estratégia vai além de uma única ferramenta
Esse encadeamento entre granja, transporte, abate e segurança alimentar foi o que deu o tom mais forte ao Salmonella Experts. Em vez de restringir a discussão a uma única ferramenta de controle, o evento procurou evidenciar que a salmonelose exige estratégia múltipla, combinando manejo, biosseguridade, monitoramento, redução de pressão de infecção e, quando aplicável, ferramentas vacinais.
Foi nesse ponto que a médica-veterinária Luciana Fiorin Hernig, coordenadora técnica da Boehringer Ingelheim, trouxe o olhar mais aplicado do encontro, apresentando resultados de campo ligados à vacinação oral e ao efeito dessa estratégia sobre a redução de animais excretores e portadores no momento do abate.

Luciana Fiorin Hernig apresenta dados de campo que comprovam: a vacinação oral contra salmonela reduz a excreção, melhora índices sanitários e ainda gera ganhos produtivos no final da terminação.
Em sua apresentação, Luciana mostrou dados de campo em que a positividade em linfonodos ileocecais caiu para 2,5% nos animais vacinados, contra 17,5% no grupo controle. Também relatou redução da pressão de excreção no frigorífico e ganho adicional de 1,2 quilo ao final da terminação nos animais vacinados, reforçando a percepção de que o controle da salmonela pode trazer reflexos não apenas sanitários, mas também produtivos.
Além dos números, a apresentação aproximou a discussão técnica da rotina de granja ao abordar a aplicação oral como alternativa operacional viável, inclusive com possibilidade de associação a outras práticas sanitárias já incorporadas ao manejo. Com isso, a fala entrou menos como apelo comercial e mais como exemplo de como o controle da salmonela vem sendo traduzido em rotina operacional dentro das granjas e na interface com o frigorífico.
Produtores e especialistas diante de um mesmo desafio
Ao reunir produtores de suínos de São Paulo, pesquisadores, especialistas e equipe técnica da própria companhia, o Salmonella Experts deu ao debate um caráter mais aplicado, aproximando o diagnóstico científico da realidade enfrentada no campo e da pressão que chega ao frigorífico.
O encerramento reforçou esse esforço de conexão entre conhecimento técnico e valorização da cadeia. Após as apresentações, os participantes acompanharam um workshop sobre cortes suínos conduzido por José Roberto Pozzebon, especialista em cortes suínos e consultor técnico, em uma experiência que trouxe ao centro da programação a valorização do produto final e das possibilidades de aproveitamento da carne suína.
Em um cenário em que a salmonela continua exigindo atenção crescente da cadeia, a escolha de pautar o tema com profundidade técnica ajuda a explicar por que a doença vem ganhando centralidade cada vez maior nas decisões da suinocultura. Mais do que discutir uma enfermidade específica, o Salmonella Experts mostrou que controlar salmonela hoje significa olhar para a cadeia inteira.
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