Biosseguridade suínos: cinco frentes para reduzir riscos
No World Nutrition Forum 2026, Satoshi Otake alertou que o risco de transmissão por aerossóis não justifica negligenciar pessoas, materiais e transporte

Biosseguridade suínos: cinco frentes para reduzir riscos
Em regiões com alta concentração de suínos, saber que um vírus pode chegar pelo ar às vezes provoca uma reação que preocupa o médico-veterinário Satoshi Otake, que é a ideia de que não há mais o que fazer para proteger a granja. Segundo ele, essa percepção pode levar ao abandono de medidas capazes de reduzir a exposição por outras vias, como pessoas, materiais e transporte.
“Não culpe sempre o ar”, alertava um dos slides apresentados durante o World Nutrition Forum 2026, organizado pela dsm-firmenich em Kuala Lumpur (Malásia), acompanhado exclusivamente pela agriNews Brasil. A frase, traduzida do inglês, sintetiza a orientação prática de que reconhecer a transmissão por aerossóis exige atenção a essa rota, enquanto as demais barreiras precisam continuar funcionando.
Presidente da Swine Extension & Consulting, no Japão, Otake relatou encontrar essa reação entre produtores em áreas de elevada densidade de criação, onde a preocupação com a transmissão pelo ar pode levar à desistência de outros cuidados sanitários. Mesmo quando a filtragem do ar não é viável para uma propriedade, destacou, o controle das demais rotas de entrada continua ao alcance da equipe.
Otake usou a síndrome reprodutiva e respiratória suína (PRRS), como exemplo para discutir o controle de doenças virais, relacionando a prevenção da entrada de novos agentes ou variantes à redução da circulação daqueles já presentes no rebanho. Essa abordagem amplia o olhar sobre a biosseguridade para incluir o manejo realizado depois que o patógeno ultrapassa as barreiras externas.
Segundo o veterinário, o controle da circulação interna costuma receber menos atenção, embora seja necessário para limitar a transmissão entre animais e reduzir a disseminação de patógenos para outras propriedades. Foi com esse entendimento que ele resumiu, nos slides, a proteção sanitária em três objetivos complementares: impedir a entrada dos agentes, sua circulação dentro da granja e sua saída para o entorno.
A proposta apresentada pelo médico veterinário reúne cinco frentes que, segundo Otake, precisam funcionar de forma integrada: imunidade do rebanho, fluxo de animais, biosseguridade, diagnóstico e monitoramento, além de comunicação e educação. Ao organizar essas ferramentas em um mesmo programa, o gestor pode avaliar como as decisões em cada área contribuem para a prevenção e onde uma falha compromete o trabalho das demais.
Nos anais do evento, Otake detalha o manejo imunológico de matrizes e leitoas e a organização do sistema de produção, incluindo o manejo todos dentro, todos fora. Essas medidas são acompanhadas pelo diagnóstico e pelo monitoramento, que envolvem tanto a escolha dos testes e das amostras quanto a interpretação dos resultados, com recursos como sorologia, PCR e amostragem de fluidos orais e de processamento.
Ao conectar essas ferramentas às decisões de manejo, Otake destacou que o conhecimento sobre o agente e suas rotas de transmissão deve orientar as barreiras sanitárias, enquanto o acompanhamento do rebanho permite avaliar a resposta à estratégia adotada. O programa depende, assim, da articulação entre as informações obtidas no monitoramento e os procedimentos executados na propriedade.
Para que esse conhecimento se traduza em execução, Otake enfatizou a necessidade de uma comunicação compreensível a quem realiza o trabalho no campo, associada a treinamento, auditoria e motivação, também previstos nos anais. A orientação é especialmente relevante para a gestão das equipes, já que a continuidade dos procedimentos depende de veterinários, produtores e funcionários entenderem o que deve ser feito e a razão de cada cuidado.
Ao avaliar as medidas de prevenção, Otake propôs considerar base científica, viabilidade prática, eficácia com análise de custo e benefício, continuidade de execução e possibilidade de mensuração. Esses critérios, segundo ele, precisam orientar a escolha de procedimentos suficientemente simples e organizados para serem cumpridos na rotina, sem perder a capacidade de reduzir o risco sanitário.
A continuidade foi uma das principais cobranças do veterinário, que alertou para a perda de proteção quando uma medida é executada corretamente em um dia e abandonada no seguinte. Para o gestor, isso implica avaliar as tecnologias em conjunto com as condições de aplicação na granja, a preparação da equipe e o acompanhamento dos resultados ao longo do tempo.
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