20 maio 2025

Brasil e Europa avançam na exportação de carne suína com retração dos EUA no mercado chinês

Tensões entre EUA e China reconfiguram mercado chinês, abrindo espaço para a carne suína brasileira e europeia.

Brasil e Europa avançam na exportação de carne suína com retração dos EUA no mercado chinês

Brasil e Europa avançam na exportação de carne suína com retração dos EUA no mercado chinês
As tensões comerciais entre Estados Unidos e China estão redesenhando o fluxo global de exportações de carne suína, criando oportunidades significativas para Brasil e Europa. A avaliação é do Global Pork Quarterly – Q2 2025, relatório divulgado pelo Rabobank na segunda-feira (19/5), assinado pela analista Christine McCracken e pela equipe global de proteína animal do banco.
Segundo o levantamento, embora a China siga comprometida com a autossuficiência — importando menos de 5% do total da carne suína que consome —, o país continua sendo o maior comprador mundial da proteína. A imposição de tarifas adicionais pelos chineses à carne suína dos Estados Unidos, ainda que com trégua parcial, deve reduzir a competitividade do produto americano, especialmente nas exportações de miúdos.
Com isso, os exportadores brasileiros e europeus ganham espaço. “As indústrias de carne suína do Brasil e da Europa estão entre as maiores beneficiadas pela ruptura comercial entre EUA e China”, afirma o relatório.
Recorde nas Exportações
No caso do Brasil, os números comprovam o bom momento. No primeiro trimestre de 2025, o país exportou 325 mil toneladas de carne suína — alta de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior — e arrecadou US$ 777 milhões, crescimento de 33%. Trata-se do maior volume já registrado para um primeiro trimestre, tanto em quantidade quanto em valor.
O destaque vai para as Filipinas, que se tornaram o principal destino da carne suína brasileira, com aumento de 86% nas compras. O país asiático respondeu por 21% do volume exportado pelo Brasil entre janeiro e março. Na contramão, a China reduziu suas importações em 22%, passando a representar apenas 16% do total vendido pelo Brasil.
Outros mercados também mostraram desempenho expressivo:
  • Hong Kong: +37% nas compras;
  • Japão: +77%;
  • México, Argentina, Uruguai e Singapura também com crescimento de dois dígitos.

Margens favoráveis
Apesar da valorização do milho, os produtores brasileiros conseguiram manter margens positivas no primeiro trimestre, de acordo com dados da Embrapa citados pelo Rabobank. O preço do milho subiu 8% no período, mas os preços do suíno vivo e da carne suína subiram mais: 28% e 33%, respectivamente.
As margens de produção ficaram entre 20% e 25%, impulsionadas por um estoque reduzido de animais e pela forte demanda no início do ano.
Custo e sanidade
O relatório também destaca que os custos com ração estão mais altos na América do Sul e partes da Ásia, enquanto América do Norte e Europa apresentam custos mais baixos. No Brasil, fatores como a desvalorização do real, estoques internos reduzidos e o aumento da demanda por biocombustíveis contribuem para encarecer os insumos.
Do ponto de vista sanitário, surtos de febre aftosa na Europa e casos de PRRSv (síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos) nos EUA ainda geram instabilidade. A novidade vem dos Estados Unidos, que aprovaram recentemente uma tecnologia de edição genética para criação de suínos resistentes ao PRRSv, apontada como uma solução promissora no longo prazo.

2025

Apesar das incertezas econômicas globais, o Rabobank prevê que os preços da carne suína devem continuar sustentados ao longo do ano, graças à oferta limitada e à demanda sólida em diversos mercados. No Brasil, a expectativa é de estabilidade nas margens dos produtores e manutenção do ritmo forte de exportações, mesmo com a volatilidade nos custos de alimentação.
O relatório, divulgado na tarde de 19/5, não faz menção à confirmação do foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Brasil, registrada em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. Também não são apontados, até o momento, possíveis impactos dessa ocorrência nos preços da carne suína, seja no mercado interno, seja nas exportações brasileiras.

Relacionado com Carne suína
Sectoriales sobre Carne suína
país:1950

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

EDIÇÃO suínoBrasil 4º TRI 2025
Eco Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna

Eco Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna

Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões

Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões

Cristiano Marcio Alves de Souza Filipe Bittencourt Machado de Souza Jéssica Mansur S. Crusoé Leonardo França da Silva Victor Crespo de Oliveira
DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura

DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura

Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal

Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal

Bruno Bracco Donatelli Muro César Augusto Pospissil Garbossa Erich Herzogenrath Cavaca Inácio Matheus Saliba Monteiro Rafaella Fernandes Carnevale Roberta Yukari Hoshino
Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria

Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria

Luiz Felipe Caron
Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento

Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento

Renato Philomeno
Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025

Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025

Iuri Pinheiro Machado
Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos

Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos

Equipe Técnica Biochem Brasil
Programa nutricional para leitões recém-desmamados: redução proteica com suplementação de aminoácidos

Programa nutricional para leitões recém-desmamados: redução proteica com suplementação de aminoácidos

Allan Paul Schinckel Amoracyr José Costa Nuñez Kallita L. S. Cardoso Mariana Garcia de Lacerda Vivian Vezzoni de Almeida
Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos

Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos

Jessica Carolina Reis Barbosa Roberto Maurício Carvalho Guedes
Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados

Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados

Gefferson Almeida da Silva José Paulo Hiroji Sato Jovan Sabadin Viviana Molnár-Nagy
Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha

Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha

Priscila Beck
Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos

Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos

Priscila Beck
Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?

Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?

Cândida Azevedo

JUNTE-SE À NOSSA COMUNIDADE SUÍNA

Acesso aos artigos em PDF
Informe-se com nossas newsletters
Receba a revista gratuitamente na versão digital

DESCUBRA
AgriFM - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería