Casuística de exames laboratoriais para suinocultura em 2024

Keila Catarina Prior, Suzana Satomi Kuchiishi, Marina Paula Lorenzett e Lauren Ventura Parisotto

 

A produção mundial de suínos vem aumentando a cada ano, graças ao melhoramento genético, desenvolvimento de novas tecnologias e o uso de ferramentas de diagnóstico para manutenção da sanidade animal.

De acordo com os dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a produção mundial de carne suína em 2023 foi de 124,5 milhões de toneladas.

Dessas, 5,3 milhões de toneladas foram produzidas pelo Brasil. E ainda, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2023, o rebanho suíno brasileiro de suínos era composto por 4.951.404 animais, o que coloca o Brasil como 4º maior produtor e exportador de carne suína do mundo, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Os laboratórios de diagnóstico animal desempenham um papel fundamental para a manutenção da sanidade da cadeia produtiva de suínos e consequentemente na produção de alimentos no mundo.

Esses laboratórios oferecem serviços de diagnóstico das doenças que acometem a produção, auxiliando a equipe técnica que atua nas granjas, na tomada de decisão quanto ao tratamento e controle das enfermidades.

No ano de 2024, o Laboratório CEDISA, realizou um total de 178.536 ensaios para a cadeia produtiva de suínos, dentre eles exames microbiológicos, histopatológicos, reprodutivos, imunológicos e biomoleculares.

Em relação ao diagnóstico de doenças da produção, o setor de Microbiologia recebeu 10.160 amostras para isolamento bacteriano, que geraram 1.207 antibiogramas. Também foram realizados 403 ensaios de concentração inibitória mínima e 165 testes de eficácia de desinfetantes.

Os resultados de isolamento das principais bactérias que acometem suínos encontram-se na Figura 1.

Figura 1. Número de isolados das principais bactérias causadoras de doenças em suínos no ano de 2024.

Figura 1. Número de isolados das principais bactérias causadoras de doenças em suínos no ano de 2024.

 

É possível observar na figura 1, que as principais bactérias isoladas relacionadas ao sistema entérico foram a Escherichia coli e o Clostridium perfringens enquanto que para o sistema respiratório, Streptococcus suis e Actinobacillus pleuropneumoniae seguido da Pasteurella multocida.

O ensaio de antibiograma foi realizado pelo método de disco-difusão e a escolha dos antimicrobianos foi realizada pelo médico veterinário solicitante. Os resultados da frequência de resistência antimicrobiana das bactérias isoladas no laboratório CEDISA encontram-se nas tabelas 1 e 2.

 

Tabela 1 – Frequência de resistência antimicrobiana no ano de 2024 em isolados clínicos no – Laboratório CEDISA relacionados ao sistema respiratório de suínos.

 

Para os agentes causadores de infecções respiratórias, destacam-se os altos percentuais de resistência para a maioria das classes de antimicrobianos dos isolados de Streptococcus suis e alta resistência às fluoroquinolonas dos isolados de Glaesserella parasuis.

O A. pleuropneumoniae apresentou maior resistência à oxitetraciclina. A P. multocida foi o agente que apresentou as maiores frequências de suscetibilidade, sendo a resistência máxima observada de 28,5% para enrofloxacina.

Tabela 2 – Frequência de resistência antimicrobiana no ano de 2024 em isolados clínicos no Laboratório CEDISA relacionados ao sistema entérico de suínos.

Já com relação aos agentes entéricos, observaram-se altas taxas de resistência das bactérias às tetraciclinas.

A menor taxa encontrada foi para o ceftiofur, variando de 6,7 a 22,7%. C. perfringens e E. coli hemolítica apresentaram altas taxas de resistência perante às fluoroquinolonas e sulfonamidas. As bactérias Gram negativas apresentaram uma variação de 67,7 a 82,4% de resistência ao florfenicol.

No setor de sorologia foram realizados 19.560 ensaios, com predominância nas análises de Pesquisa de anticorpos para Actinobacillus pleuropneumoniae e Mycoplasma hyopneumoniae principalmente para monitoria de rebanhos.

Na tabela 3 constam os resultados de amostras encaminhadas para ensaios sorológicos para diagnóstico.

Tabela 3 – Resultados sorológicos para Pesquisa de anticorpos em amostras de soro recebidas no Laboratório CEDISA no ano de 2024.

Em geral, os ensaios sorológicos na suinocultura são utilizados para o monitoramento da imunidade adquirida pelos animais após a vacinação, bem como, para a identificação precoce da circulação de determinado agente infeccioso na granja avaliada, em se tratando de granja considerada livre para o patógeno em questão.

Na área de reprodução foram realizados 6.043 ensaios de morfologia espermática, 1.151 ensaios de concentração do sêmen, 844 ensaios de motilidade espermática e 3.132 ensaios de isolamento bacteriano em amostras de sêmen.

Na área de biologia molecular, foram realizados 10.418 ensaios, sendo 9.796, para detecção dos principais patógenos que acometem a suinocultura industrial e 622 ensaios de tipificação, conforme a tabela 4.

Tabela 4 – Resultados das análises de PCR das amostras para diagnóstico do Laboratório CEDISA no ano de 2024.

O ensaio molecular com maior número de amostras, foi a Detecção de Mycoplasma hyopneumoniae com 1.812 amostras, seguido de Brachyspira pilosicoli e Brachyspira hyodysenteriae.

Os ensaios de Detecção de M. hyopneumoniae, B. pilosicoli e B. hyodysenteriae, são frequentemente solicitados por suspeita no envolvimento de casos clínicos, e também são doenças importantes de monitoramento para as empresas, como medida preventiva da entrada dessas enfermidades nas granjas.

Com relação ao percentual de positividade nas amostras dos ensaios moleculares, destaca-se a detecção de Pasteurella multocida, onde 68,48% das amostras recebidas tiveram resultado positivo, seguida de Glaesserella parasuis com 64,34% de positividade.

            Ainda foi possível observar em comparação com o ano de 2023, que houve aumento na detecção de Leptospira spp. de 0,8% (2/237 amostras positivas) em 2023 para 3,37% (9/267 amostras) em 2024, e ainda Parvovírus teve um percentual de positividade de 0,35% em 2023 (1/282 amostras) e 13,87% (38/274 amostras) em 2024.

Sobre as tipificações realizadas pela técnica de PCR, destaca-se a análise de Identificação de Fímbrias e Toxinas de Escherichia coli com a predominância das toxinas termoestáveis Stb em 112 isolados e STa em 88.

  • As fímbrias mais prevalentes foram a F18 em 33,6% e a F4 em 18,3% dos casos.
  • Na tipagem de Circovírus tipo 2 (PCV2), predominando o tipo PCV2d.
  • Para Actinobacillus pleuropneumoniae, o sorotipo 8 foi o mais prevalente (33,9%) seguido dos sorotipos 5 e 7.
  • Para Clostridium perfringens a predominância foi do tipo A beta 2 (87,9%).
  • No caso da Glaesserella parasuis o sorotipo 12 foi detectado em 61,2% das amostras.
  • Para Pasteurella multocida, 82,3% das amostras foram do tipo A.
  • Para Streptococcus suis 25% foram pertencentes ao sorotipo 9 e 18% ao sorotipo 2.
  • Por fim, para subtipagem de Influenza suína, 57% das amostras foram classificadas como H1N1.

            No ano de 2024 foram realizados 1.475 exames histopatológicos e 192 ensaios de imuno-histoquímica. Recentemente, o laboratório CEDISA, implantou a patologia digital, na qual a leitura dos tecidos é realizada a partir da digitalização da lâmina histológica utilizando-se o equipamento Aperio CS2.

A aquisição dessa tecnologia permite a realização de exames histopatológicos com maior acurácia e possibilita o compartilhamento de casos clínicos com especialistas da área para discussões e estudos.

Ainda, no ano de 2024, foi implantado o ensaio de Sequenciamento tipo Sanger para ORF2 do PCV2. A ORF2 é a região que codifica a proteína do capsídeo viral, sendo essa, a região mais variável da estrutura desse vírus e utilizada para classificação do genótipo.

A partir dos resultados dessa sequência, é possível construir uma árvore filogenética, que pode ser utilizada para identificar o genótipo do PCV2, determinar ancestrais comuns dessa cepa e estabelecer a relação evolutiva entre elas. Também é possível realizar uma análise de divergência com esses dados, podendo observar variações genéticas entre as cepas de uma mesma propriedade ou diferentes estabelecimentos.

            Os dados obtidos pelo Laboratório CEDISA no ano de 2024, auxiliam para estabelecer um panorama geral dos principais agentes envolvidos com as manifestações clínicas das doenças que acometem a suinocultura brasileira atualmente.

🔒 Contenido exclusivo para usuarios registrados.

Regístrate gratis para acceder a este post y a muchos más contenidos especializados. Solo te llevará un minuto y tendrás acceso inmediato.

Iniciar sesión

Regístrate en porcinews

REGISTRARME