O ano de 2020 está marcado na suinocultura nacional com registros históricos, e os números não foram diferentes para o estado de Minas Gerais. As últimas semanas foram marcadas por valores recordes na bolsa do suíno vivo. Diante disso, a SuinoBrasil entrevistou o Consultor de Mercado da Associação de Suinocultores do Estado de Minas Gerais […]

O ano de 2020 está marcado na suinocultura nacional com registros históricos, e os números não foram diferentes para o estado de Minas Gerais. As últimas semanas foram marcadas por valores recordes na bolsa do suíno vivo. Diante disso, a SuinoBrasil entrevistou o Consultor de Mercado da Associação de Suinocultores do Estado de Minas Gerais – ASEMG, o Médico Veterinário Alvimar Jalles.
Médico Veterinário graduado pela Universidade Federal de Viçosa, o Dr. Alvimar Jalles atua na produção de suínos, na região da Zona da Mata-MG. Além disso, é fundador e conduziu de 2017 a 2019 O Projeto BSim – Bolsa de Suínos do Interior de Minas da ASSUVAP – Associação dos Suinocultores do Vale do Piranga MG.
Alvimar analisou o cenário histórico vivenciado pela suinocultura mineira, “Os abates de suínos em Minas Gerais aumentaram 5,6% em valores anualizados segundo o IBGE no primeiro trimestre de 2020. O crescimento do segundo trimestre será divulgado em setembro. O momento é muito bom mas não há euforia por aqui. Pelo que observo, há consciência de que é um momento favorável mas não será eterno. Quando o futuro, que será diferente de hoje chegar, todos sabem que precisarão estar preparados, explica o Médico Veterinário.
O Consultor da ASEMG relatou como têm sido as negociações dos suinocultores com os compradores, segundo Alvimar:
“A negociação ocorre naturalmente como nos momentos de baixa. Os valores de aquisição são repassados ao consumidor e o mercado continua fluindo. A escassez de carne bovina e o auxílio financeiro devido à pandemia da Covid-19 estão dando suporte aos preços. A negociação sempre é feita entre partes que se admiram e se respeitam. Há apenas os embates naturais das divergências entre os elos de qualquer cadeia de produção. Não há vilões nem heróis.”
Outro ponto que tem gerado questionamentos no setor é a oferta de insumos na alimentação animal, particularmente, soja. Recentemente o CEPEA/ESALQ-USP informou que existe a possibilidade de importação de soja para atender a demanda do mercado. Sobre esse levantamento, Alvimar ressalta que
“Se essa possibilidade se concretizar será uma quebra de paradigma. Sempre vimos o preço regular o consumo e os estoques: se falta farelo cresce o uso de insumos alternativos, há redução na inclusão e os preços sobem tanto que limita o uso. Esse mecanismo equilibra a relação oferta e procura. É a dinâmica normal mas, como não estamos vivendo tempos “normais”, tudo é possível. Se isso acontecer, teremos que encarar a realidade. Se a cadeia de carnes está se beneficiando tanto do livre mercado, tem que assumir a mesma lógica para seus insumos. O Brasil que fazia intervenções artificiais em mercados já ficou para trás faz algumas décadas.”
Ainda discutindo sobre demanda de mercado, Jalles comentou sobre a valoração da bolsa em um cenário da pandemia da Covid-19 e aumento das importações de carne suína pela China (reflexo do surto da Peste Suína Africana),
Sempre dissemos que o déficit de carnes chinês, acima de 10 milhões de toneladas anuais era um evento de grande magnitude. Iria trazer impactos fortes e favoráveis aos preços como está acontecendo. Sobre a pandemia do novo Coronavírus, dissemos e escrevemos, ainda quando os preços caíam, que os alimentos, entre eles a carne suína, não são produtos facultativos, são essenciais. Produtos essenciais reorganizam o canal de distribuição e continuam fluindo. Foi exatamente o que aconteceu. Assim que o “efeito manada”, dentro da própria cadeia arrefeceu, o mercado buscou valores dentro da normalidade. Repito: no início da pandemia, antes de ficar claro dissemos que o consumo agregado total da carne suína não iria cair, exatamente como a realidade se encarregou de mostrar.
Recentemente, Jalles destacou a escassez de carne suína nunca antes vista no mercado e atribuiu tal fato a dois choques: o auxílio financeiro da Covid-19 e as importações chinesas. Diante disso, e dos novos surtos de Peste Suína Africana o Consultor elucidou quais as previsões para a oferta de carne suína,
Um número fácil e didático para visualizarmos a oferta interna de carne suína é o consumo per capita por habitante por ano. Desde julho de 2018 ele está estável acima e próximo de 16 kg. Se o ritmo de abates e de exportações se mantiver nos atuais patamares, ele chegará ao final do ano de 2020 em 15,5 kg.
A prévia do segundo trimestre, divulgada pelo IBGE em 13/08, indica crescimento anual do peso de abate do total de suínos no Brasil em 6,36%. Mas, neste momento, a disponibilidade interna está em queda aproximada dos mesmos 6,0 %. Embora a China esteja trabalhando fortemente, ela ainda não recuperou a sua produção de carne suína. Tem tudo para continuar comprando bastante durante 2021. Provavelmente aumentaremos a oferta interna por aqui antes dos chineses arrefecerem as suas compras. Mais uma vez é saudável estar preparado para quando eles fizerem isso. É o eterno ciclo do capitalismo, finaliza Alvimar.
Fonte: Redação SuínoBrasil.
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