24 ago

Cenário histórico da suinocultura mineira, com Alvimar Jalles

O ano de 2020 está marcado na suinocultura nacional com registros históricos, e os números não foram diferentes para o estado de Minas Gerais. As últimas semanas foram marcadas por valores recordes na bolsa do suíno vivo. Diante disso, a SuinoBrasil entrevistou o Consultor de Mercado da Associação de Suinocultores do Estado de Minas Gerais […]

Cenário histórico da suinocultura mineira, com Alvimar Jalles

O ano de 2020 está marcado na suinocultura nacional com registros históricos, e os números não foram diferentes para o estado de Minas Gerais. As últimas semanas foram marcadas por valores recordes na bolsa do suíno vivo. Diante disso, a SuinoBrasil entrevistou o Consultor de Mercado da Associação de Suinocultores do Estado de Minas Gerais – ASEMG, o Médico Veterinário Alvimar Jalles.

Médico Veterinário graduado pela Universidade Federal de Viçosa, o Dr. Alvimar Jalles atua na produção de suínos, na região da Zona da Mata-MG. Além disso, é fundador e conduziu de 2017 a 2019 O Projeto BSim – Bolsa de Suínos do Interior de Minas da ASSUVAP – Associação dos Suinocultores do Vale do Piranga MG.

Alvimar analisou o cenário histórico vivenciado pela suinocultura mineira, “Os abates de suínos em Minas Gerais aumentaram 5,6% em valores anualizados segundo o IBGE no primeiro trimestre de 2020. O crescimento do segundo trimestre será divulgado em setembro. O momento é muito bom mas não há euforia por aqui. Pelo que observo, há consciência de que é um momento favorável mas não será eterno. Quando o futuro, que será diferente de hoje chegar, todos sabem que precisarão estar preparados, explica o Médico Veterinário.

O Consultor da ASEMG relatou como têm sido as negociações dos suinocultores com os compradores, segundo Alvimar:

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“A negociação ocorre naturalmente como nos momentos de baixa. Os valores de aquisição são repassados ao consumidor e o mercado continua fluindo. A escassez de carne bovina e o auxílio financeiro devido à pandemia da Covid-19 estão dando suporte aos preços. A negociação sempre é feita entre partes que se admiram e se respeitam. Há apenas os embates naturais das divergências entre os elos de qualquer cadeia de produção. Não há vilões nem heróis.”

“Se essa possibilidade se concretizar será uma quebra de paradigma. Sempre vimos o preço regular o consumo e os estoques: se falta farelo cresce o uso de insumos alternativos, há redução na inclusão e os preços sobem tanto que limita o uso. Esse mecanismo equilibra a relação oferta e procura. É a dinâmica normal mas, como não estamos vivendo tempos “normais”, tudo é possível. Se isso acontecer, teremos que encarar a realidade. Se a cadeia de carnes está se beneficiando tanto do livre mercado, tem que assumir a mesma lógica para seus insumos. O Brasil que fazia intervenções artificiais em mercados já ficou para trás faz algumas décadas.”

Ainda discutindo sobre demanda de mercado, Jalles comentou sobre a valoração da bolsa em um cenário da pandemia da Covid-19 e aumento das importações de carne suína pela China (reflexo do surto da Peste Suína Africana),

Sempre dissemos que o déficit de carnes chinês, acima de 10 milhões de toneladas anuais era um evento de grande magnitude. Iria trazer impactos fortes e favoráveis aos preços como está acontecendo. Sobre a pandemia do novo Coronavírus, dissemos e escrevemos, ainda quando os preços caíam, que os alimentos, entre eles a carne suína, não são produtos facultativos, são essenciais. Produtos essenciais reorganizam o canal de distribuição e continuam fluindo. Foi exatamente o que aconteceu. Assim que o “efeito manada”, dentro da própria cadeia arrefeceu, o mercado buscou valores dentro da normalidade. Repito: no início da pandemia, antes de ficar claro dissemos que o consumo agregado total da carne suína não iria cair, exatamente como a realidade se encarregou de mostrar.

Recentemente, Jalles destacou a escassez de carne suína nunca antes vista no mercado e atribuiu tal fato a dois choques: o auxílio financeiro da Covid-19 e as importações chinesas. Diante disso, e dos novos surtos de Peste Suína Africana o Consultor elucidou quais as previsões para a oferta de carne suína,

Um número fácil e didático para visualizarmos a oferta interna de carne suína é o consumo per capita por habitante por ano. Desde julho de 2018 ele está estável acima e próximo de 16 kg. Se o ritmo de abates e de exportações se mantiver nos atuais patamares, ele chegará ao final do ano de 2020 em 15,5 kg.

A prévia do segundo trimestre, divulgada pelo IBGE em 13/08, indica crescimento anual do peso de abate do total de suínos no Brasil em 6,36%. Mas, neste momento, a disponibilidade interna está em queda aproximada dos mesmos 6,0 %. Embora a China esteja trabalhando fortemente, ela ainda não recuperou a sua produção de carne suína. Tem tudo para continuar comprando bastante durante 2021. Provavelmente aumentaremos a oferta interna por aqui antes dos chineses arrefecerem as suas compras. Mais uma vez é saudável estar preparado para quando eles fizerem isso. É o eterno ciclo do capitalismo, finaliza Alvimar. 

Fonte: Redação  SuínoBrasil.

 

 

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