14 abr 2026

Exportação em 2026: o risco não é o preço — é a sanidade

Iuri Pinheiro Machado

Exportação em 2026: o risco não é o preço — é a sanidade

A suinocultura brasileira vivencia um momento decisivo, em que fatores externos — como geopolítica, comércio internacional e sanidade animal — têm impactado diretamente a sustentabilidade do setor. Com protagonismo crescente no mercado global, o Brasil precisa lidar com oportunidades relevantes, mas também com riscos que exigem atenção permanente.

Um mundo em transformação e seus reflexos no agro

O cenário internacional vive uma profunda reconfiguração geopolítica, descrita por Iuri Pinheiro Machado (Consultor de Mercados da ABCS) como uma verdadeira “movimentação das placas tectônicas”. Após décadas de hegemonia, os Estados Unidos passam a reagir à perda de protagonismo utilizando instrumentos comerciais e militares para preservar sua posição. Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição estratégica e sensível.

No agronegócio, o país é concorrente direto dos EUA em diversas cadeias produtivas, ao mesmo tempo em que mantém parcerias relevantes. Paralelamente, a China consolidou-se como o principal parceiro comercial brasileiro. Diante dessa dinâmica, a orientação estratégica é clara: manter uma postura diplomática e comercial pragmática, sem alinhamento automático a qualquer polo.

Para a suinocultura, essa postura é essencial. As exportações não são apenas um complemento, mas um pilar fundamental para o equilíbrio do mercado interno e para a sustentabilidade econômica da cadeia. Em um ambiente global de instabilidade, preservar e ampliar o acesso a mercados torna-se uma prioridade estratégica.

Oportunidades globais e novas exigências

Apesar das incertezas, o cenário internacional é visto mais como oportunidade do que como risco. O Brasil é protagonista incontornável na produção mundial de alimentos, liderando a produção e exportação de diversas commodities e contando com potencial de expansão único no mundo. A suinocultura brasileira integra esse protagonismo e tende a se beneficiar da crescente demanda global por proteína animal.

O recente acordo entre Mercosul e União Europeia é um exemplo concreto dessas oportunidades. Entretanto, acessar efetivamente mercados mais exigentes implica responsabilidades adicionais. Bem-estar animal, rastreabilidade e sustentabilidade deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos para permanência e expansão comercial.

Esse movimento exige mudanças estruturais nos sistemas produtivos. A adequação às exigências internacionais não é apenas uma questão de acesso a mercados, mas também de competitividade e posicionamento estratégico da suinocultura brasileira no longo prazo.

Sanidade: o risco que não permite erro

Se há um risco que se impõe como prioridade absoluta no curto prazo, ele é sanitário. A recente ocorrência de influenza aviária em uma granja comercial no Brasil evidenciou o impacto imediato que um evento sanitário pode ter sobre as exportações. Ao mesmo tempo, mostrou a capacidade de resposta rápida e eficaz do sistema brasileiro de defesa sanitária, reforçando a credibilidade do país.

Na suinocultura, o alerta é ainda maior. A Peste Suína Africana avança rapidamente pela Europa e já alcançou a Península Ibérica, aumentando o nível de atenção. A eventual entrada do vírus no Brasil teria consequências severas para toda a cadeia produtiva.

Diferentemente de fatores como custos de produção ou oscilações de mercado, a biosseguridade está sob controle direto dos agentes da cadeia, especialmente do produtor. A granja precisa ser encarada como a última e mais importante barreira contra a entrada de agentes sanitários, exigindo disciplina, investimento contínuo e gestão rigorosa.

O papel das entidades e a mensagem para 2026

As entidades setoriais têm papel central na mitigação dos riscos de mercado e sanitários. A atuação deve ocorrer em três frentes: junto ao poder público, fortalecendo a defesa sanitária, linhas de crédito e logística; na produção, promovendo ganhos de produtividade, gestão e organização coletiva; e no marketing, ampliando canais de comercialização e valorizando a carne suína junto ao consumidor.

A mensagem ao suinocultor para 2026 é clara: após superar uma das crises mais profundas da história da atividade, o setor vive um momento de recuperação. Esse período deve ser usado estrategicamente para fortalecer sistemas produtivos, alinhar-se às exigências do mercado e investir em gestão. Assim, a suinocultura brasileira estará mais preparada para enfrentar novos ciclos de instabilidade.

Na próxima semana, o debate será sobre: Sanidade: o custo invisível que define o DRE


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