Nutrição e Alimentação

Micotoxinas em suínos – Deoxinivalenol (DON)

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Gefferson Almeida da Silva

Gefferson Almeida da Silva

José Paulo Hiroji Sato

José Paulo Hiroji Sato

Micotoxinas em suínos – Deoxinivalenol (DON)

A contaminação de micotoxinas na ração causa problemas nos processos de produção animal, reduzindo o desempenho zootécnico.

Os tricotecenos formam um grupo químico de metabólitos fúngicos e mais de uma centena são conhecidos, sendo que de importância na produção animal destacam-se o Deoxinivalenol (DON) e a Toxina T-2.

DON, é o mais comumente detectado em concentrações toxicologicamente relevantes para animais de produção, resultando em perdas econômicas significativas em todo o mundo. Esta micotoxina é produzida principalmente por Fusarium culmorum e Fusarium graminearum e entre as diferentes espécies de animais domésticos, os suínos são os mais susceptíveis à intoxicação por DON.

  • Prevalência

As toxinas de Fusarium foram globalmente as micotoxinas de maior prevalência nos últimos dez anos. Entre os alimentos positivos para DON, o milho e o trigo foram os mais frequentemente contaminados.

No levantamento realizado anualmente pela Vetanco, com dados de amostras de vários países da América Latina, no ano de 2023 foi observada 40% de positividade de DON com média de 789 ppb e máximo de 6.515 ppb.

Na tabela 1, são apresentadas as prevalências e concentrações médias e máximas de DON de acordo com os países analisados.

 

Tabela 1 – Prevalência e concentrações médias e máximas de deoxinivalenol (DON) em amostras de cereais e ração animal em 2023 de países da América Latina.

Uma quantidade significativa (89%) das amostras de cereais e rações está contaminada com uma ou mais micotoxinas. A alta frequência de co-contaminação mostra a necessidade de investigar a associação e a interação dos efeitos de micotoxinas co-ocorrentes em animais.

DON co-ocorre com outras micotoxinas do gênero Fusarium, principalmente ZEA e FUM. Sendo essas combinações de micotoxinas as mais frequentemente observadas em cereais e ração animal pronta.

O suíno é o animal mais sensível à exposição aguda ao DON e comumente apresenta problemas gastrointestinais, como diarreia e melena.

A exposição crônica ao DON também pode causar diferentes efeitos, como anorexia, vômitos e redução do ganho de peso corporal (GPD) e ingestão de ração, além de impactar negativamente os sistemas imunológico e nervoso.

Para suínos, a cada mg/kg de aumento de DON na ração, a diminuição do crescimento foi estimada em cerca de 8%.

Alimentos com concentrações entre 0,3 mg/kg até 0,5 mg/kg induzem à perda de peso, podendo a recusa do alimento não se manifestar de forma clinicamente significativa. A partir de 1 mg/kg já pode ser constatado um declínio no consumo alimentar.

Concentrações acima de 1,3 mg/kg apresentam importância econômica pela diminuição do desempenho dos animais e níveis superiores a 2,5 mg/kg diminuem a taxa de ganho de peso em até 50%.

Os animais apresentam recusa completa do alimento quando a contaminação é superior a 11 mg/kg, enquanto concentrações superiores a 20 mg/kg de alimento induzem ao vômito. O nome coloquial de DON é “vomitoxina” devido aos seus efeitos eméticos substanciais observados em suínos. Na tabela 2 são apresentados os níveis máximos de DON em suínos de acordo com a fase de produção.

Tabela 2 – Limites de Deoxinivalenol (DON) em suínos de acordo com a fase de produção.

Diferenças também podem ser constatadas entre os sexos, pois os machos são mais susceptíveis que as fêmeas.

Os sinais clínicos característicos de suínos intoxicados por essa toxina são:

Figura 1 – Intoxicação por Deoxinivalenol (vomitoxina). Leitão vomitando. Fonte: Mallmann & Simões (2022)

A intoxicação por DON reduz a eficácia vacinal porque sua toxicidade inibe a síntese de proteínas, levando à diminuição da produção de anticorpos correspondentes, como nas vacinações para peste suína, vírus da síndrome reprodutiva e respiratória suína, e parvovirose suína.

Podendo afetar o programa de vacinação em todas as fases de produção de suínos.

Os efeitos da DON na reprodução de suínos podem ser observados pela diminuição na formação dos oócitos e óvulos culminando em alta taxa de apoptose, além de diminuição da fecundidade dos óvulos formados e inibição do desenvolvimento do embrião.

Essa micotoxina também afeta células endometriais, culminando na diminuição do número médio de leitões nascidos no plantel.

Assim como há uma grande variedade de micotoxinas, existe uma enorme variedade de métodos de controle. Esses variam desde boas práticas agrícolas à aditivos anti-micotoxinas, e como a contaminação de grãos é um problema real e que pode ocorrer em diversos momentos, como na lavoura durante o cultivo dos grãos, durante o período pré-colheita ou por condições inadequadas de armazenagem, os aditivos anti-micotoxinas tem sido a melhor ferramenta para prevenir os efeitos negativos no sistema de produção.

Existem dois grandes grupos de aditivos anti-micotoxinas:

Os adsorventes evitam a absorção das micotoxinas através do trato gastrointestinal ligando-se a sua superfície. Eles podem ser inorgânicos (bentonitas, aluminossilicatos etc.) ou orgânicos (parede de leveduras) e a adsorção é dependente, principalmente, da polaridade (carga iônica das moléculas) de cada micotoxina.

os inativadores enzimáticos possuem uma atividade biológica que permite alterar a estrutura química das micotoxinas e transformá-las em metabólitos com efeito tóxico menor ou nulo. Normalmente, eles podem ser uma bactéria, uma levedura ou extrato.

A maioria dos adsorventes têm demonstrado baixa e/ou nula capacidade para adsorver micotoxinas com menor polaridade, tais como o DON e a ZEA. Por sua vez, os inativadores enzimáticos têm demonstrado ser a melhor opção para o controle dessas micotoxinas.

Tso et al. (2019) compararam a eficácia dos diferentes produtos comerciais (adsorventes 1 e 2; e inativadores enzimáticos – EDR1 a EDR5) na eliminação de DON, utilizando um modelo in vitro dinâmico, simulando as condições digestivas dos suínos.

Após 5 h de simulação estomacal, todos os EDRs, apresentaram maior capacidade de remoção de DON do que os dois adsorventes (p <0,05), e a capacidade de remoção de EDR1 foi maior que todos os outros EDRs (p <0,05).

Para as condições simuladas do intestino delgado (pH de 6,5) por 2h, os percentuais de remoção de DON no nível de 1.000 ppb foram 100%, 84%, 83%, 54% e 68% para os EDRs (1 a 5), respectivamente, e 15% e 19% para os adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 1).

 

Gráfico 1 – Percentual de remoção do deoxinivalenol (DON) 1.000 ppb com reagentes de degradação enzimática (linha sólida) e adsorventes (linha pontilhada) em simulações gastrointestinais de suínos.

A alta prevalência de DON nos cereais e ração pronta de animais de produção, constitui um importante problema mundial, com perdas significativas devido às consequências que a micotoxina causa para as diferentes espécies animais.

Desta forma, o controle com aditivos enzimáticos na ração é a melhor ferramenta de prevenção.

Referências bibliográficas sob consulta aos autores.

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