Redução real de antibióticos começa na maternidade: Grupo Cabo Verde relata queda de 75% no uso e ganhos expressivos de desempenho
O Grupo Cabo Verde coloca o bem-estar animal no centro da modernização de manejo e vem ampliando projetos de gente e processos para sustentar a previsibilidade operacional.

Redução real de antibióticos começa na maternidade: Grupo Cabo Verde relata queda de 75% no uso e ganhos expressivos de desempenho
No estúdio agriNews Play, iniciativa da suínoBrasil e estúdio oficial do 21º Congresso Nacional da Abraves, o produtor Roberto Coelho (sócio-diretor do Grupo Cabo Verde) e João Vitor Pinto Coelho (gerente da Fazenda União, 4ª geração) apresentaram um case prático de uso racional de antimicrobianos que combina gente, processo e rotina de campo. Em três anos e meio, o grupo registrou redução de 75% no uso de antibióticos com melhora consistente de índices zootécnicos.
Segundo Roberto, o primeiro movimento foi de gestão.
“Começamos pelos três Ps: Pessoas, com treinamentos intensivos e senso de pertencimento; Processos, com revisão e padronização; e Porcas, passando a olhar cada matriz de forma individual, não mais só por grupos”, explica. A decisão de iniciar pela maternidade foi estratégica: “Leitões desmamados mais sadios vêm de mães mais saudáveis. Isso reduz a pressão nas fases de creche e terminação.”
Assista a entrevista completa:
Na Fazenda União, João transformou o acompanhamento em um placar de cabine. “Medimos mortalidade de leitões, incidência de diarreia, uso de injetáveis nas leitegadas, descarte de fêmeas jovens e a retenção de primíparas para os partos seguintes. Toda semana rodamos reuniões e gestão à vista: os números circulam em um grupo da granja com comentários de cada área. Todos sabem a meta e torcem por ela”, resume. Sem trocas de equipe, o ajuste cultural ocorreu com capacitação contínua e mudança de atitude: “Houve quem preferisse outra função; é natural na transição”, completa Roberto.
A ambiência recebeu atenção especial. O grupo climatizou maternidades e o terço inicial de gestação, e refinou o manejo para reduzir estresse (da condução ao tom de voz em galpão). Na nutrição, o caminho foi mapear desafios sanitários e, a partir daí, combinar ferramentas: eubióticos para modular flora, fitoterápicos/óleos essenciais para suporte imune e ácidos como melhoradores de desempenho.
“O mercado oferece muitas opções; o segredo é selecionar o que casa com o seu problema e, muitas vezes, gerar sinergia entre duas soluções”, diz João.
Os resultados sustentam a estratégia. Além da queda de 75% no uso de antimicrobianos, Roberto cita ganho adicional próximo de 200 g/dia no desempenho em relação a quatro anos atrás e redução de mortalidade.
“O animal devolve em produtividade todo o esforço feito na base. E a rotina fica mais prazerosa: visitar a granja com os animais saudáveis muda o clima da equipe”, afirma.
Assista a entrevista completa:
Para quem quer começar, o recado é direto: vale a pena. “Não é apertar um botão. Exige disciplina, treinamento e alinhamento de metas, mas o retorno técnico e financeiro aparece”, afirma Roberto. João reforça que não há “receita mágica”, e sim consistência: “O que funciona é metodologia, métrica semanal, ajuste fino e parceria com fornecedores para desenhar soluções que façam sentido na sua realidade.”
O Grupo Cabo Verde — com operações em suínos, café, grãos, leite e corte, em Passos (MG) — coloca o bem-estar animal no centro da modernização de manejo e vem ampliando projetos de gente e processos para sustentar a previsibilidade operacional.
“Da porteira para dentro é onde controlamos custo, risco e reputação. Reduzir antibióticos com sanidade e desempenho não é utopia; é gestão”, conclui Roberto.
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