08 set 2026

O leitão começa a ser “programado” antes de nascer: nutrição da matriz ganha novo peso na eficiência da granja

Especialista da Alltech defende decisões nutricionais baseadas em evidências e mostra como metabolismo, imunidade e manejo da matriz podem repercutir na sobrevivência e no desempenho dos leitões

O leitão começa a ser “programado” antes de nascer: nutrição da matriz ganha novo peso na eficiência da granja

E se parte do desempenho que a granja tenta corrigir no leitão já estivesse sendo determinada antes mesmo de ele nascer? A programação metabólica vem deslocando o foco de algumas decisões produtivas para a matriz, especialmente durante a gestação e a transição para o parto. Nesse cenário, nutrição, metabolismo e imunidade da fêmea podem deixar de ser tratados como variáveis isoladas e passar a integrar uma estratégia com efeitos nas etapas seguintes.

Durante o 18º Simpósio Brasil Sul (SBSS), realizado pelo Nucleovet, José Soto, da Alltech, discutiu no estúdio da agriNews, em parceria com o time da suínoBrasil, justamente essa conexão entre o que acontece com a matriz e o futuro do leitão.

A janela que pode mudar o desempenho do leitão

Segundo Soto, a fase de transição, aproximadamente dos 90 dias de gestação até o período posterior ao parto, representa uma oportunidade importante de intervenção nutricional.

“Eu diria que, em termos da etapa onde podemos influenciar de melhor maneira, é antes do parto. Normalmente, esse período prévio ao parto se chama etapa de transição.”

A estratégia ganha relevância diante de leitegadas maiores e mais heterogêneas. Para o especialista, diferentes manejos podem contribuir para melhorar a imunidade e a resistência às enfermidades, com repercussões posteriores sobre crescimento e sobrevivência.

O problema é quando o hábito vence a evidência

Um dos pontos mais provocativos da entrevista está na forma como algumas decisões nutricionais ainda são tomadas. Soto compara experiências de diferentes mercados e afirma que, enquanto nos Estados Unidos existe maior cultura de decisões apoiadas em dados, outros países ainda reproduzem práticas por tendência ou tradição.

O exemplo citado é o bump feeding, aumento da oferta de ração no final da gestação. Segundo ele, a prática não encontra justificativa quando aplicada indiscriminadamente.

“Eu acho que falta nos apegar um pouco mais ao que diz a ciência para tomar essas decisões.”

A ressalva é importante: quando a matriz apresenta baixa condição corporal, a intervenção pode fazer sentido. O ponto, portanto, não é abandonar estratégias, mas entender em quais situações elas realmente entregam retorno.

Resposta biológica precisa pagar a conta

Para Soto, uma mudança nutricional não pode ser avaliada apenas pela resposta biológica. O resultado precisa justificar economicamente o investimento.

“Essa resposta biológica tem que ter uma justificativa econômica.”

Entre as estratégias citadas, o especialista destaca evidências relacionadas ao uso de fibra durante a transição, com redução de natimortos, além de pesquisas envolvendo minerais e carboidratos funcionais e seus possíveis efeitos sobre imunidade e sobrevivência.

Mas a recomendação para adoção em escala é objetiva: resultados repetitivos, validação comercial e ROI positivo.

Nutrição está mudando rápido. Quem não acompanha perde eficiência

Soto encerra com um alerta para nutricionistas e equipes técnicas: recomendações nutricionais não são estáticas. Novas informações sobre ingredientes e micronutrientes podem alterar decisões consideradas consolidadas.

“O área de nutrição é muito dinâmica”, destacou, defendendo que os sistemas estejam conectados a fontes confiáveis de informação e à investigação científica.

Entrevista completa

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