16 jul 2025

Xenotransplante e aproveitamento de dejetos suínos marcam os 120 anos do IZ

A produção de suínos modificados para xenotransplantes e a transformação de dejetos estão entre os projetos de destaque conduzidos pelo IZ.

Xenotransplante e aproveitamento de dejetos suínos marcam os 120 anos do IZ

Xenotransplante e aproveitamento de dejetos suínos marcam os 120 anos do IZ

A produção de suínos geneticamente modificados para transplantes de órgãos humanos e a transformação de dejetos da suinocultura em energia renovável, água de reuso e biofertilizante estão entre os projetos de destaque conduzidos pelo Instituto de Zootecnia (IZ), que completa 120 anos de atuação em 2024. Vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Instituto comemorou o marco com evento na sede em Nova Odessa (SP), reunindo autoridades, servidores e pesquisadores.
O projeto de xenotransplante, desenvolvido em parceria com a USP e a empresa XenoBrasil, prevê a produção nacional de suínos geneticamente modificados voltados para a doação de órgãos humanos. A unidade do IZ em Tanquinho (Piracicaba) está sendo adaptada para conduzir os trabalhos, que exigem estrutura sanitária rigorosa e protocolos reprodutivos altamente controlados.
“É uma iniciativa com potencial de impacto direto na saúde pública, e que depende da nossa expertise em reprodução, sanidade e genética. Os animais precisam ser desenvolvidos sob condições específicas, com ausência de patógenos e características que reduzam a rejeição no receptor humano”, explica Enilson Ribeiro, coordenador do Instituto.
Outro projeto de aplicação prática direta é o sistema de tratamento de dejetos suínos que o IZ desenvolve em suas unidades experimentais. A tecnologia permite transformar os resíduos em três subprodutos com valor agregado: biogás, utilizado como fonte de energia; água de reuso, para fins não potáveis; e biofertilizante, aplicado com baixo risco ambiental.
“O desafio é técnico e econômico. Estamos trabalhando para tornar esse modelo acessível à realidade da suinocultura comercial. Além de mitigar impactos ambientais, há possibilidade de retorno financeiro para o produtor”, afirma Ribeiro.
120 anos de ciência
Fundado em 1905 por Carlos Botelho, o Instituto de Zootecnia surgiu como Posto Zootécnico Central na Mooca, em São Paulo. No mesmo ano, foi criada em Nova Odessa a antiga Fazenda de Seleção do Gado Nacional, que viria a se tornar a sede definitiva do Instituto. Em 1970, o então Departamento de Produção Animal passou por reestruturação e recebeu o nome atual — mantido até hoje, como uma das unidades de pesquisa da Apta.
Desde sua origem, o IZ atua na geração e validação de tecnologias para a produção animal, com contribuições reconhecidas nas áreas de nutrição, sanidade, bem-estar, reprodução e melhoramento genético. Entre os resultados já consolidados estão a seleção genética de raças como Nelore e Caracu, o desenvolvimento de provas de ganho de peso e a adoção de sistemas de alimentação automática para bovinos — tecnologias que hoje também orientam o aprimoramento da cadeia suinícola.
Na suinocultura, o Instituto tem tradição no desenvolvimento e transferência de tecnologias reprodutivas, como inseminação artificial e transferência de embriões, além de ações voltadas ao melhoramento genético. As vendas de sêmen e os leilões de reprodutores são instrumentos diretos para repasse de material com avaliação zootécnica reconhecida.
Formação de profissionais
Desde 2009, o Instituto mantém um curso de pós-graduação stricto sensu em nível de mestrado, com área de concentração em Produção Animal Sustentável. Voltado a profissionais das ciências agrárias e biológicas, o programa tem foco na produtividade animal, na qualidade dos produtos e na redução dos impactos ambientais.
Com estrutura técnica consolidada e atuação direta sobre os principais desafios da pecuária nacional, o Instituto de Zootecnia completa 120 anos reafirmando seu papel como centro de ciência aplicada — com entregas concretas tanto para o campo quanto para a sociedade.

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