Conheça os principais mitos da imunologia e vacinação na produção de suínos
Especialista da MSD Saúde Animal elenca e detalha os principais pontos que causam confusão na cadeia suinícola

Conheça os principais mitos da imunologia e vacinação na produção de suínos
A imunidade de plantel é um dos pilares da saúde animal e da produtividade na suinocultura. Afinal, quando um grande número de animais em um rebanho está protegido, a probabilidade de um surto de doença se espalhar diminui drasticamente. Isso não apenas reduz a mortalidade, mas também minimiza perdas na produção, garantindo a rentabilidade e a sustentabilidade da granja. No entanto, o tema ainda é cercado por diversos mitos, especialmente no que se refere à resposta imune e à vacinação.
Para esclarecer os principais pontos desse assunto, a médica-veterinária Amanda Daniel, coordenadora técnica da unidade de Suinocultura da MSD Saúde Animal, separou 10 afirmações comuns e detalhou quais, de fato, são verdadeiras.
Os leitões nascem protegidos pela imunidade materna.
Mito. Suínos possuem placenta epiteliocorial, sem transferência transplacentária de imunoglobulinas. Ou seja, os anticorpos da mãe não chegam ao feto no útero. Ao nascer, os leitões dependem da absorção intestinal de colostro nas primeiras horas de vida. Falhas de colostragem aumentam a mortalidade neonatal drasticamente e podem comprometer as respostas vacinais posteriores.
O estresse não altera a resposta imunológica.
Altera, sim! Fatores estressores como desmame, transporte, superlotação e manejo inadequado elevam glicocorticoides (ex.: cortisol), que suprimem o sistema imune e, consequentemente, a apresentação antigênica e produção de anticorpos, reduzindo a eficácia vacinal e aumentando a susceptibilidade a infecções oportunistas.
A nutrição tem papel secundário na imunidade.
De jeito nenhum! Proteínas e aminoácidos suportam a síntese de anticorpos, enquanto vitaminas e minerais influenciam no desenvolvimento da resposta humoral e celular, além dos mecanismos antioxidantes. Deficiências nutricionais comprometem respostas vacinais e, por outro lado, dietas balanceadas potencializam a imunocompetência – capacidade do sistema imunológico de reconhecer, combater e eliminar agentes estranhos que possam causar doenças, como vírus, bactérias, fungos e parasitas.
Vacinas de dose única desenvolvem resposta imune pior.
Não necessariamente. Com o desenvolvimento de tecnologias de adjuvantes de liberação lenta e ajuste de potência de antígenos, houve um incremento significativo na resposta das vacinas ao longo dos anos, o que permitiu trabalhar com produtos de dose única com resultados significativos. Imunógenos que exigem ainda esquema de duas doses, quando utilizados em esquema vacinal diferente do recomendado, pode resultar em respostas inadequadas e maior risco de surtos. Dessa forma, é importante sempre respeitar o recomendado por bula para cada produto utilizado.
Depende do objetivo imunológico. Via intramuscular tende a induzir maior resposta humoral, estimulando principalmente a produção de anticorpos. Já vacinas intradérmicas ativam uma defesa que inclui a resposta celular (linfócitos que atacam células já infectadas) e uma proteção adicional nas mucosas (que são as principais portas de entrada para muitos patógenos). A pele é rica em células de defesa especializadas, como as células dendríticas, o que favorece o desenvolvimento de uma resposta imune rápida.
A contenção no momento da vacinação não influencia nos resultados.
Falso. A contenção influencia e muito na resposta imune e em reações adversas pós-vacinação. Contenções agressivas aumentam o estresse e o cortisol, prejudicando respostas imunes e elevando erros de aplicação. Técnicas calmas e equipamentos adequados reduzem respostas inconsistentes e acidentes.
Nem sempre. Combinações não testadas podem gerar incompatibilidades entre antígenos/adjuvantes, reduzir imunogenicidade ou causar reações adversas. Utilize apenas combinações validadas pelos fabricantes e protocolos baseados em evidência. Inclusive, como um avanço da vacinação, já tem diversas vacinas conjugadas disponíveis no mercado. A conjugação de vacinas utilizando adjuvantes modernos e uma potência equilibrada de antígenos tem se mostrado eficiente graças ao desenvolvimento tecnológico.
Vacinas congeladas ou superaquecidas ainda podem ser utilizadas.
Em hipótese alguma! Danos por congelamento ou aquecimento comprometem a integridade antigênica e a eficácia. Lotes de vacinas comprometidas devem ser descartados para evitar falsa sensação de imunidade e falhas sanitárias.
Qualquer substituto lácteo protege como o colostro.
Não! Sucedâneos podem fornecer calorias e facilitar ganho de peso, mas não replicam a complexa mistura imunológica do colostro: elevadas concentrações de IgG, IgA, IgM, e populações celulares. Essa combinação tem efeitos sinérgicos sobre a maturação intestinal, colonização microbiana e proteção inicial. Em resumo, o colostro não fornece somente anticorpos, mas também células viáveis (linfócitos de memória e plasmócitos), citocinas e fatores de crescimento que modulam diretamente a maturação do sistema imunitário do leitão, regulam tolerância e facilitam o estabelecimento de uma microbiota benéfica. Há evidências de migração de células colostrais para órgãos linfoides neonatais e efeitos sistêmicos que ultrapassam a simples neutralização de patógenos.
Altos títulos de anticorpos maternos sempre são benéficos para o leitão e não atrapalham as vacinas.
Falso. Títulos elevados de imunoglobulinas maternas protegem o leitão, mas podem inibir a resposta humoral de vacinas administradas precocemente para alguns agentes (Ex: Actibacillus pleuropneumoniae) por interferência do anticorpo materno no desenvolvimento da resposta vacinal. Consequência prática: o calendário vacinal deve considerar os níveis de anticorpos maternos. É importante adiar a vacinação até que os títulos maternos estejam suficientemente baixos. A eficácia vacinal é influenciada por anticorpos maternos, estado nutricional, estresse, comorbidades e integridade na conservação das vacinas. Por isso, é necessário entender que boas práticas de vacinação, adequado manejo nutricional e boa ambiência devem estar sempre associados para uma resposta satisfatória.
Conheça os principais mitos da imunologia e vacinação na produção de suínos
Conheça os principais mitos da imunologia e vacinação na produção de suínos
Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura
AUTORES

Eco Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna

Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões
Cristiano Marcio Alves de Souza Filipe Bittencourt Machado de Souza Jéssica Mansur S. Crusoé Leonardo França da Silva Victor Crespo de Oliveira
DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura

Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
Bruno Bracco Donatelli Muro César Augusto Pospissil Garbossa Erich Herzogenrath Cavaca Inácio Matheus Saliba Monteiro Rafaella Fernandes Carnevale Roberta Yukari Hoshino
Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria
Luiz Felipe Caron
Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
Renato Philomeno
Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Iuri Pinheiro Machado
Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
Equipe Técnica Biochem Brasil
Programa nutricional para leitões recém-desmamados: redução proteica com suplementação de aminoácidos
Allan Paul Schinckel Amoracyr José Costa Nuñez Kallita L. S. Cardoso Mariana Garcia de Lacerda Vivian Vezzoni de Almeida
Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos
Jessica Carolina Reis Barbosa Roberto Maurício Carvalho Guedes
Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
Gefferson Almeida da Silva José Paulo Hiroji Sato Jovan Sabadin Viviana Molnár-Nagy
Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha
Priscila Beck
Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
Priscila Beck
Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
Cândida Azevedo