14 ago 2026

Como transformar mais produção em mais qualidade no prato do consumidor?

Elias Zydek, presidente da Frimesa, explicou por que ampliar a produção de carne suína exige uma estratégia cada vez mais voltada ao consumidor, à distribuição, à inovação e à construção de valor para a marca.

Como transformar mais produção em mais qualidade no prato do consumidor?

Frimesa aposta em valor agregado à carne suína

O estúdio da agriNews Brasil esteve presente no SIAVS 2026 como espaço de encontro entre lideranças e profissionais que ajudam a definir os rumos da proteína animal brasileira. Entre os convidados, Elias Zydek, presidente da Frimesa, falou sobre um dos principais desafios atuais da cadeia, transformar o crescimento da produção em maior valor para o consumidor e, consequentemente, em rentabilidade para toda a cadeia cooperativista.

A companhia trabalha com uma meta ambiciosa de chegar a R$ 15 bilhões de faturamento até 2032, mantendo uma estratégia de 75% da operação voltada ao mercado interno e 25% ao externo. Para alcançar esse objetivo, entretanto, não basta produzir mais. É preciso ampliar a presença da marca, fortalecer a distribuição, desenvolver novos produtos e, sobretudo, entender melhor quem está no outro lado da cadeia: o consumidor.

 

O gargalo deixou de estar apenas na produção

A Frimesa vive um cenário em que a produção das cooperativas cresce entre 5% e 8% ao ano. O desafio, segundo Elias, está em transformar esse aumento de volume em margem.

Em um mercado competitivo, várias empresas disputam o mesmo consumidor. Por isso, a estratégia precisa ir além do preço e construir uma percepção de valor que estimule a compra e a recompra.

“Começa no bolso do consumidor. Você atendendo o consumidor e ele comprando e ficando satisfeito, com certeza você viabiliza toda a cadeia”, afirmou Elias.

Essa lógica muda a prioridade da empresa: a indústria precisa olhar para o mercado como elemento fundamental para remunerar produtores, sustentar investimentos e absorver o crescimento da produção.

 

De R$ 7 bilhões a R$ 15 bilhões: onde está o crescimento?

A meta de alcançar R$ 15 bilhões em faturamento até 2032 será sustentada por um conjunto de estratégias, e não por uma única frente.

No mercado interno, a Frimesa pretende ampliar a distribuição e tornar a marca mais conhecida em diferentes regiões brasileiras. O movimento ganhou força no Sul e, a partir de 2026, passou a mirar com maior intensidade o estado de São Paulo, além das maiores cidades e capitais das regiões Norte e Nordeste.

O objetivo é aumentar significativamente o número de pontos e clientes atendidos. Ao mesmo tempo, a empresa trabalha a comunicação da marca em diferentes canais, incluindo ações no varejo, iniciativas esportivas e associação com personalidades de diferentes públicos.

A estratégia também inclui uma frente agressiva de inovação: a meta é que 12% do faturamento anual venha de novos produtos.

Entre os lançamentos mencionados por Elias estão uma barra de proteína, voltada ao público interessado em alimentação baseada em proteínas e saudabilidade, e o iogurte 5.0.

Menos carcaça, mais produto de valor agregado

Outro movimento importante está na transformação da própria oferta de carne suína. Em vez de concentrar a comercialização em carcaças, a Frimesa aposta cada vez mais em cortes e produtos desenvolvidos para facilitar a vida do consumidor.

Congelados, temperados, cortes in natura e resfriados fazem parte dessa estratégia. Segundo Elias, o consumidor brasileiro demonstra preferência por produtos que sejam práticos, fáceis e rápidos de preparar.

A mudança acompanha também o crescimento do consumo interno de carne suína, que, segundo o executivo, já chega a aproximadamente 20 quilos per capitaNesse cenário, a industrialização e a diferenciação deixam de ser apenas estratégias comerciais e passam a ser instrumentos para ampliar o consumo da proteína suína.

 

Marketing também pode puxar o consumo de carne suína

A presença da Frimesa em São Paulo representa mais do que a abertura de um novo escritório. O movimento integra uma estratégia de aproximação com o mercado consumidor, ampliação da distribuição e reposicionamento da marca.

A companhia também vem investindo na comunicação da carne suína e na construção de uma identidade mais próxima do consumidor. Para Elias, esse trabalho precisa envolver toda a cadeia produtiva.

“A cadeia produtiva toda precisa conhecer do propósito. Quando você tem um propósito na vida, que vai desde o produtor até entender o consumidor final, a luta fica diferente”, destacou.

A lógica é fazer com que o produtor conheça o destino de sua produção e compreenda como qualidade, posicionamento de marca e satisfação do consumidor impactam diretamente a renda e a sustentabilidade da cadeia.

 

A nova fase do agro é a fase do consumidor

Na avaliação de Elias, o agronegócio passou por diferentes momentos de transformação. Primeiro, veio a expansão da produção e da escala. Depois, a industrialização e a agregação de valor. Agora, segundo o executivo, a cadeia entra em uma terceira etapa: a onda do consumidor.

Isso significa compreender desejos, comportamento e expectativas para além da necessidade básica de alimentaçãoO consumidor quer praticidade, mas também quer qualidade, equilíbrio, confiança e uma percepção positiva sobre aquilo que coloca à mesa. Por isso, a Frimesa pretende trabalhar cada vez mais conceitos como naturalidade, saudabilidade e alimentos considerados “de verdade”. A proposta envolve reduzir a presença de conservantes e valorizar a origem e o processo produtivo.

O que precisa acontecer até 2032?

Para Elias, alcançar R$ 15 bilhões não será suficiente para definir o sucesso da estratégia. O verdadeiro indicador será a capacidade de compreender continuamente o consumidor e transformar esse conhecimento em produtos, distribuição e comunicação capazes de sustentar a expansão.

Isso exige planejamento, mas também disposição para ajustar a rota conforme as mudanças do mercado. A empresa terá de continuar estimulando o consumidor a experimentar produtos diferentes e, ao mesmo tempo, manter a conexão com os milhares de produtores e profissionais envolvidos na cadeia.

No fim, a estratégia da Frimesa parte de uma premissa simples, mas com implicações profundas: não basta produzir mais carne suína; é preciso criar motivos para que o consumidor queira comprar mais, pagar pelo valor agregado e reconhecer a qualidade daquele produto. O caminho traçado pela companhia para 2032, portanto, passa menos por simplesmente aumentar o volume e mais por transformar produção em marca, produto, experiência e valor.

Frimesa aposta em valor agregado à carne suína

Entrevista completa

Relacionado com Agronegócios
Sectoriales sobre Agronegócios

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

EDIÇÃO suínoBrasil 2º TRI 2026
Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Maurício Cabral Dutra
Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

Letícia Guizzo Prof Dr. Vinicius Ricardo Cambito de Paula Prof. Dr. Sergio Luis Castro Junior Yasmin Silva Viana
Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Anna Lara M. Teixeira Carlos J.Kippert Gabriel C. Rocha Jansller L. Genova Lucas M. Teixeira
Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Priscila Beck
Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Geovana Coelho Ferreira Isabela de Andrade Luís Guilherme de Oliveira
Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Danilo A. Marçal Jaira de Oliveira Luciano Hauschild Rafaella Fernandes Carnevale Sara J. Sardinha
Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Dra. Masaio Mizuno Ishizuka
Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

Equipe Técnica Biochem Brasil
A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

Diogo Lima Goulart
Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Djane Dallanora
Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas

Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas

Natalia Sitanaka
Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sula Alves
DESCUBRA
agriNews Play - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería

Manage Consent

To provide the best experiences, we use technologies like cookies...

Funcional (Necesarias)
Siempre activo
Estadísticas (Analytics)
Medición de audiencia.
Marketing (Ads)
Publicidad personalizada.